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Oiii gente. Tudo bem?

Gostaria da opinião de vocês. Em maio de 2020 pretendo passar uns 20/25 dias mochilando sozinha pelos seguintes países: Itália(Não irei ficar muito, passarei por lá para pegar ônibus de Roma para Eslovênia), Eslovênia, Hungria, Eslováquia, Polônia e Alemanha). Vocês acham que R$10 mil dá para tudo? Pretendo ficar em hostel barato e fazer as minhas refeições nos hostels. Irei de um país para o outro de ônibus, vi que os preços desse roteiros são em conta. 

 

O que vocês acham?

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@João Rosenthal  Citei minha opinião com base na minha experiência. Sim, entendo que meu modo de viagem não é o costumeiro e eu realmente economizo muito mais do que a maioria me "privando" de de

Se Real não derreter até 2020, e se você não esbanjar nos gastos, também acho que dá.

Você é baiano man?? kkk... esse "é de lei" é nosso kkkkkk   kkk Rapaz, viajar para passar privação é osso! Para mim não tem nada mais gostoso que parar no final da tarde para tomar um

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@João Rosenthal @poiuy 

Tento me conter, mas são comparações muito fora da realidade... mais atrapalham que ajudam. 

Na minha opinião dependera bastante da passagem de ida e volta ao Brasil e dos deslocamentos internos. O problema é chegar nessa região saindo do Brasil... vai por Roma, ok! So para sair de Fiumiccino e voltar, até Termini Estazioni ja se vão 24 €.

Roma não é tão cara assim... é democrática... claro que você não vai querer beber na frente da Fontana de Trevi ou curti happy hour em Trasteveri ... tem que saber achar os points frequentados pelo locais da cidade....

Além disso, para dar certo deve ser uma trip de no maximo 20 dd e sem deslocamentos mirabolantes... cidades próximas a 2-3 horas de trem/ônibus umas das outras... aeroporto encarece tudo, principalmente nos horários dos voos mais baratos e se tiver com bagagem para despachar.

Considerando os países citados (Europa Central mais a leste) os custos são baixos. Dando uma pesquisada acha-se comida na faixa de 8 €... que chegue a 10 €... Cerveja nessa região sai por menos de 2 € ... Comprando em mercado para preparar fica mais sussa ainda!

Concentre-se em fazer uma estimativa de hosteis, deslocamentos e uso de transporte público! Não adianta você pegar um hostel de 15 € nos confins de uma cidade e gastar 4 ou 5 deslocamentos de metro por dia (já que voltara ao hostel para fazer suas refeições)! Mas acho que nem chega a tanto... da para comer na rua... almoço de verdade e a noite um fast food ou street food... 

Livrando transportes e hospedagem uns 40 € são suficientes por dia (menos para Roma)...

Agora 25 dias, estilo pinga pinga (02 dias aqui...02 dias acola)... não dá! Ate porque a dificuldade de locomoção nesta região da Europa vai te lembrar bastante do Brasil kkkk

 

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Quando o pessoal pergunta uma estimativa de quanto gastaria ou se quantia X de dinheiro é suficiente, eu sempre costumo fazer umas continhas de papel de pão para dar uma ideia de quanto custaria, e quase sempre o autor me retorna dizendo que tinha visto num relato no site x alguém que tinha gastado metade do que eu estimei, fazendo bem mais coisas e num padrão bem mais alto de gastos.

Eu sempre peço para pessoa ver em qual data  aquele relato foi publicado, ver a cotação do euro e dólar naquela data e comparar com o preço do euro hoje, ai a ficha costuma cair e as pessoas entenderem que não pode se basear num valor qualquer de vários anos atras.

 

Mas em relação ao questionamento original, se 10 mil Reais é suficiente para um mochilão econômico de 25 dias passando por Itália, Eslovênia, Hungria, Rep. Tcheca Polônia e Alemanha no mês de maio

 

Fazendo as mesmas contas de papel de pão:

Maio é relativamente fácil achar passagens baratas para Itália e Alemanha, se conseguir uma passagem de R$ 2.500, sobra R$ 7.500 para o resto.

Convertendo R$ 7.500  para euros usando a cotação de hoje, de R$ 4.50, daria  em torno de 1.660 Euros.

A autora falou que está disposta a andar de ônibus, supondo que ela gaste uns 300 euros nestas passagens, sobrariam uns 1.360 euros para o resto.

Dividindo 1.360 por 25 dias, dá 54 Euros por dia para você gastar com comida, hospedagem, passeios e diversão.

Agora se 54 euros são suficientes ou não, é outra história. 

Mesmo Eslovênia, Hungria e Polônia serem destinos com um custo mais barato, e mesmo eu não ser de gastar muito, para mim 54 euros não daria, por que eu já não tenho mais muita disposição para ficar num quarto coletivo de hostel, e também não abro mão de fazer pelo menos uma refeição decente por dia num restaurante e de tomar uma ou duas cervejas ou taças de vinho e beliscar algo num happy-hour no final do dia, não sou tipo que gosta de ir em baladas e casas noturnas.

Mas se a pessoa estiver disposta a ficar em quarto coletivo de hostel barato (20 Euros por noite), cozinhar o seu jantar no hostel para não passar 25 dias a base de lanche, e comer lanche no almoço e café da manhã, dá para se alimentar sem dificuldade com uns 15 euros por dia. 

Em relação ao almoço, eu não caio nesta lenda de que você vai perder 2 horas do dia para ir no hostel cozinhar, você vai almoçar na rua mesmo, nem que seja um lanche.

Somando 20 euros de um hostel barato, mais uns 15 Euros de alimentação, dá 35 euros, e sobrariam 19 euros para o resto, que seriam passeios, uma ou utra cerveja, uma balada, etc...

Se a pessoa não for muito de balada ou de beber, se não exagerar nos passeios pagos, que muitas vezes são verdadeiras tourist-traps, fazendo só os mais legais, na minha opinião, dá para conseguir uma média de uns 10 euros por dia com passeios.

O que por sua vez deixaria uns 5 ou 9 euros "livres" para beber uma cervejinha num pub em alguns dias, fazer um segundo passeio pago um em ou outro dia, ou então ir almoçar ou jantar fora 2 ou 3 vezes nestes 25 dias.

em resumo, é um orçamento apertado, mas é possível de ser executado, mas tem que ser bem planejado, e você tem que se manter fiel a proposta de ficar em hostel barato, fazer o máximo de refeições no hostel e não ser do tipo que gosta de baladas e nem querer ir num pub tomar umas cervejinhas todo dia...

Mas pessoalmente eu reduziria a viagem para uns 20 dias, para ter folga no orçamento, pois pessoalmente eu acho ruim você passar toda a sua viagem contando as moedinhas na carteira, e controlando os gastos, para não correr o risco de chegar nos últimos dias de viagem e você não ter mais dinheiro para nada alem de pagar o hostel e o miojo do supermercado, pois você acabou gastando um pouco mais que o previsto no começo da viagem.

 

 

 

 

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Em 06/07/2019 em 09:21, poiuy disse:

Quando o pessoal pergunta uma estimativa de quanto gastaria ou se quantia X de dinheiro é suficiente, eu sempre costumo fazer umas continhas de papel de pão para dar uma ideia de quanto custaria, e quase sempre o autor me retorna dizendo que tinha visto num relato no site x alguém que tinha gastado metade do que eu estimei, fazendo bem mais coisas e num padrão bem mais alto de gastos.

Eu sempre peço para pessoa ver em qual data  aquele relato foi publicado, ver a cotação do euro e dólar naquela data e comparar com o preço do euro hoje, ai a ficha costuma cair e as pessoas entenderem que não pode se basear num valor qualquer de vários anos atras.

 

Mas em relação ao questionamento original, se 10 mil Reais é suficiente para um mochilão econômico de 25 dias passando por Itália, Eslovênia, Hungria, Rep. Tcheca Polônia e Alemanha no mês de maio

 

Fazendo as mesmas contas de papel de pão:

Maio é relativamente fácil achar passagens baratas para Itália e Alemanha, se conseguir uma passagem de R$ 2.500, sobra R$ 7.500 para o resto.

Convertendo R$ 7.500  para euros usando a cotação de hoje, de R$ 4.50, daria  em torno de 1.660 Euros.

A autora falou que está disposta a andar de ônibus, supondo que ela gaste uns 300 euros nestas passagens, sobrariam uns 1.360 euros para o resto.

Dividindo 1.360 por 25 dias, dá 54 Euros por dia para você gastar com comida, hospedagem, passeios e diversão.

Agora se 54 euros são suficientes ou não, é outra história. 

Mesmo Eslovênia, Hungria e Polônia serem destinos com um custo mais barato, e mesmo eu não ser de gastar muito, para mim 54 euros não daria, por que eu já não tenho mais muita disposição para ficar num quarto coletivo de hostel, e também não abro mão de fazer pelo menos uma refeição decente por dia num restaurante e de tomar uma ou duas cervejas ou taças de vinho e beliscar algo num happy-hour no final do dia, não sou tipo que gosta de ir em baladas e casas noturnas.

Mas se a pessoa estiver disposta a ficar em quarto coletivo de hostel barato (20 Euros por noite), cozinhar o seu jantar no hostel para não passar 25 dias a base de lanche, e comer lanche no almoço e café da manhã, dá para se alimentar sem dificuldade com uns 15 euros por dia. 

Em relação ao almoço, eu não caio nesta lenda de que você vai perder 2 horas do dia para ir no hostel cozinhar, você vai almoçar na rua mesmo, nem que seja um lanche.

Somando 20 euros de um hostel barato, mais uns 15 Euros de alimentação, dá 35 euros, e sobrariam 19 euros para o resto, que seriam passeios, uma ou utra cerveja, uma balada, etc...

Se a pessoa não for muito de balada ou de beber, se não exagerar nos passeios pagos, que muitas vezes são verdadeiras tourist-traps, fazendo só os mais legais, na minha opinião, dá para conseguir uma média de uns 10 euros por dia com passeios.

O que por sua vez deixaria uns 5 ou 9 euros "livres" para beber uma cervejinha num pub em alguns dias, fazer um segundo passeio pago um em ou outro dia, ou então ir almoçar ou jantar fora 2 ou 3 vezes nestes 25 dias.

em resumo, é um orçamento apertado, mas é possível de ser executado, mas tem que ser bem planejado, e você tem que se manter fiel a proposta de ficar em hostel barato, fazer o máximo de refeições no hostel e não ser do tipo que gosta de baladas e nem querer ir num pub tomar umas cervejinhas todo dia...

Mas pessoalmente eu reduziria a viagem para uns 20 dias, para ter folga no orçamento, pois pessoalmente eu acho ruim você passar toda a sua viagem contando as moedinhas na carteira, e controlando os gastos, para não correr o risco de chegar nos últimos dias de viagem e você não ter mais dinheiro para nada alem de pagar o hostel e o miojo do supermercado, pois você acabou gastando um pouco mais que o previsto no começo da viagem.

 

 

 

 

Concordo. Normalmente as pessoas que vem aqui e falam que estão super dispostas a pegar Hostel barato, cozinhar todas as refeições lá e economizar com tudo, são também as que são mais jovens e curtem sair para tomar uma de noite. Ou seja, o orçamento para festa/cerveja ia ser quase zero nesse panorama.

E uma coisa importante que você não mencionou: esses R$7.500,00 que sobrariam se ela achasse um voo a R$2.500,00 deve incluir os deslocamentos entre as cidades, que nem sempre são tão baratos. Pelo panorama do planejamento dela, serão uns 7 ou 8 deslocamentos internos, digamos uma média de 15 euros para cada um deles, isso já seriam uns 450 reais a menos no orçamento. Pouca coisa, mas nem tanto. 

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Fazendo uma outra observação. Uma pessoa de primeira viagem não consegue seguir o orçamento na risca, é muito difícil, pois a primeira vez você tem acesso a muita coisa que nunca teve oportunidade, quee está ali. Pra quem gosta de cerveja, por exemplo, gasta 2 euros aqui, 3 ali, no final do dia já foi 15. Pra quem gosta de Museu, vai em um, vê que tem outro museu por 10 euros, pensa que não é muito e entra, quem gosta de balada vai lá pra se divertir, não vai ficar segurando dinheiro, no final o plano vai para as cucuias.

Viajar com 10.000 reais é possível, tenho um irmão que passaria 30 dias na Europa com 5.000 reais, porque ele já sabe o que lhe interessa, já tem experiência, tem amigos que podem lhe hospedar, ele nunca come em restaurante, não entra em museu, etc. É um estilo de viagem, mas só é possível fazer se tem algumas experiëncias prévia. Eu já não faço nem com 10.000, eu só almoço em restaurante (mesmo que barato), gosto de viajar de trem, já não sou muito fã de hostel, ou quando vou pego de valores mais caros.

Acredito que, para mochileiros de primeira viajem, não dá pra colocar muitos dias com um orçamento apertado. Pois é melhor passar 20 dias e sobrar uns euros do que passar 30 e faltar uns euros.

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Em 08/07/2019 em 09:46, Davi Leichsenring disse:

Fazendo uma outra observação. Uma pessoa de primeira viagem não consegue seguir o orçamento na risca, é muito difícil, pois a primeira vez você tem acesso a muita coisa que nunca teve oportunidade, quee está ali. Pra quem gosta de cerveja, por exemplo, gasta 2 euros aqui, 3 ali, no final do dia já foi 15. Pra quem gosta de Museu, vai em um, vê que tem outro museu por 10 euros, pensa que não é muito e entra, quem gosta de balada vai lá pra se divertir, não vai ficar segurando dinheiro, no final o plano vai para as cucuias.

Viajar com 10.000 reais é possível, tenho um irmão que passaria 30 dias na Europa com 5.000 reais, porque ele já sabe o que lhe interessa, já tem experiência, tem amigos que podem lhe hospedar, ele nunca come em restaurante, não entra em museu, etc. É um estilo de viagem, mas só é possível fazer se tem algumas experiëncias prévia. Eu já não faço nem com 10.000, eu só almoço em restaurante (mesmo que barato), gosto de viajar de trem, já não sou muito fã de hostel, ou quando vou pego de valores mais caros.

Acredito que, para mochileiros de primeira viajem, não dá pra colocar muitos dias com um orçamento apertado. Pois é melhor passar 20 dias e sobrar uns euros do que passar 30 e faltar uns euros.

Cara, isso que você esta falando esta me fazendo refletir muito sobre o tipo de trip que eu quero fazer, no começo do meu planejamento estava pensando em gastar 40 euros/ dia, fazendo comida no hostel, visitando museus e tomando um breja no final do dia.....mas vi que seria impossível viajar o tempo que eu quero com esse orçamento. Então comecei a ver realmente o que eu queria visitar, quais os museus são imperdíveis e se eu realmente preciso tomar uma cerveja/dia....cara a ultima vez que eu bebi foram a duas semanas hahaha.

Não sei se funcionaria com todo mundo mas estou fazendo o seguinte: Primeiro penso em quais países quero ir, depois os lugares que mais fazem sentido para mim (sou um cara da cidade ou da natureza?)...ai estimo um valor a mais para caso o murphy ataque...esse pensamento me fez diminuir o período na Europa e aumentar (em muito) o período gasto na Asia.

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O tio Murphy é foda, quase me f. por causa dele na sexta-feira passada. KKK

Eu tinha ido a Londres a trabalho, e na hora de ir para o aeroporto de Heathrow usando metrô, o trem quebrou no meio de um túnel, até o metrô voltar a funcionar, eu já teria perdido o voo, o jeito foi pegar um táxi, pois perder o voo seria muito mais caro!

Ai invés de gastar as £ 3.10 previstas no metrô, eu iria acabar gastando as £ 3.10 e mais outras £ 40 no táxi.

Sorte que tinha outro desesperado para chegar em Heathrow no mesmo vagão, ai dividimos o táxi e ficou só £ 20 para cada um.

Se fosse num mochilão, estas £ 40 do taxi não previsto, significam um dia de viagem a menos que você conseguiria fazer...

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16 horas atrás, thiago.martini disse:

@Aline Miqueline uiaaaa ... esse ano o euro turismo não baixou de 4,15, com isso teu budget/dia foi cerca de 48 euros para todas as despesas. Nível jiraya hein?!? 

 

É o que falei pra ela, admiro por ter conseguido, mas não deveria propagar essa informação como verdadeira porque 98% dos que tentarem, não irão conseguir.

Até conversei mais com a Aline em outro post, ela não faz nenhuma atração paga (só caminhada pela cidade e atração grátis) e não sai à noite nem pra tomar uma cervejinha. Isso não é o normal de um viajante, acho que quase todo mundo preza por ao menos uma ou duas atrações pagas por cidade, e tomar uma cerveja de vez em quando é quase de lei, isso se não for alguém que curte uma balada.

Além disso, quem tem dias de férias engessados que nem eu raramente consegue passagem ida e volta para Europa a menos de R$3500, são quase inexistentes as promoções.

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1 hora atrás, João Rosenthal disse:

é quase de lei

Você é baiano man?? kkk... esse "é de lei" é nosso kkkkkk

 

16 horas atrás, thiago.martini disse:

jiraya

kkk

Rapaz, viajar para passar privação é osso! Para mim não tem nada mais gostoso que parar no final da tarde para tomar uma gelada... um drink... se tiver com a gata abrir um vinho... Curtir as baladas  nem se fala. Eu prefiro ficar 10 dias a vontade do que 30 regrando... mas aí vai do perfil de cada um.

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    • Por Roberto Tonellotto
      No mês de maio de 2018 viajei para a Itália com o objetivo de assistir a duas etapas do Giro d’Italia, uma das competições de ciclismo mais importante do mundo ao lado do Tour de France. Ao todo são 21 etapas. Nessa edição as três primeiras etapas foram em Israel antes de chegar na Sicília, já na Itália, e subir até o Norte e depois retornar ao Sul para a última disputa em Roma.
      Meu objetivo era assistir a 14ª etapa, com partida de San Vito Al Tagliamento com chegada no Monte Zoncolan. Assistir de perto uma final de etapa sobre o mítico Zoncolan na região do Friuli é o sonho de qualquer ciclista ou apreciador do esporte.  Considerada a montanha mais dura da Europa, com 10,2km e com ganho de elevação de 1.225 metros, torcedores do mundo todo disputam espaço ao longo de toda subida para ver de perto o sofrimento e a garra dos melhores ciclistas de estrada do mundo. Na tarde do dia 19 de maio eu e o amigo Tacio Puntel, que mora no país há 13 anos, estávamos estrategicamente colocados sobre a Montanha para assistir à chegada. Milhares de pessoas chegaram cedo ou até acamparam no local, onde a temperatura mínima naquela madrugada tinha ficado abaixo de zero. Mas tudo é festa. Ali ficou evidente para mim como a cultura do ciclismo é tão importante para a sociedade italiana e europeia. Mas para a alegria de alguns e a tristeza de outros quem ganha a etapa é o britânico Chris Froome (que se tornaria o campeão do Giro) seguido de perto por Simon Yates e em terceiro colocado o italiano Domenico Pozzovivo.
      No outro dia fomos até Villa Santina para assistir a passagem da 15ª etapa com 176km, que teve início em Tolmezzo e chegada em Sappada, também na região do Friuli. A passagem dos ciclistas ocorreu dentro da cidade. Sentados em um bar ao lado rua, podemos ver toda a estrutura envolvida para dar suporte as 22 equipes que somam quase 180 ciclistas. Ônibus, Vans, Carros de abastecimentos, motos, equipes de televisão, ambulâncias. Uma grande logística para um negócio milionário que percorreu mais de 3.571 mil quilômetros em terras israelenses e italianas.
      Mas nem só de assistir ao Giro se resumiu essa viagem. Após passar alguns meses planejando roteiros para pedalar na Itália, Áustria e Eslovênia, chegava a hora de pôr em prática. Narro a partir de agora alguns trechos de cicloturismo que realizei nos três países.
      Cleulis (Itália) –  Passo Monte Croce - Dellach (Áustria) – 70km.
      Acordei decidido que iria almoçar na Áustria. Para chegar até lá teria que enfrentar o Passo do Monte Croce Carnico, ao qual já tinha subido e tinha noção que não era muito difícil. O retorno porém, era uma incógnita. O dia estava bonito, a minha frente a espetacular Creta de Timau, a montanha de 2218m, me mostrava o caminho. Uma parada rápida para foto na capela de Santo Osvaldo e cruzo Timau, a última frazione antes de chegar à fronteira. A partir dali, só subida e curvas. Muitas curvas. Eram incontáveis os grupos de motociclistas, trailers e cicloturistas que desciam a montanha. A cada curva um novo panorama se abria. Placas indicavam a altitude, 900m, 1000m, 1200m, até alcançar os 1375m na fronteira Itália/Áustria. Depois, só alegria... Descida de 12km até Mauthen.
      Parada em Kotschach para foto e planejar o próximo passo. Viro à direita na 110 e o vale que se abre a minha frente (e que se estende por quase 80km até Villach) me faz recordar da Áustria dos cartões postais e filmes. Campos verdes infinitos e montanhas que ainda conservavam a neve do inverno. O que mais me impressionou foi o aroma. Um frescor no ar. Uma mistura de terra molhada com lenha verde recém cortada. Segui por esse vale até encontrar a primeira cidade, a segunda, a terceira. Resolvi que era hora de voltar. Encontro a Karnischer Radweg R3, uma ciclovia que acompanha um belo Rio de águas cristalinas. Chego novamente em Mauthen, compro um lanche reforçado e quando vejo já estou subindo os 12km em direção a Itália. Começa a chover faltando poucos quilômetros para a fronteira.
      Parada obrigatória no Gasthaus Plockenhaus. Tempo depois a chuva diminui e começo o último trato até a fronteira. Mais um túnel congelante. Pedalo forte para esquentar o corpo. Na fronteira, já aquecido, vou beber um café no Al Valico, no lado italiano. Como ainda tinha algum tempo até anoitecer e querendo aproveitar ao máximo a viagem, deixo a bicicleta no restaurante e parto rumo a um trekking montanha acima, rumo ao Pal Piccolo. O local foi cenário de um dos episódios mais sangrentos da Primeira Guerra Mundial e hoje abriga um museu a céu aberto, onde mantém em perfeito estado as trincheiras e equipamentos utilizados nas batalhas entre o Império Austro-Húngaro e Itália. Seria uma caminhada de 2km com quase 600m de subida. Logo comecei a ver alguns animais selvagens e neve.
      Nenhuma palavra pode descrever o que eu senti lá. É emocionante estar em um local de Guerra tão bem preservado a quase 2 mil metros de altitude. Ali as trincheiras ficam a menos de 30 metros umas das outras. A bateria da Gopro e do celular já tinha acabado. A minha também. Apenas uma foto registrou a chegada. Não demorei muito e comecei a descer. Depois de 40 minutos de descida até a fronteira, pego a bicicleta e desço em direção a Cleulis, sob chuva e vento forte.
      Grossglokner Alpine Road – Áustria – 30km
      O corpo cobrava o preço do esforço dos últimos pedais e do cansaço da longa viagem. O sábado amanheceu bonito na região da Carnia na Itália e fazia calor quando partimos rumo a Heiligenblut na Áustria. O contraste do verde das montanhas com alguns pontos de neve com o céu azul e a brisa leve nos lembravam que a primavera havia chegado e não iria demorar muito para o verão dar as caras. Por volta do meio dia chegamos a Heiligenblut. A partir dali eu seguiria pedalando. Rapidamente preparo a Mountain Bike, me visto, respiro fundo e começo a “escalar” os 15 quilômetros até o mirante do Grossglockner, a maior montanha da Áustria e a segunda da Europa, com 3797m de altitude. Os primeiros metros, com uma inclinação de 15% já demonstravam que o desafio seria vencido com paciência e força. O calor me surpreende, o Garmin marca 33 graus e uma altitude de 1295m, o que só aumenta o desconforto, que iria diminuir conforme ganharia altura. Pra quem já subiu a linha São Pedro, Cortado, Cerro Branco, Lajeado Sobradinho, Linha das Pedras ou Linha dos Pomeranos pode ter uma pequena ideia do que foi. Chegava na marca dos 11km de subida, na altitude de 2000 mil metros. Pausa para hidratação e para admirar a paisagem. Picos nevados, cachoeiras, mirantes, campos verdes. Impossível não ficar hipnotizado com tamanha beleza de uma das estradas alpinas mais bonitas do mundo. Depois de 2 horas e 15 minutos e algumas paradas para hidratação chegava a 2.369m com uma visão espetacular do Glaciar Pasterze com 8,5km de comprimento e do imponente Grossglockner. Depois de comprar alguns souvenires e comer um pouco, iniciei a descida que em alguns pontos era possível ultrapassar facilmente os 80km/h.
      Triglav - Kranjska Gora (Eslovênia) Tarvisio - Pontebba - Chiusaforte - Moggio Udinese (Itália)
      Parque Nacional Triglav, Eslovênia. Passava do meio dia quando inicio mais uma pedalada. O trajeto do dia seria quase todo em ciclovias através de vales. Segui até a fronteira em Ratece e dali até Tarvisio na Itália onde encontrei a ciclovia Alpe Adria que inicia em Salsburgo na Áustria e vai até Grado no litoral do mar Adriático. Feita sobre uma antiga ferrovia, asfaltada e bem sinalizada é considerada uma das mais bonitas da Europa. Diversos túneis, pontes, áreas para descanso e pontos para manutenção das bikes com ferramentas a disposição. Durante o dia cruzei por centenas de ciclistas e fui cumprimentado por japoneses, espanhóis, alemães, holandeses e claro, italianos.
      É um parque de diversão só para ciclistas. Um ponto de encontro de apaixonados por bicicleta de diferentes nacionalidades. Ali famílias pedalam tranquilamente, sem pressa. Mais do que uma atividade física, percorrer a Alpe Adria é uma viagem na história e nos valores culturais e ambientais do Friuli.
      A paisagem mudava constantemente, ao fim de cada túnel se abriam bosques selvagens, montanhas rochosas e rios com água em tons de azul. Parei na antiga estação de Chiusaforte que foi transformada em um bar para cicloturistas. Dessa cidade as famílias Linassi, De Bernardi e Pesamosca emigraram para a Quarta Colônia na década de 1880. Recarreguei as energias com café e cornetto e segui em frente encantado com a beleza do Rio Fella. Após alguns quilômetros, ao lado do Rio Tagliamento encontrei a cidade medieval fortificada de Venzone. Próximas paradas: Buia terra das famílias Tondo e Comoretto e a cidade de Gemona Del Friuli das famílias Copetti, Forgiarini, Baldissera, Londero, Brondani, Papis, Rizzi, Patat e tantas outras que dali saíram para colonizarem a região central do nosso Estado.
      Nos últimos quilômetros encontrei a belíssima planície friulana e Údine, Palmanova e Aquileia, a antiga cidade romana fundada em 181 a.C. que conserva vestígios arquitetônicos do Forum, do porto fluvial e os 760 metros quadrados de mosaico do século III na Basílica de Santa Maria Assunta.
      Já era tarde da noite quando cheguei em Grado. Degustei uma pizza e um bom vinho tocai friulano e adormeci ao som do Mar Adriático.
      Pendenze Pericolose
      Pendenze Pericolose é um hotel para ciclistas de estrada em Arta Terme. Estrategicamente localizado próximo das subidas mais desafiadoras da Europa como o Zoncolan e o Monte Crostis é também cenário para diversas competições esportivas. Foi ali que conheci seu idealizador, o romano Emiliano Cantagallo que deixou o emprego de Guarda do Papa para se dedicar inteiramente ao ciclismo e a hotelaria na região da Cárnia.
      Eu já acompanhava seus vídeos na internet com ciclistas profissionais em lugares incríveis onde ele demonstrava a paixão que sentia por aquela terra. Estando tão perto eu não poderia perder a oportunidade de ter essa experiência. Através dos amigos Tácio e Marindia Puntel o encontro foi marcado. No outro dia já estávamos na estrada, eu, Emiliano e Alessandra que também veio de Roma e estava hospedada no hotel. Fiquei espantado com seus níveis de condicionamento físico. Normal para quem faz por volta de 150km todos os dias. Nesse dia aliviaram para mim, seriam 100km e “apenas” duas montanhas.
      Foi um dia inesquecível, apesar do ritmo forte, conversamos muito. Emiliano contava sobre cada lugar: Sella Nevea, Tarvisio, Montasio... Falamos sobre o acaso da vida. Dois romanos e um brasileiro nas montanhas da Cárnia unidos por um esporte e com visões de mundo semelhantes. No meio do caminho, fizemos uma parada no Lago del Predil. Contemplamos o lago cercado por montanhas e nos abraçamos como velhos amigos.
      Foram mais de 500 quilômetros pedalados entre Áustria, Itália e Eslovênia durante a primavera do hemisfério norte. Foram 15 dias de imersão cultural, descobrindo e aprendendo. Permaneci a maior parte do tempo entre Arta Terme e Paluzza. Sentia-me em casa convivendo com pessoas que possuem uma ligação genealógica e afetiva com nossa região. Daquela área saíram as famílias Anater, Prodorutti, Puntel, Maieron, Dassi, Muser e Unfer. Se não fosse pela língua e pelas montanhas, diria que estava na Linha dos Pomeranos ou na Serraria Scheidt.  Na fração de Cleulis, em Paluzza, conheci as casas que foram de alguns emigrantes. Construções em sua maioria de dois pavimentos e que ainda se mantem intactas e bem cuidadas.
      Foi de Cleulis que iniciei mais uma pedalada, agora até o Lago Avostanis. Não fazia ideia do que ia encontrar quando parti às 7 horas de um domingo ensolarado e frio. Logo comecei a subir por uma estrada de terra que serpenteava a Floresta de Pramosio. Muitas curvas. Seriam mais de cinquenta nos dez quilômetros até o topo. A inclinação era absurda. A mata fechada permitia que apenas alguns raios de sol atingissem a estrada. Quanto mais alto, mais a temperatura diminuía e a paisagem se transformava. Parei em uma placa indicativa que mostrava em detalhes como a vegetação se dividia conforme a altitude. Assustei-me quando percebi que havia percorrido apenas um terço do caminho. O silêncio era quase total, ouvia apenas a minha respiração e o barulho do atrito dos pneus com o cascalho.  O ambiente, muito bem preservado, é lar de cervos e coelhos selvagens que saltavam de um lado para o outro. Na altitude de 1500 metros está a Malga Pramosio. Malga é uma espécie de estabelecimento alpino de verão, geralmente um restaurante ou bar com produtos típicos. Segui em frente. O caminho a parti dali só é possível ser feito a pé ou de bicicleta. Ainda havia muita neve em alguns pontos, o que exigia colocar a bicicleta nas costas e caminhar sobre o gelo ao lado de um precipício. Foi assim que cheguei a quase 2 mil metros de altitude no Lago Avostanis que ainda estava congelado. Foi o lugar mais bonito de toda a viagem, uma beleza que só se revela para aqueles dispostos a enfrentar a si mesmos e a respeitar o poder da natureza em sua forma bruta.
      Durante esse tempo pedalando por antigas estradas romanas, cidades medievais, atravessando fronteiras e exposto a uma diversidade de culturas e tentando me adaptar a cada uma delas, percebi uma coisa que mais me chamou atenção: o respeito. O respeito não só com o ciclista, mas com o ser humano em si. E o respeito se transformava em solidariedade, em empatia. Por diversas vezes, em bares e restaurantes principalmente no Friuli, recusavam-se que eu pagasse a conta. Não sofri qualquer tipo de preconceito por ser brasileiro ou por não ter sangue “puro” italiano. Havia apenas curiosidade e fascínio de ambas as partes.
      Foram tantos os detalhes que me chamaram atenção durante esses dias que são difíceis de enumerá-los. Desde beber água direto das fontes à beira da estrada até a generosidade daquele povo. É poder conhecer coisas assim quer torna o ciclismo tão especial. Não é apenas o lugar em si. Mas o modo que você o visita. As pessoas e as histórias que conheceu. O que você precisou fazer para chegar até ele e o quanto dele ficou em você quando foi embora.
       
































    • Por tulioboy123
      Bom dia, gente! o meu trisavô é alemão (trisavô-bisavó-avô-pai-eu). Nesse grau de parentesco, tenho direito à cidadania alemã?
    • Por Jonatas Elias
      Relato da viagem pela França
       
      Relato da viagem pela Itália
       
    • Por Jonatas Elias
      Relato da viagem pela França
       
      Relato da viagem pela Holanda
       
    • Por lavidaesmara
      O Oceanogràfic de Valência, situado na Cidade das Artes e das Ciências, é o maior aquário da Europa. Conhece-o em:
      https://lavidaesmara.com/2020/07/08/dia-oceanografic-valencia/

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