Relatos de Viagens por 2 ou mais países da América do Sul


#1233772 por JUNINHO BLAZE
18 Nov 2016, 12:11
Camarada, estou aqui ainda e curtindo muito o seu relato.

Peguei o livro "Espelhos" do Galeano, será o meu companheiro de viagem nessa trip que começa dia 24/12.

#1237259 por Diego Minatel
02 Dez 2016, 10:15
JUNINHO BLAZE escreveu:Camarada, estou aqui ainda e curtindo muito o seu relato.

Peguei o livro "Espelhos" do Galeano, será o meu companheiro de viagem nessa trip que começa dia 24/12.


Terá boa companhia na sua viagem então =]

Aproveita demais os dias em que estará de viagem. Abraços
#1239990 por Diego Minatel
14 Dez 2016, 11:01
Parte 19: Piranhas, Cânion do Xingó e uma viagem de carro

"O escafandro já não oprime tanto, e o espírito pode vaguear como borboleta. Há tanta coisa para fazer. Pode-se voar pelo espaço ou pelo tempo, partir para a Terra do Fogo ou para a corte do rei Midas.
Pode-se visitar a mulher amada, resvalar para junto dela e acariciar-lhe o rosto ainda adormecido. Construir castelos de vento, conquistar o Velocino de Ouro, descobrir a Atlântida, realizar os sonhos da infância e as fantasias da idade adulta.
Chega de dispersão. Preciso compor o início destes cadernos de viagem imóvel e estar pronto para quando o enviado de meu editor vier tomar o ditado, letra por letra. Na minha mente, remôo dez vezes cada frase, elimino uma palavra, junto um adjetivo e decoro meu texto, parágrafo após parágrafo.
Sete e meia. A enfermeira de plantão interrompe o curso de meus pensamentos. Segundo um ritual bem preciso, ela abre a cortina, verifica traqueotomia e gotejamento, e liga o televisor para que eu veja o noticiário. Por enquanto, um desenho animado conta a história do sapo mais veloz do Oeste. E se eu formulasse o desejo de ser transformado em sapo?" O escafandro e a borboleta, Jean-Dominique Bauby


Todo dia na estrada é um dia cheio de possibilidades. Por estarmos, frequentemente, diante do novo, o novo já não assusta. Ficamos mais propícios a dizer sim ou ao mesmo, seguir por caminhos que não eram nossos e num piscar de olhos, caminhos opostos formam pontes para um mesmo lugar. Todo dia na estrada é um dia cheio de encontros. Por estarmos longe dos nossos conhecidos, conversamos com qualquer pessoa que cruze o nosso destino e assim perdemos um pouco da arrogância do julgamento precipitado e damos a chance de conhecer o desconhecido. Todo dia na estrada é como qualquer outro dia, o que muda apenas é a nossa disposição de conhecer. Todo dia deveria ser como um dia na estrada.

Cheguei em Maceió. Caminhei, pouco, pela cidade, mas não queria estar na muvuca de uma capital. Queria dar continuidade aos dias tranquilos. Queria voltar para o interior. Queria voltar para a simplicidade. O cânion do Xingó surgiu em minha cabeça e para lá continuei o meu caminho.

No Alagoas o transporte dentro do estado é feito por vans. Os ônibus na rodoviária são, praticamente, interestaduais. Sem informação de horários, fiquei na rodoviária esperando a van para a cidade de Piranhas. Embarquei com mais umas dez pessoas. A viagem perdurou por algumas boas horas. O sono me dominou por quase toda a viagem.

Chegar em Piranhas (a cidade velha) é como chegar no paraíso. Me arrisco dizer que é a cidade mais bonita que eu já conheci. Suas casas coloridas à margem do rio São Francisco são de uma beleza sem tamanho. A harmonia que a cidade tem com a natureza, uma complementando a outra, fez eu não imaginar a natureza sem a cidade e a cidade sem a natureza. A calmaria se faz presente sempre naquele recanto de mundo.

Depois parti para o hostel Maestro Egildo Vieira. Egildo Vieira foi um maestro famoso, seu irmão Nei toma conta do hostel. Com orgulho o Nei sempre conta as histórias de seu falecido irmão famoso, principalmente as histórias que envolvem também o grande Ariano Suassuna. Nei é gentileza em pessoa. Nunca fui tão bem tratado num hostel como fui naqueles dias em Piranhas.

Deixei minhas coisas e fui caminhar pela lindeza da cidade. A cada cem metros parava para mergulhar no velho Chico. Joguei bola num campinho. Conversei com alguns pescadores e fui alertado de alguns lugares que era arriscado nadar. Retornei era quase noite. Fiquei na praça. Depois subi as escadarias para chegar no ponto mais alto da cidade para vê-la de cima e ser surpreendido com o belo céu daquele dia. Passei boa parte da noite ali, na companhia do céu estrelado.

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"Estava sozinho naquele hostel imenso. A arquitetura antiga de beleza rústica seria sucesso em qualquer grande cidade. Ali, o vazio tornava o eco mais sufocante. As pousadas familiares dominam a preferência de quem vem conhecer a cidade e a região. A arquitetura mais bonita é a do hostel, os melhores sucos e as melhores histórias e o melhor tratamento é feito pelo Nei. Se um dia tivesse que dar um conselho sobre Piranhas, o conselho seria: fique no hostel e conheça o grande Nei." Notas de Diário

No outro dia, acordei cedo e andei a beira rio novamente. Depois peguei um moto táxi até próximo a usina de Xingó, donde saem os barcos para o Cânion do Xingó.

Embarquei. O rio São Francisco naquele pedaço de mundo consegue ser mais bonito que o normal. A embarcação tinha muita gente e era todo animado, com música alta, comida cara e bebidas, algum desavisado poderia confundir com uma festa. Isso me incomodava um pouco, mas eu seguia na proa do barco admirando cada novo pedaço do rio que se anunciava. Ao chegar no cânion um misto de decepção e encantamento tomou conta de mim. A decepção por ver duas "piscinas" no rio ao lado do cânion do Xingó e o encantamento pelo próprio cânion. Para acessar o cânion é preciso pagar dez reais e tomar assento num barco a remo. O cânion é bem estreito. Poucos barcos vão ao mesmo tempo. Na espera todos ficam na "piscina" montada no meio do rio ou vendo o pouco artesanato que vendem na plataforma de desembarque. O trecho de barco a remo, vale muito a pena, é a cereja do bolo, é o porquê de ter encarado o barco maior. E saber que o cânion só é o cânion por causa de intervenção humana, pois ele só alagou depois da água ser represada para a construção da hidrelétrica de Xingó. De todo modo, os poucos minutos dentro do barquinho, onde o bater do remo é calmo, onde os paredòes quase se tocam, onde as cores da água alterna entre azul e verde de acordo com o esconder do sol, onde o silêncio toma conta e a beleza é a mais pura, daquelas de fazer esquecer qualquer outra coisa.

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Na volta, o barco fez o mesmo caminho, como teria de ser. A animação era maior. Eu continuava da mesma forma, admirando a paisagem de pé na proa. Agora a proa estava cheia de pessoas. O motivo era a ducha ao lado, mas não para tomar banho. Quase todos queriam tirar uma foto fingindo tomar banho de ducha. Eu realmente não entendi, mas o que importa é que pareciam felizes com isso. Num desses instantes, comecei conversar com a Licka que estava viajando junto com a Anna de carro. Elas se conheceram pelo site do mochileiros e se encontraram em Salvador, alugaram um carro e seguiram para o Xingó e depois iriam aproveitar o litoral alagoano. Elas estavam do lado sergipano na cidade de Canindé do São Francisco. Convidei-as para conhecer a bela cidade de Piranhas, logo depois do passeio.

Licka é psicóloga e mochileira, já viajou por muitos lugares e estava prestes a fazer sua esperada volta ao mundo. Muita admiração por ela, por conseguir conciliar sua profissão com suas mochiladas.

Anna é radialista e mochileira de primeira viagem. Sua voz é igual da Fernanda Lima e seu sorriso é encantador. Sua ideia é o mais breve possível ir morar em Ilhabela.

Elas seguiram até Piranhas comigo. Conheceram o Nei e resolveram ficar. Depois saímos para comer e andar pela cidade. Mergulhamos no velho Chico. No fim da tarde, resolvemos subir as escadarias para ver o pôr-do-sol que se anunciava. Chegamos a parte alta e lá estava a Marina e o Rui, logo eles se juntaram a nós e no resto do dia éramos em cinco.

Rui é agrônomo, músico, dançarino e motoqueiro. Dono de uma felicidade contagiante e de uma humildade gigante. Não tem como não gostar dele.

Marina é búlgara e mochileira, tinha oito meses para viajar pela América do Sul. Sua ideia era percorrer o continente todo, mas de tanto gostar do Brasil gastou todo o seu tempo no litoral nordestino e na Chapada Diamantina.

Já era noite voltamos ao velho Chico para mergulhar. Depois passamos o resto da noite na pracinha em um dos bares. O tempo passava, algumas cervejas eram consumidas. Rui apresentava suas diversas teorias sobre os mais diversos temas, era fácil rir com suas histórias. Marina sempre sorrindo se esforçava no português. Anna apresentava sua ciência ao pedir a batida de morango. Licka me ofereceu carona para o outro dia cedo, a princípio iria ficar mais uns dias ali, mas no fim resolvi embarcar junto com elas. No resto da noite tentamos vencer o sono para ir ver o luar em cima das escadarias, mas o sono venceu. Despedimos do Rui e da Marina e seguimos para o hostel.

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" - Jack, nós temos que ir e nunca parar de seguir enquanto a gente não chega lá.
Para onde estamos indo, cara?
Eu não sei, mas temos que ir." On the road, Jack Kerouac


Saímos cedo de Piranhas. O Nei deixou preparado um super café da manhã para nós. Eu fiquei com todo o banco de trás. A Licka no volante deu início a viagem. Seguiríamos para a praia do Gunga. Entre cochiladas eu tentava acompanhar o caminho. Nos perdemos algumas vezes. Chegamos. Antes de entrar na praia, fomos num mirante onde avistávamos toda a praia pelo o alto. O mar de coqueiros e o mar de água divididos por uma faixa de areia é lindo demais. Estacionamos o carro e começamos a caminhar pela praia. Caminhamos até estarmos longe da multidão. Por vezes, mergulhei no mar colorido e agitado do Gunga, sozinho ou na companhia da Anna ou na companhia da Licka ou na companhia das duas. Passamos parte da manhã e toda a tarde ali.

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Estávamos sentados num bar. Aproveitamos para carregar os celulares e tomar algumas cervejas. Tínhamos que definir nosso próximo destino. Depois de algumas propostas e conversas, chegamos a conclusão que iríamos para a praia do Carro Quebrado, ao norte de Maceió. A ideia era acampar na praia. Passamos num mercado e compramos alguma comida para cozinhar no acampamento. O fim da tarde chegava e assim, partimos. Por inexperiência pegamos a "Br", ao invés, da pista litorânea para chegar a Barra de Santo Antônio. Nesta noite, nos perdemos muitas vezes. Uma viagem de poucas horas se tornou uma grande viagem. Estávamos cansados. E por muitas vezes achei que desistiriamos em achar a tal praia. Ainda bem que não. Depois de muito escuro, pistas vazias e de muita música, chegamos a cidade destino. A praia era bem isolada e todos desencorajaram nós a seguir no fim de noite para lá. Um guia local arranjou um restaurante a beira mar para acamparmos.

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Montamos a barraca. Nos ajeitamos. Fui ver o mar e o céu. Era a primeira vez da Anna acampando. Fizemos nossa janta. A fome era grande. O macarrão acabou rápido. Um vento agradável pairava pela noite. Um a um íamos dormindo.

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Era madrugada ainda. Vi as gurias indo ver o nascer do sol a beira mar. Não consegui levantar. A ideia era ver o nascer do sol na praia do Carro Quebrado. Nos primeiros raios de sol, criei coragem e desfiz acampamento. Esperamos o guia que nos ajudaria com o labirinto até chegar a tal praia.

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Chegamos em Carro Quebrado com o sol se levantando ainda. Que sorte a nossa não ter desistido. Ao ver pela primeira vez aquela praia, sabia que estava no lugar certo. Acho que já devo ter dito inúmeras vezes que essa ou aquela era a praia mais bonita que já tinha visto. Cronologicamente isso sempre é verdade. E agora estava de novo, de frente com a praia mais bonita e charmosa que já tinha visto. Ter ela só para nós foi um 'plus' que fez ela se tornar mais bonita ainda. O sol queimava demais. O mar tinha muitas cores. Pouco falamos. O esforço e a persistência em chegar naquele lugar, fazia cada um aproveitar do seu modo, aquele paraíso. Que calmaria gostosa. Que delícia de lugar. Que recompensa. No primeiro sinal de "intrusos", pegamos nossas coisas e seguimos viagem.

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Agora íamos recortando o lindo litoral do Alagoas em direção ao sul. Passamos pelas coloridas praias de Maceió. Cruzamos a praia do Gunga novamente. Toda praia que se anunciava era mais bonita que a anterior. Lembro de termos parado em uma praia de um azul intenso que era linda demais, dei apenas um mergulho e seguimos pela estrada. E assim, foi, praia e mais praia. Até chegarmos na divisa natural do estado do Alagoas com Sergipe, o rio São Francisco.

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A cidade era Piaçabuçu. Eu tinha muita vontade de conhecer a foz do velho Chico e a meninas embarcaram na mesma vontade. Conseguimos negociar um barco bem barato e com direito a um almojanta. Partimos pela lindeza do São Francisco. Quanta beleza tem aquele trajeto. Passamos por vilarejos, coqueiros, dunas, avistamos muitas aves e talvez um boto. No final o rio se rende a imensidão do mar e adoça um pouco as águas salgadas do Atlântico. Mergulhamos por muito tempo nas águas do rio que foi o responsável pelo nosso encontro. Quando o sol se punha, o barco retornava. E que pôr-do-sol maravilhoso foi aquele. Em silêncio admirávamos o sol caindo no horizonte. No momento que o último raio de sol era visto, atracamos no porto.

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Seguimos viagem, nesse dia intenso. Fomos até Penedo. Chegamos era noite. O centro histórico é lindo demais. Fiquei com muita vontade de voltar com mais calma. Mesmo assim, podemos ver o quão preservado é o centro histórico da cidade. Depois fomos para o porto, pegamos a balsa e atravessamos o São Francisco. Agora em terras sergipanas nosso destino era Aracaju.

As luzes projetadas pelo farol do Uno avançavam pela escuridão das rodovias do Sergipe. O som alto fazia companhia. Música após música era tocada. Cantávamos para afastar o sono. A Licka no volante acertava todos os caminhos nas confusas pistas do menor estado brasileiro. As luzes só mudavam de direção quando o Uno passava por algum buraco escondido com a ajuda da noite. O caminho era só escuridão, interrompido por vezes por algum caminhão na direção contrária que iluminava o interior do nosso carro. Nesses momentos de luz eu mirava meus olhos para as duas, uma de cada vez. Às vezes, a Anna estava dormindo. A Licka, incansável, sempre com os olhos firmes no caminho. A Anna, de vez em quando, encostava o rosto no vidro do carro e parecia olhar para o teto, não sabia se era o sono ou se algum pensamento arrematava-a. A cantoria dentro do carro aumentava de tom quando o rádio começava a tocar: Um sonho, do Nação Zumbi. Nesses momentos, parecia ter uma energia diferente conosco. Ou melhor, parecia dar-nos mais energia para seguir pelas estradas naquela noite, que era mais escura que as outras noites. O Uno seguia enxergando por seus faróis e a viagem continuava.

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Chegamos em Aracaju. Chegamos em frente a casa do Rui. Junto com a Marina o Rui abriu a porta de sua casa. Fomos recebidos de braços abertos. Tomamos algumas cervejas e logo o sono foi dominando.

Esse dia, foi intenso demais. Talvez dos melhores que já vivi. Acordamos ao relento numa praia qualquer. Depois seguimos para uma das praias mais bonitas do nosso Brasil. Atravessamos todo o Alagoas até conhecer o lindo fim do rio São Francisco. Passamos pela tão linda Penedo. Atravessamos o Chico para estar do lado sergipano. E fomos até Aracaju para rever o Rui e a Marina. Não quis ver quantos quilômetros percorremos, pois números sempre estragam toda a beleza do momento.

Acordamos tarde. O Rui e a Marina nos levaram para conhecer o centro histórico de Aracaju. Depois fomos numa praia. Almoçamos. E logo, a estrada iria nos fazer companhia novamente. A Anna pegaria o vôo no dia seguinte em Salvador. Ficamos mais um tempo na companhia do Rui e da Marina. No fim da tarde, nos despedimos e seguimos nosso último trecho juntos. De Aracaju a Salvador.

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Chegamos ao Pelourinho. Agora eu seguiria sozinho. Peguei minha mochila e estava as duas na minha frente. Não lembro ao certo o que eu disse na despedida. De certo, foram palavras, vazias, do tipo: "Boa viagem", "Juízo", "Até a próxima". Depois do abraço final caminhei para dentro do Pelô. Passei por bares cheios e lugares que nunca tinha visitado antes, mas o ao redor não importava, apenas caminhava até algum hostel. Conforme eu caminhava uma nova música surgia de fundo. Encontrei o hostel que eu procurava. Hesitei ao entrar. Agora um turbilhão de sentimentos tomava conta de mim. Queria ter agradecido as meninas de forma mais honesta os dias que estivemos juntos. Hoje, depois de mais de oito meses desses dias, toda vez que eu escuto aquele sotaque pernambucano do Nação Zumbi iniciando a música dizendo: "Estão comendo o mundo pelas beiradas| Roendo tudo, quase não sobra nada | Respirei fundo, achando que ainda começava | Um grito no escuro, um encontro sem hora marcada | Ontem eu tive esse sonho … " eu, automaticamente, me teletransporto para aqueles dias dentro do Uno branco na companhia da Licka e da Anna. Onde a escuridão das pistas do Alagoas, Sergipe e Bahia nos fizeram companhia. Onde três pessoas, de três lugares diferentes se uniram por suas diferenças e principalmente, pela vontade de viajar. Me teletransporto e lembro da cara de curiosidade da Anna ao experimentar o macarrão no acampamento. Me teletransporto e lembro da Licka, ainda desconhecida, ao meu lado na proa. Me teletransporto e vejo a alegria do Rui e da Marina. Me teletransporto e lembro do sorriso de cada um e também lembro do rio São Francisco que por algum motivo nos uniu, naquela curta, mas intensa viagem. Quando a música acaba volto ao dia de hoje, mas cheio de lembranças e com muitas saudades. Saudades daqueles dias. Saudades de todos. E agora, de uma forma mais honesta, eu digo: Obrigado. Obrigado pela companhia. Obrigado pelo companheirismo. Obrigado pelos momentos. Anna, Licka, Marina, Nei e Rui um beijo na alma de cada um de vocês. Muita paz sempre. Mais uma vez, obrigado!

"De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro." O Encontro Marcado, Fernando Sabino
#1239998 por JUNINHO BLAZE
14 Dez 2016, 11:34
Sensacional, continuo acompanhando aqui.

Passei em alguns desses lugares que vc foi inclusive os Quenions do velho Chico...Piranhas, Praia do Gunga, Carro quebrado, Aracaju....demais meu amigo, linda viagem essa sua!
#1240017 por *LiCkA*
14 Dez 2016, 13:00
Ahhhhhhh... Que sorte a minha ter cruzado seu caminho nessa sua linda jornada!

Que sorte a nossa ter compartilhado desses dias intensos e vibrantes!

Realmente foram momentos memoráveis.

Viajar é isso... É contar com os improvisos da vida, com a magia dos encontros, com as surpresas dos caminhos.

Cada um, com nossas peculiaridades, nos tornamos um só destino pela vibração da aventura.

Obrigada pelas palavras. Estou acompanhando o relato e sei que ainda falta um bom pedaço.

Siga em frente amigo, estamos no aguardo!!!

Bjs.
#1240045 por mcm
14 Dez 2016, 15:12
Cara, que bacana que Piranhas continua bela! Galera faz bate-volta ao Xingó desde Maceió e acaba perdendo toda aquela beleza e leveza de Piranhas. O cânion e a foz do Velho Chico (e Piranhas e Penedo-AL) são dos lugares mais bonitos que já vi pelo Brasil. E que beleza que é ler a tua viagem.
#1240532 por Diego Minatel
16 Dez 2016, 23:36
JUNINHO BLAZE escreveu:Sensacional, continuo acompanhando aqui.

Passei em alguns desses lugares que vc foi inclusive os Quenions do velho Chico...Piranhas, Praia do Gunga, Carro quebrado, Aracaju....demais meu amigo, linda viagem essa sua!


Valeu manolo! Piranhas e Carro Quebrado foram dos lugares que mais gostei de estar, que massa que já foi pra lá tbm. Vc foi de barco ou de carro para Carro Quebrado? Abraços
#1240534 por Diego Minatel
16 Dez 2016, 23:39
*LiCkA* escreveu:Ahhhhhhh... Que sorte a minha ter cruzado seu caminho nessa sua linda jornada!

Que sorte a nossa ter compartilhado desses dias intensos e vibrantes!

Realmente foram momentos memoráveis.

Viajar é isso... É contar com os improvisos da vida, com a magia dos encontros, com as surpresas dos caminhos.

Cada um, com nossas peculiaridades, nos tornamos um só destino pela vibração da aventura.

Obrigada pelas palavras. Estou acompanhando o relato e sei que ainda falta um bom pedaço.

Siga em frente amigo, estamos no aguardo!!!

Bjs.


Eita, Licka. E pensar que dias antes, eu estava pensando que nunca havia viajado com a liberdade do carro e logo o pensamento se fez presente e vcs apareceram, muito louco isso. Sobre a escrita está acabando, penso em acabar o mais breve possível e agora falta muito pouco. Um beijo grande Li!
#1240536 por Diego Minatel
16 Dez 2016, 23:43
mcm escreveu:Cara, que bacana que Piranhas continua bela! Galera faz bate-volta ao Xingó desde Maceió e acaba perdendo toda aquela beleza e leveza de Piranhas. O cânion e a foz do Velho Chico (e Piranhas e Penedo-AL) são dos lugares mais bonitos que já vi pelo Brasil. E que beleza que é ler a tua viagem.


Então, também não consigo entender esse bate e volta. Piranhas vale a pena demais e Penedo já tinha sido alertado antes de ficar um tempo, mas acabou que somente passamos e ficamos poucas horas ali, mas foi o suficiente para querer voltar numa próxima oportunidade. Faz muito tempo que esteve por esses recantos?
#1240537 por Diego Minatel
16 Dez 2016, 23:53
balysson escreveu:Cara, sensacional esse seu relato! Eu viajo na sua viagem, parabéns! Venho aqui no mochileiros.com só pra ver se tem atualizações suas por aqui!


Valeu @balysson, fico feliz, de verdade, que esteja gostando. Quando comecei a escrever achei que em menos de um mês eu terminaria tudo, já estou aqui alastrando por mais de seis meses e o fim, ainda, não chegou. Pretendo finalizar o mais rápido possível. Grande abraço e muita paz.
#1241239 por JUNINHO BLAZE
20 Dez 2016, 09:43
Diego Minatel escreveu:
JUNINHO BLAZE escreveu:Sensacional, continuo acompanhando aqui.

Passei em alguns desses lugares que vc foi inclusive os Quenions do velho Chico...Piranhas, Praia do Gunga, Carro quebrado, Aracaju....demais meu amigo, linda viagem essa sua!


Valeu manolo! Piranhas e Carro Quebrado foram dos lugares que mais gostei de estar, que massa que já foi pra lá tbm. Vc foi de barco ou de carro para Carro Quebrado? Abraços



Fui de carro a partir de Maceió, me lembro que tive que atravessar um rio de mini balsa e depois pegamos uma estrada de terra.

A praia é linda, água morna e piscinas naturais...sensacional!
#1241702 por Diego Minatel
21 Dez 2016, 22:56
mmClarissa escreveu:ótimo relato!
gostei especialmente das suas divagações e indicações poéticas durante as histórias
parabéns pela linda viagem!


Eita! mmClarisa muito obrigado pelas palavras e sobre os livros foram todos livros que alimentaram a minha vontade de viajar. Muita paz pra ti.


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