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Olá viajante!

Bora viajar?

Bolívia + Chile + Peru (26 dias - abril/2015) TUDO por 1.600 dólares!

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Mochilao_Bolivia-Chile-Peru_Rodrigo-Alcure.jpg.741e387d178ddd322198652d1343aa71.jpg

 

Índice do Relato:

[Pag. 1] Capítulo 1: Preparativos para a viagem

[Pag. 1] Capítulo 2: Santa Cruz de la Sierra, Sucre e... o mal da altitude.

[Pag. 4] Capítulo 3: Enfim Uyuni! Três dias inesquecíveis.

[Pag. 6] Capítulo 4: Vulcões, desertos e as Lagunas Altiplânicas.

[Pag. 8] Capítulo 5: ¡Adiós, Uyuni! A beleza dos Geisers e o sofrimento dos -10ºC.

[Pag. 10] Capítulo 6: Os encantos de San Pedro de Atacama.

[Pag. 11] Capítulo 7: As Piedras Rojas, as Lagunas Altiplanicas e o Salar de Atacama.

[Pag. 12] Capítulo 8: O Salar de Tara e o adeus a Atacama.

[Pag. 15] Capítulo 9: De Arica para Tacna: cruzando a fronteira com o Peru.

[Pag. 16] Capítulo 10: Ô Maria esta suruba me excita... Arequipa! Arequipa! Arequipa!

[Pag. 17] Capítulo 11: De um luxuoso ceviche à muvuca do Mercado San Camilo.

[Pag. 20] Capítulo 12: Dois dias de calotes, perrengues e superação pelo magnífico Cañon del Colca. [1ª Parte]

[Pag. 20] Capítulo 12: Dois dias de calotes, perrengues e superação pelo magnífico Cañon del Colca. [2ª Parte]

[Pag. 22] Capítulo 13: Oásis são reais! Um dia de muita diversão pelas dunas de Huacachina.

[Pag. 22] Capítulo 14: As Islas Ballestas e a Reserva Nacional de Paracas: um passeio pelo Oceano Pacífico.

[Pag. 24] Capítulo 15: Cusco, a cidade histórica.

[Pag. 26] Capítulo 16: O Vale Sagrado dos Incas.

[Pag. 29] Capítulo 17: O lindo – e traumatizante – caminho até Aguas Calientes.

[Pag. 34] Capítulo 18: Machu Picchu, a Cidade Perdida dos Incas... e uma noite no hospital.

[Pag. 38] Capítulo 19: Até a próxima, Machu Picchu! É hora de seguir para Puno.

[Pag. 39] Capítulo 20: Puno e o passeio pelas Islas Flotantes de Uros e Isla Taquile.

[Pag. 44]Capítulo 21: Cruzando a fronteira com a Bolívia rumo a Copacabana.

[Pag. 46] Capítulo 22: Os encantos da Isla del Sol.

[Pag. 49] Capítulo 23: O adeus à Isla del Sol. É chegada a hora de conhecer a caótica La Paz.

[Pag. 51] Capítulo 24: Chacaltaya, Valle de la Luna... e o dia em que fomos furtados.

[Pag. 57] Capítulo 25: O eletrizante downhill pela Carretera de la Muerte.

[Pag. 62] Capítulo 26: ¡Hasta la vista, baby! É hora de voltar pra casa.

[Pag. 62] Capítulo 27: Agradecimentos.

 

::hãã2:: Instagram em que costumo(ava) postar tudo quando viajo:

@queridopassaporte (não o utilizo mais, está bem desatualizado, mas tem umas publicações legais por lá)

Qualquer dúvida, estou à disposição no meu perfil pessoal: @rodrigoalcure

 

Editado:

Baixe o PDF com o relato completo:

relato_rodrigovix_mochilao_bolivia_chile_peru.pdf

Outra opção de download:

https://drive.google.com/file/d/1ttiGF8sYfNmXsc2HU72XfwKKePhJ4jiY/view

(Agradecimentos à Fernanda Arruda por ter compilado o relato em pdf pra gente - página 47)

 

 

Salve, salve, mochileiros deste Brasil varonil!

 

Cá estou eu prazerosamente cumprindo minha obrigação de compartilhar o relato da viagem que fiz em abril deste ano. Digo “obrigação” mesmo, porque me sinto moralmente obrigado a ajudar o mínimo que seja no planejamento da viagem dos próximos mochileiros, uma vez que 99%, se não 199%, se não 27.569%, se não 6,02x10²³% (aulas de química? alguém lembra? hehedeusmelivrehehe) do meu planejamento se devem aos relatos e informações presentes aqui neste fórum. Por isso, já vou logo deixando o meu MUITO OBRIGADO, CAMBADA!!!

 

Antes de mais nada, devo informar que este relato será cheio de texto, informações e fotos (muitas fotos). Portanto, praquela galera menos paciente que gosta de ir direto ao assunto, farei, ao final, uma versão resumida com as principais informações, belê?

 

O ROTEIRO:

 

O roteiro já é um clássico aqui no mochileiros. A chegada por Santa Cruz de la Sierra, seguindo pra Uyuni, depois Atacama, subindo pro Peru e fechando a volta até La Paz é um bom caminho para irmos nos aclimatando gradativamente. Muitos optam pelo caminho inverso e sofrem muito com a brusca mudança de altitude ao chegar em La Paz.

 

mapa_roteiro_bolivia_chile_peru.jpg.1842a58fc66de38e4112b07ef866ea59.jpg

 

  • 01/04 Vitória x São Paulo x Santa Cruz de la Sierra x Sucre
    02/04 Sucre x Uyuni
    03/04 Salar de Uyuni
    04/04 Salar de Uyuni
    05/04 Salar de Uyuni
    05/04 San Pedro de Atacama
    06/04 San Pedro de Atacama
    07/04 San Pedro de Atacama x Arica
    08/04 Arica x Tacna x Arequipa
    09/04 Arequipa
    10/04 Cañon del Colca
    11/04 Cañon del Colca x Arequipa x Ica
    12/04 Huacachina
    13/04 Islas Ballestas + Paracas
    13/04 Ica x Cusco
    14/04 Cusco
    15/04 Cusco (Vale Sagrado)
    16/04 Cusco x Aguas Calientes
    17/04 Machu Picchu
    18/04 Aguas Calientes x Cusco x Puno
    19/04 Puno (Uros + Taquile)
    20/04 Puno x Copacabana
    21/04 Isla del Sol
    22/04 Isla del Sol x Copacabana x La Paz
    23/04 La Paz (Chacaltaya + Valle de la Luna)
    24/04 La Paz (Downhill)
    25/04 La Paz
    26/04 Santa Cruz de la Sierra x São Paulo

 

Quanto ao valor no título (1.600 dólares), ele se refere a PASSAGENS AÉREAS + TRANSPORTE + ALIMENTAÇÃO + HOSPEDAGENS + PASSEIOS durante esses 26 dias. Só não inclui aqui os gastos prévios que tive com vestuário, bota impermeável, mochilas, câmera e equipamentos fotográficos, passaporte, etc., porque isso varia muito de pessoa pra pessoa. E como o custo em reais depende muito do preço do dólar à época, decidi manter em dólar.

 

De toda forma, a quem interessar possa, ficam aqui algumas coisas que comprei:

 

- Bota Timberland Flume Mid Waterproof

http://www.centauro.com.br/bota-timberland-masculina-flume-mid-waterproof-777831.html

 

Pra quem quer investir numa bota impermeável, é uma ótima opção, além de ser esteticamente bonita. Pisei em diversas poças d'água, peguei chuva, e os pés continuaram secos. Ela é até confortável, mas isso não costuma ser a principal característica de botas de trekking, então não espere o conforto de um tênis. Foi o único sapato que usei durante toda a viagem (além do par de chinelos, claro).

 

- Blusa e calça segunda pele (1ª camada), fleece (2ª camada) e casaco corta-vento-e-chuva (3ª camada), money belt, saco de dormir (lençol), mochila, capa para mochila, meias, toalha de secagem rápida e mais uma porrada de coisas eu comprei na Decathlon. É o lugar mais completo e barato para se comprar essas coisas. Deixei uma grana boa por lá. Dá uma olhada no site e, se tiver uma loja perto de você, melhor ainda, dê uma passada lá.

http://www.decathlon.com.br/

 

- Câmera Nikon D5300 kit de lente 18-55mm VR II

http://www.nikon.com.br/Nikon-Products/Product/dslr-cameras/1522/D5300.html

 

- Lente Wide Angle Sigma 10-20mm f4-5.6

https://www.detonashop.com.br/lente-grande-angular-sigma-10-20mm-f-4-5-6-ex-dc-hsm-para-nikon.html

 

- Tripé, filtro polarizador, disparador remoto, etc. eu comprei pelo Mercado Livre.

 

SOBRE AS MOCHILAS...

 

Usei uma Forclaz 50L Quechua...

http://www.decathlon.com.br/montanha-aventura/mochilas-38170/mochila-trecking/mochila-forclaz-50-litros-quechua_167478

 

E uma Targus Spruce EcoSmart de mochila de ataque.

http://targus.com/us/15_6-spruce-ecosmart-backpack-tbb013us

 

Essa da Targus eu já tinha há bastante tempo. É uma mochila mais voltada para notebook, mas como eu não queria gastar com uma mochila de ataque, optei por essa mesmo. Foi nela que carreguei meus equipamentos fotográficos durante todo o tempo.

 

Obs.: É MUITO importante uma mochila de ataque (mochila de menor tamanho) nesse tipo de viagem. Isso evita carregar peso desnecessário em diversos momentos. Não deixe de levar uma.

 

Quanto à mochila de 50L, muitos me questionaram se não era pequena demais pra 26 dias. Minha resposta é: depende. Se você não quiser lavar muita roupa, tem que levar uma maior. Agora, se você busca praticidade, 50L bastam. Levei roupa pra uma semana, mais ou menos, e usava o serviço das lavanderias sempre que necessário. É barato e você acha fácil em qualquer lugar por onde passa.

 

Aqui vai uma relação completa do que levei nessa viagem:

  • 7 camisetas
    1 camisa manga longa segunda pele (1ª camada)
    1 calça segunda pele (1ª camada)
    1 casaco fleece (2ª camada)
    1 casaco impermeável (3ª camada)
    1 calça-bermuda
    3 bermudas
    8 cuecas
    6 pares de meias grossas cano alto
    1 toca
    1 par de luvas
    1 toalha microfibra (secagem rápida)
    1 saco-lençol de dormir
    1 money belt (doleira)
    1 relógio
    1 sabonete
    1 shampoo médio
    1 protetor solar grande
    1 protetor labial
    1 repelente
    2 cadeados
    1 escova de dentes
    1 creme dental
    1 barbeador elétrico
    1 desodorante aerossol
    1 perfume
    1 cortador de unhas
    1 canivete suíço
    1 kit remédios (enjoo, dormir, dores e gripe)
    1 bepantol creme
    1 par de óculos de sol
    1 pacote de lenços umedecidos
    1 celular
    1 carregador
    1 par de fones de ouvido
    1 máquina fotográfica
    1 lente 18-55mm
    1 lente 10-20mm
    2 cartões de memória 32GB
    1 tripé grande
    1 mini-tripé
    1 kit limpeza para câmera
    1 caneta
    1 bloco de anotações
    1 capa de chuva para a mochila
    1 pasta plástica para documentos
    1 carteira com Identidade e Cartão de Crédito Internacional

 

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NA PASTA DE DOCUMENTOS:

  • Cartões de embarque
    Ingresso de Machu Picchu + Huaynapicchu
    Cartão internacional de vacina (ANVISA)
    Certificado do Seguro Viagem
    Nota fiscal dos equipamentos fotográficos
    Todos, eu disse TODOS os papeis que você receber durante a viagem

 

É importante levarmos uma pasta para documentos. Levei uma dessas de plástico maleável, que permite dobrar ao meio e guardar facilmente na mochila. É ali que você vai carregar muita coisa importante, como:

 

- Cartões de embarque: Guarde-os sempre, mesmo quando já tiver realizado o voo. Nunca se sabe.

 

- Ingresso para Machu Picchu: Compramos pelo site oficial, e não por agências. Tentamos com o meu cartão e não consegui, mesmo com a liberação da VISA para compras internacionais. Tentamos com o cartão da minha cunhada, e deu certo. A dúvida então seria quanto à exigência de que o titular do cartão seja um dos que ingressarão no parque. Levamos cópia do cartão e da identidade dela, com medo de sermos barrado na entrada. Quando chegamos lá, nem olharam pra nossa cara direito. Olharam o ingresso, carimbaram a entrada e pronto.

 

- Cartão Internacional de Vacina: A vacina contra febre-amarela, por lei, é obrigatória para ingressar na Bolívia. Se você já tomou essa vacina nos últimos 10 anos, basta ir direto a um posto da ANVISA retirar o seu Certificado Internacional. No meu caso, precisei tomar de novo, porque já não tinha mais a minha carteirinha. Fui a um posto de saúde e me vacinaram na hora. Verifique antes os dias e horários de vacinação do seu posto, pois eles costumam destinar um período específico da semana pra certos tipos de vacina. Depois de vacinado, fui à ANVISA (já tendo feito previamente o cadastro no site deles, que eles pedem mais pra adiantar o atendimento) e lá emitiram o Cartão Internacional de Vacina. Aí você me pergunta, em algum momento pela Bolívia as autoridades nos cobraram este Cartão? A resposta é NÃO, como você pode ler em todos os relatos aqui do fórum. Massss, lei é lei, e você não quer dar sorte ao azar numa viagem dessas, certo? Pois é.

 

- Certificado do Seguro Viagem: Faça um Seguro Viagem. Não chore miséria e nem cogite não fazer numa viagem desse tipo. Eu fiz e foi o que me salvou, pois precisei acioná-lo. É um valor relativamente pequeno (menos de R$200) perto da segurança que é contar com o amparo médico em terras estranhas. Há relatos de pessoas que gastaram fortunas com hospitais por não terem feito o Seguro, portanto não dê essa bobeira. Eu fiz pela Mondial Travel, apenas porque foi o que mais li nas indicações aqui no fórum. Faça sua pesquisa e escolha a empresa que achar melhor, mas não deixe de se assegurar.

 

- Notas fiscais de equipamentos eletrônicos: É uma forma de comprovar que você os comprou no Brasil ou em outro local cujos impostos já foram devidamente pagos. Eu não quis arriscar e levei as notas dos equipamentos fotográficos que estava carregando. Se você estiver levando notebook, máquinas de maior valor e afins, não custa nada levar as notas, caso ainda as tenha. Não ocupa espaço e te dá mais tranquilidade. Mas eu precisei usar? Não. Nem mesmo na declaração aduaneira eu precisei registrar, porque era considerado “uso turístico”. Então é quase uma questão opcional, vai de cada um.

 

- Todos os papeis que você receber: Guarde TODOS. Muitos deles você irá precisar quando estiver retornando ou saindo daquele país, e perde-los é uma dor de cabeça que você quer evitar. Nós já aproveitamos a pastinha pra ir guardando tudo, de documentos de imigração até recibo carimbado de passeio. Sem falar que é a melhor forma de você se recordar dos lugares que visitou, os nomes, a ordem das coisas que viu, etc.

 

NO MONEY BELT:

  • Dólares
    Reais
    Passaporte
    Chave reserva do cadeado

 

O uso do money belt (uma espécie de cinto onde se guarda documentos e dinheiro e que se usa por baixo da roupa) é altamente recomendável. Deixar essas coisas na mochila pode ser muito arriscado, porque o principal problema do turismo são os altos índices de furto. Mantenha seu dinheiro e o seu passaporte com você o tempo todo, e só tire para tomar banho. Durante o único e pequeno momento em que nos afastamos do nosso money belt na viagem, deu merda. Então não se arrisquem.

 

Ah, outra dica é não deixar o cartão de crédito junto com o dinheiro e o passaporte. Por segurança, é melhor que ele esteja em um local separado. Se você for furtado ou perder seu money belt, terá o cartão para emergência. No nosso caso, deixávamos o dinheiro e o passaporte no money belt e o cartão de crédito guardado na mochila. O mesmo vale para as chaves do cadeado. Mantenha a chave reserva guardada em um local separado.

 

PREPARATIVOS PARA A VIAGEM:

 

Bom, a preparação pra essa viagem começou lá em agosto de 2014, mais ou menos. Quando digo “preparação” leia-se “- Bora viajar pela América do Sul ano que vem? - Bora! - Então fechou!”. De lá pra cá, muita pesquisa, muito rabisco, muita mudança de planos e muito obstáculo. Isso é normal, não se assustem. Se querem atingir o grande objetivo de viajar pelo mundo, estejam preparados para enfrentar de tudo um pouco.

 

As únicas coisas que compramos com antecedência foram as passagens aéreas BRA x BOL, o aéreo Santa Cruz x Sucre, o Seguro Viagem e os ingressos para Machu Picchu + Huaynapicchu, pois, se você deseja subir este último, é necessário comprar com meses de antecedência (a subida ao Huaynapicchu é limitada a dois grupos de 200 turistas por dia). Pegamos uma promoção da GOL e pagamos R$ 574,77 no trecho ida e volta SP/Guarulhos (GRU) x (VVI) Santa Cruz de la Sierra/Viru-Viru (fiquem atentos aos grandes feirões de promoção que costumam acontecer a cada dois meses em média). O trecho VVI x SRE/Sucre optamos por fazer de avião, e pagamos US$ 55. Já o Seguro Viagem, pagamos R$ 140 para cobertura Mochilão / 26 dias / Bolívia, Chile e Peru.

 

Tudo ia dando certo, dinheirinho na poupança todo mês, 13º dando aquele help, planejamento seguindo nos conformes. Masssss a calmaria antecede a tempestade, meus jovens. E foi só chegar nos últimos dois meses antes da viagem que o Universo começou a dizer “Tá achando que vai ser fácil assim, cara pálida? Negativo”.

 

Pra começar, o dólar, que já não parava de subir, decidiu entrar num foguete e decolar rumo à estratosfera. E como só compraríamos os dólares na véspera da viagem... nos F*DEMOS bonito. Só em março foi um aumento de R$ 0,35 (trinta e cinco f*cking centavos). E isso só nos deixou com duas opções: injetar mais dinheiro pra compensar a subida ou economizar ainda mais pra compensar a queda. Acabamos optando por um pouco de cada.

 

Ok, alta do dólar devidamente “digerida”, seguíamos com os preparativos finais. Mas aí o Universo deu aquela risada de deboche e disse “Pensam que acabou? Então peraí...”, e resolveu mandar o que parecia ser algo bem simples tipo O FIM DO MUNDO:

 

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Vulcões em erupção no Chile. “-Beleza, acontece.”

Dilúvio no Atacama. “-Oi??? Dilúvio na p*rra do deserto mais seco do mundo?!”

Terremoto de 5,8 com alerta de tsunami. “-Véi, na boa...”

Crise política se agrava no Peru. “-MAIS GRAVE VAI FICAR QUANDO EU CHEGAR AÍ!!!1”

 

Sacomé, a gente é mochileiro, e mochileiro brasileiro não desiste nunca. Ignoramos todo o caos, a zica e as 14 velas acesas por nossas mães e partimos rumo ao Apocalipse. Afinal, se é pra curtir o fim do mundo, que pelo menos seja de mochila nas costas batendo perna por aí, né não?

 

PRÓXIMO CAPÍTULO: Partiu Mochilão!!! Santa Cruz de la Sierra, Sucre e... o mal da altitude. ::dãã2::

Editado por rodrigovix

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Rodrigo demaisssss seu relato!!! Tb estou adorando!!!

 

Tenho uma dúvida.... tem o passeio dos gleisers no atacama e no uyuni tb? São iguais? Vou fazer atacama e uyuni depois... Posso deixar esse passeio + as termas só para o uyuni?

 

Valeuuu!

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Rodrigo demaisssss seu relato!!! Tb estou adorando!!!

 

Tenho uma dúvida.... tem o passeio dos gleisers no atacama e no uyuni tb? São iguais? Vou fazer atacama e uyuni depois... Posso deixar esse passeio + as termas só para o uyuni?

 

Valeuuu!

 

Ei, Cintia. Valeu :D

 

Então, são passeios/locais diferentes. Eu não conheci os Geisers del Tatio (Atacama), não tive interesse (nem tempo e nem grana hehe) mas a maioria que vai lá costuma gostar. O de Uyuni eu achei bem legal. Seria interessante alguém que foi em ambos te dar essa dica se vale ou não a pena.

 

De toda forma, o de Uyuni você irá inevitavelmente conhecer. Será uma das primeiras "atrações" do seu tour, já que fará a rota no sentido SPA x Uyuni.

 

Espero ter ajudado. Abraço!

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Muito legal.

Foda essas histórias!!!

Vou fazer a minha também. Nunca saí do Brasil.

Em breve vou sair !

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Capítulo 12: Dois dias de calotes, perrengues e superação pelo magnífico Cañon del Colca. [1ª Parte]

 

10/04/15

 

Ainda estava escuro quando levantamos, terminamos de arrumar nossas coisas e fomos para o pátio do hostel aguardar a van que passaria ali para nos pegar. Logo vieram alguns gringos que também esperavam por seus passeios. Não demorou muito e uma moça surgiu chamando por nossos nomes, e lá fomos nós pra van.

 

O trajeto até a entrada do parque do Cañon del Colca levaria algumas horas, e, enquanto isso, aproveitamos pra tirar um cochilo. Ou ao menos tentar. Sentei na janela da van e a parte do meu corpo que ficava encostada nela quase congelou de tanto frio que fazia lá fora.

 

Quando avistamos as placas de chegada ao local de entrada, nossa van parou. O guia nos disse que era ali que pagávamos a taxa de ingresso ao parque, 40 soles para sul americanos e, se não me engano, 70 para os demais estrangeiros. Como nós já havíamos pagado todas as taxas na agência, não precisávamos nos preocupar.

 

Mas foi aí que minha intuição me deu um soco na boca do estômago.

 

Por algum motivo achei que aquilo estava com cara de que ia dar merda. Fui até o guia, aqueles peruanos metidos a gostosão-pegador-espertão-"O" cara, e perguntei, já prevendo a resposta:

 

[início de portunhol]"Nosso ticket devemos pegar com você? Pois já deixamos tudo pago na agência."[/fim de portunhol]

 

Ele olhou com uma cara de completa e total indiferença e disse "Não nos passaram nada."

 

Na hora veio aquela sensação de estar fazendo o típico papel de gringo idiota passado pra trás. É claro que iria dar merda. É claro que não haveria organização nenhuma. É claro que não deveríamos ter pagado tudo de uma vez na agência. Esses passeios, todos eles, são sempre terceirizados. Era a situação perfeita pra dar errado.

 

Por sorte, mas por MUITA sorte, nós levamos um dinheiro extra, porque a ideia era não levar nada além de uns trocados. Foi a salvação para ir lá fora e comprar duas entradas. Na volta, eu questionei o guia, mostrei o boleto, onde estava nitidamente marcado tudo o que já estava incluso, e ele disse que não poderia fazer nada, porque não foi passado nada pra ele. E que, no máximo, pediria a um outro guia, mais a frente, pra tentar ligar pra minha agência e falar com eles pra trazerem o nosso dinheiro. Olha só... completo descaso.

 

Ali o meu dia já tinha acabado antes mesmo de começar. Fiquei num mal humor completo. Mas depois me toquei de que o que não tem remédio, remediado está, e que era melhor deixar aquilo para ser resolvido depois do que estragar meu passeio. Então engoli toda a raiva e seguimos em frente.

 

Nossa primeira parada foi em Chivay, um vilarejo onde tivemos nosso café da manhã. Se é que aquilo pode ser chamado de café da manhã: pão seco, umas milhos torrados e café solúvel. Mas era o que tinha, então melhor forrar o bucho. Logo seguimos viagem para a próxima parada, essa sim mais aguardada: o mirante da "Cruz del Condor", onde seria possível ver o famoso voo dos condores.

 

21254823833_a6e9514a66_k.jpg01_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Um dos mirantes para se observar o voo dos condores.

 

21863957922_a552ca0199_k.jpg02_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Cruz del Condor.

 

E demos sorte, porque os bichos estavam lá, dando seu show. Dizem que os locais jogam carniça nos arredores para que os condores estejam sempre por ali perto dos turistas. Se é verdade, eu não sei, só sei que o grupo que chegou meia hora depois da gente não conseguiu ver mais nada. A verdade é que nem achei lááááá grandes coisas assim. É como ver urubus gigantes voando pra lá e pra cá. O legal é o fato de ser uma das maiores aves do mundo (a segunda maior, se não me engano) e uma grande atração turística, mas, tirando isso, não vi nada demais. Talvez outros se divirtam mais.

 

21688058158_050e0c6338_b.jpg03_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

O voo dos Condores. Tipo urubus gigantes.

 

O que me impressionava mesmo era outra coisa. O protagonista daquele show todo não era o condor. Era o magnífico Cañon del Colca. Que imensidão linda, viva, profunda. Põe profunda nisso.

 

Por muito tempo o Cañon del Colca foi considerado o canyon mais profundo do mundo - ficando em terceiro lugar após o avanço tecnológico e a medição mais precisa dos diversos canyons no mundo. Mas ainda é o mais profundo das américas, mais até que o Grand Canyon, nos EUA.

 

21688057028_141cbd2466_k.jpg04_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Cañon del Colca.

 

21687821280_8ef91b2e94_k.jpg05_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Cañon del Colca.

 

Agora, o mais louco de tudo aquilo era pensar... eu vou DESCER E SUBIR ANDANDO ISSO TUDO AÍ??!! hahaha Na hora bateu uma mistura de desespero, expectativa, adrenalina e empolgação. Mal sabia eu dos perrengues que estavam a minha espera rs.

 

Depois de quase uma hora no mirante, voltamos pra van e seguimos por uns 10 minutos para Cabanaconde, local de onde partiria nosso trekking. Lá, nosso guia disse que nos dividiríamos em dois grupos: um grupo ficaria com ele, e outro com a guia que estava chegando, pois só era permitido 8 pessoas por guia, se não me engano.

 

Para nossa sorte, ficamos no outro grupo. Então chegou nossa guia, e já posso adiantar a vocês que foi uma das pessoas mais incríveis e simpáticas que conhecemos nessa viagem. Rose Angie é o nome dela. Que espanhol bem falado, paciente, admiradora do Brasil, ficou nossa amiga tão logo falamos de onde éramos. Disse que seu sonho é conhecer o Brasil, e que irá nos visitar quando vier. Tremenda conhecedora do Cañon, nos explicava tudo, e muito, muito bem disposta. Ah, um detalhe: ela tinha ACABADO de subir o Canyon com um grupo e já estava iniciando uma nova descida conosco. Haja preparo físico!!!

 

Dadas as instruções, seguimos nosso trekking. A primeira etapa seria uma descida em zig zag de aproximadamente 2h30 até uma ponte que passava sobre um rio que ali de cima mais parecia um córrego, de tão fino. Falando assim, parecia tranquila essa descida. Mas, meus amigos... preparem seus joelhos. Eles são bem castigados, pois é o tempo todo travando o peso do corpo e pisando em cascalhos e pedras escorregadias por caminhos muitas vezes bem estreitos, com alguns penhascos de vizinhança.

 

Mas sabe o que compensa? O visual.

 

21849715376_146510e285_k.jpg06_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Simbora que tem muito chão, meu povo.

 

21875862275_ecb2eba17c_k.jpg07_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Trilhas estreitas.

 

21875847065_3d9b830082_k.jpg09_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Eu disse BEM estreitas.

 

21687799670_7a3158b4ce_k.jpg08_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

E se cair acho que machuca um pouco.

 

21688012698_c9d175d745_k.jpg10_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Pausa no Rio Colca.

 

Depois de chegar à ponte, pudemos descansar alguns minutos enquanto o restante do grupo chegava também. Foi o tempo de tirar a bota, massagear um pouco os pés, tomar mais água e comer uma fruta. Quando o grupo se reuniu, seguimos adiante. Agora a guia nos falou que seria um trecho de mais ou menos 30 minutos, porém cansativo, porque era subida.

 

Eu vou falar uma coisa pra vocês... descer o canyon todo foi como brincar no parque perto dessa subidinha de meia hora. Se pra descer seus joelhos reclamam, pra subir você faz muito esforço físico. E como ninguém queria parar muito pra poder chegar logo ao local do almoço, tava rolando aquela taquicardia básica hehe. Ô subidinha do satanás.

 

Chegamos a San Juan de Chuccho, um simpático vilarejo (lê-se uma meia dúzia de casinha junta) onde nos foi servido o almoço. Estava gostoso, e aproveitamos pra repor nosso estoque de água. Pagamos 12 soles (DOZE FUCKING SOLES) numa garrafa d'água, mas depois entendemos os motivos. Os mantimentos ali são caros porque o acesso é extremamente difícil, então geralmente vem tudo em cima de mulas.

 

Depois do almoço, demos uma esticadinha na grama pra tirar um cochilo de meia hora e repor as energias. Nessa hora eu fiquei olhando praquele paredão imenso que tínhamos descido e pensei "Amanhã teremos que subir essa coisa toda? Ok, onde que eu aperto o botão de chamar o helicóptero?". Mas não adiantava chorar, o jeito era seguir em frente. Depois daqueles 30 minutos terem passado mais rápido que download japonês, seguimos pelo último trecho até o oásis.

 

21885464831_3ef9207dc7_k.jpg11_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

E o pensamento era só "Tô f*dido pra subir isso depois!".

 

No meio do caminho, quase 1 hora depois, fizemos uma nova parada, e dessa vez pudemos comprar alguns mantimentos. Água (a nossa já tinha acabado), chocolates e biscoitos. Gastamos 30 soles ali. Aproveitamos para experimentar umas frutas típicas, como um cacto que tem gosto de mamão, bem gostoso.

 

Seguimos viagem rumo a nossa última parada do dia. Quando já conseguíamos avistar o Oasis Sangalle - Paraiso Las Palmeras Lodge, nome conhecido de um conjunto de pequenos "hotéis" bem no fundo do Cañon, o tempo começou a fechar. Apressamos o passo, e logo os primeiros pingos de chuva chegaram. A descida até o oasis estava bem escorregadia, cheia de lascas de pedras, então foi um desafio a mais.

 

21254751673_28fcef2040_k.jpg12_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Oásis Sangalle. O clima quase sempre tropical ali no fundo permitiu a existência desse oásis.

 

Chegamos vivos, isso é o que importa. Quando planejei essa viagem, ficava imaginando esse lugar naquele sol de rachar e a gente na piscina curtindo um merecido descanso. Mas a realidade foi um tempo nublado, vento forte e muita vontade de cair numa cama haha. Acha que desistimos da piscina? Na-na-ni-na-não! Já que estávamos ali, iríamos entrar. Demos um longo e extenso mergulho de 21 segundos e saímos correndo. Água gelada da porra, tá doido rs.

 

O lugar é bem bonitinho, isso é inegável. E como nós, brasileiros cheios da ginga, éramos best friends da guia, acabamos sendo "premiados". Ela nos disse "hoje é o dia de sorte de vocês" e nos deixou com a única suíte do lugar. Os demais ficaram em alojamentos de 3 camas cada e com banheiro externo. Ah, o lugar não tem eletricidade, só no restaurante.

 

21875821605_e07ffd5689_k.jpg13_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Quase um resort, dadas as condições locais.

 

Saca só o LUXO da suíte presidencial:

 

21875819145_a1178a7a68_k.jpg14_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Cenário do filme "O Exorcismo de Sangalle" hehe #brincadeiradeusmelivreguarde

 

Isso aí era 5 estrelas, meu povo. TINHA ATÉ BANHEIRO DENTRO. Um chuveiro de mangueira improvisada com água gelada, mas tinha. E foi banho no escuro mesmo. Sofrido, eu sei, mas eu precisava de um banho. E depois vimos que certamente tínhamos sido os únicos a se arriscar num banho. Sei lá, acho que é coisa de brasileiro, herança de índio. Sério... esses gringos não tomam banho nunca.

 

Aproveitamos pra tirar um cochilo rápido até a guia chegar e nos acordar pra irmos jantar. A janta estava bem gostosinha. Compramos uma coca-cola quente por 6 soles (lá não tinha geladeira) e depois fomos dormir de novo.

 

E o outro dia, vocês me perguntam? Sabe aquilo tudo que nós levamos o dia todo pra descer? Pois é, teríamos que SUBIR em umas 3 horas. E sabe que horas iríamos começar a subida? 5 DA MATINA, com lanternas e tudo mais.

 

Pois é, meus jovens... Vou encerrar esse capítulo por aqui porque ficou extenso demais, mas até o final de semana eu posto a continuação.

 

Ah, uma última observação. Vocês devem estar se perguntando o que ficou resolvido daquela confusão do dinheiro pago à agência e que não foi repassado aos guias, certo?

 

Pois bem, a Angie entrou em contato com eles e só nos disse assim "Situação resolvida. Amanhã eu devolvo o dinheiro que vocês pagaram na entrada e pago também a entrada nas aguas termales".

 

Ufa. Parece então que todos os problemas haviam se resolvido.

 

Pois é... Nem todos.

 

SALDO DO DIA:

s/40 entrada no parque (valor devolvido, vou desconsiderar da conta)

s/12 água

s/30 água, biscoitos e chocolates.

TOTAL: s/42 (US$ 13)

 

Próximo capítulo: Continuação...

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Rodrigo, fazendo o passeio ao cañon de um dia só (porque não tenho cardio para essa trilha aí não hahahah). Tens uma idéia de que horas chega de volta a Arequipa?

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Capítulo 12: Dois dias de calotes, perrengues e superação pelo magnífico Cañon del Colca. [2ª Parte]

 

11/04/15

 

Quando o celular despertou e eu acordei, tive uma daquelas sensações únicas, típicas de quando você acorda meio desnorteado: eu não sabia onde estava. Por alguns segundos, meu cérebro trabalhou para me situar, até que a ficha caiu. Eu estava em outro país, numa cabana, de madrugada, sem energia elétrica, no fundo de um dos maiores canyons do planeta. Todos os passeios, fotos e pontos turísticos são incríveis, claro, mas são esses pequenos momentos que ficam marcados em você de uma forma mágica e faz a gente entender porque viajar é um dos maiores bens que podemos fazer a nós mesmos.

 

Meu cérebro me lembrou de outra coisa, também, e essa não foi tão animadora. Havia um p*ta paredão estilo joão-e-o-pé-de-feijão pra subir, e, dado nosso ainda persistente esgotamento físico, isso não seria fácil. Mas desânimo definitivamente não estava em nossos planos, e lá fomos nós nos encontrar com o resto do pessoal, prontos para mais uma batalha. Nos reunimos às 5h, e às 5h15 demos início à caminhada.

 

Se eu for descrever em detalhes toda a subida, o capítulo teria que terminar aqui, de tão grande que seria. Então vou tentar resumir dizendo apenas que subir o Cañon del Colca foi uma das experiências mais desafiadoras da minha vida. É um esforço tremendo, e são horas de caminhada. Por conta do cansaço, exponenciado pelos efeitos da altitude (oxigênio sempre mais escasso por essas bandas), chega a um determinado momento que são 10 passos pra 2 minutos de descanso. E a gente olhava pra cima e via aquele paredão imenso com pequenos micro pontos se locomovendo lá no alto, que seriam pessoas de grupos que saíram antes, no caso. Teve um momento que eu quase sentei e chorei, literalmente, de tão cansado. Olha, eu não sou fresco, muito pelo contrário. Faço exercícios regularmente, adoro esportes e aventuras radicais. Mas vou dizer uma coisa pra vocês, porque não li isso em relato nenhum: o trekking NÃO É SIMPLES como fazem parecer. Eu prometi pra mim mesmo que deixaria isso muito claro no meu relato. Depois da tarefa concluída, a sensação de conquista toma conta e a gente tende a relevar os perrengues que passamos, mas, acreditem, é puxado. Requer um mínimo de preparo e determinação.

 

Pulando a parte da subida sofrida, muita falta de ar e cada gota de água sendo disputada no instinto de sobrevivência (haha exagerei), CHEGAMOS. FOI A MELHOR SENSAÇÃO DO MUNDO. Todo mundo se abraça, bate palma, grita, chora, se cumprimenta... Todo aquele esforço acabou e você CONQUISTOU o desafio. Sério, é muito bom.

 

Aí você me pergunta... Vale a pena o esforço: SIM, VALE. Se você estiver disposto a encarar o desafio, a conclusão é muito gratificante. É, sem dúvidas, uma experiência que você contará aos seus netos e bisnetos.

 

21728561809_96d5fb9986_k.jpg16_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Galera guerreira, só não mais que esse cão alienígena que subia e descia o Canyon o dia todo.

 

Nosso grupo era formado por umas meninas espanholas, um canadense, um francês e um outro espanhol. Todos foram na raça e subiram tudo pelos próprios pés. Uns caras espanhóis que estavam em outras cabanas do oásis não tiveram a mesma disposição, e alugaram mulas para auxiliar na subida. É uma prática comum, se não me engano você paga 60 soles (não sei o valor ao certo) e sobe em 1h30 no lombo delas. Eu acho arriscado - além de menos honrável. E há um histórico desse risco. Em 2012, uma estudante brasileira que subia de mula morreu após o animal se desequilibrar na trilha e despencar no penhasco. Ela estava a poucos minutos de completar a subida. Há uma cruz no local em sua memória.

 

21889285576_4f24ae7da0_k.jpg15_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Local onde a brasileira sofreu uma queda fatal, em 2012.

 

Quando achamos que a moleza tinha acabado 100%, nossa guia nos avisa que teríamos que andar mais 15 minutos até o vilarejo de Cabanaconde, local onde seria servido nosso café da manhã. Todos fizeram um "ahhhhh" generalizado de desânimo haha, mas ela disse que seria um caminho mais plano. Assim acreditamos e, apesar de ser realmente plano, havia umas pequenas subidinhas (coisa pouca), mas que, dado o nosso esgotamento físico e o pavor da palavra "subida", eram realizadas como se estivéssemos escalando o Everest.

 

Mas a paisagem recompensava.

 

21727366120_72d139846a_k.jpg17_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Caminho até Cabanaconde.

 

Quando chegamos ao local e pudemos relaxar nas cadeiras e tomar o nosso café, foi demais. Parecia o melhor café do mundo. Sabíamos que dali em diante iriamos de van, então já tava todo mundo jogado no chão, descalço, tomando chá e rindo de alívio. Missão dada é missão cumprida!

 

Seguimos viagem e, no caminho, paramos no vilarejo de Maca, onde pudemos conhecer uma igreja colonial e uma feirinha de artesanato. Aproveitei pra fazer uma amizade nova, um falcão domesticado que depois fui descobrir que é bem famoso por essas bandas (até meu tio tem uma foto com ele de anos atrás rs).

 

21727574258_ae4002005e_k.jpg18_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Olha que coisa mais linda! O falcão também. ::hãã2::

 

Nossa próxima parada foi nas Aguas Termales. Um local à margem do Rio Colca com umas piscinas artificiais aquecidas (uns 38ºC), perfeitas para dar aquela relaxada no corpo após tanto esforço. Pagamos os 15 soles na entrada e ficamos lá por cerca de uma hora. Foi bom pra relaxar e poder, enfim, tomar um banho de verdade (no local há diversos vestiários individuais).

 

21925122901_e1db3725e3_k.jpg19_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Aguas Termales.

 

Seguimos com a van rumo a Chivay, onde faríamos nosso almoço. A comida estava gostosa, e eu tirei a barriga da miséria, pra compensar o valor de 28 soles (buffet liberado) + 7 soles pagos pelo refrigerante de 1 litro. Havia opção de prato feito por 25 soles, mas achei que não compensava a economia.

 

21727563068_5e0938deca_k.jpg20_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Hora do rango!

 

Por volta das 14h30, seguimos viagem de volta a Arequipa. No meio do caminho, passamos por uma região chamada Patapampa, e nosso motorista de repente parou. O guia vira pra gente e diz "Está nevando. Alguém quer sair?". Todos fizeram aquela cara de indiferença tipicamente europeia como quem diz "Por que sairíamos nesse frio da porra pra ver neve? Que coisa sem graça", e devem ter se espantado com a reação dos únicos dois brasileiros da van - nós, no caso: "NEVE??? ONDE?? EU QUERO EU QUERO EU QUERO!" hahaha.

 

E lá foram os brasileiros que nunca tinham presenciado neve caindo antes (pelo menos nunca assim, NEVANDO de fato), e foi aquela "passação de vergonha" tradicional. Estava bem fraquinha, parecia isopor ralado, mas não importa, era neve, e a gente não deixaria aquela oportunidade passar nunca.

 

21915382275_d4abfa74c5_k.jpg21_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Congelando, mas feliz hehe.

 

Antes que nos largassem pra trás, voltamos pra van e seguimos viagem. Havia mais uma parada programada, e tão logo avistamos algumas lhamas (agora sim houve comoção e empolgação geral da gringaiada), paramos para vê-las. Estávamos na "Reserva Nacional de Salinas y Aguada Blanca".

 

21925103751_1a13653045_k.jpg22_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Lhamas na Reserva Nacional.

 

21292644814_46f21a4bea_k.jpg23_canon_del_colca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Ei, psiu, olha pra foto!

 

Por fim, seguimos para Arequipa, agora sem mais paradas. Chegamos à cidade por volta das 16h30. Como nosso ônibus pra Ica sairia às 19h, e o cara da agência disse que nos levaria até a rodoviária às 18h, decidimos agilizar umas coisas no tempo que tínhamos. Pegamos nossos mochilões que havíamos deixado na sala de bagagens do hostel e fomos cambiar mais uns dólares, pois já sabíamos (pelos relatos) que as cotações em Huacachina e Cusco não seriam melhores que em Arequipa (e, de fato, não eram). Então calculamos mais ou menos o que iriamos precisar e trocamos tudo de uma vez.

 

Aproveitamos para pegar mais 2kg de roupa que havíamos deixado na lavanderia (3 soles cada), passamos no supermercado pra comprar alguns mantimentos (biscoito, água, higiene pessoal: 8 soles cada), e fomos fazer um lanche rápido antes de voltar pra agência. Pegamos uma promoção de 14 soles o menu completo no burger king, todo duplicado (dois hamburgers, duas batatas e dois refrigerantes). Deu pra encher a pança hehe.

 

Uma última admirada da belíssima Plaza de Armas antes de deixarmos Arequipa para trás em nosso roteiro.

 

21727316100_0b507aa0a1_k.jpg24_arequipa by Rodrigo Alcure, no Flickr

Adeus, Arequipa. Até quem sabe um dia.

 

Sabe todos os perrengues e problemas pelos quais passamos nos últimos 2 dias? Então, achávamos que tinha acabado, mas não. Fomos à agência para, finalmente, fazer nossa reclamação com a péssima e irresponsável situação que eles nos colocaram, e aguardar o cara para nos levar ao terminal de buses, como combinado. Para nossa - não tão grande - surpresa, o filho da p*ta já nem lá estava mais, tinha ido embora mais cedo, e a mulher que estava lá ficava com cara de sonsa pra gente só dizendo "pedimos desculpas" e fingindo que tentava ligar pro cara.

 

Infelizmente, a foto da fachada da agência ficou no celular de Antenor, que acabou sendo perdida. Senão eu mostraria aqui pra vocês para que nunca ninguém pisasse lá. Mas, se serve de alerta, o recibo que eles dão é verde e tava escrito Magic Mountain, e o endereço é Portal San Agustin, 123 - Cercado - Arequipa - Peru. Fica ali na Plaza de Armas, junto com varias outras agências, uma do lado da outra. Se com essas informações conseguirem identificá-la, VAZEM DE LÁ que esse tipo de gente irresponsável não merece um centavo nosso. Fica a dica.

 

Pegamos um táxi por conta própria e fomos para o terminal de buses. Pagamos 5 soles cada. Quando chegamos lá, aconteceu algo muito legal. Lembram da Nina e do Lukka, aqueles eslovenhos que estavam conosco no tour de Uyuni? Então, demos de cara com eles na entrada do terminal. Meuuuu, pensa numa festa. Nessas viagens, quando você faz uma amizade, é quase como se fosse irmão. Todo mundo se abraçou e comemorou o reencontro. E o melhor, iríamos para o mesmo lugar: Huacachina. Pegaríamos o mesmo ônibus, inclusive - só que eles iriam no andar de cima (semi-cama) e a gente no de baixo (bus-cama).

 

Trocamos o voucher das passagens no guichê da Cruz del Sur e ficamos aguardando numa área reservada da empresa. Quando deu a hora marcada, embarcamos. Sério, essa empresa é muito top, é considerada a melhor do Peru. E como nós combinamos que todas as viagens noturnas seriam feitas no melhor conforto disponível, pra podermos dormir e descansar bem, viajamos sempre no bus-cama deles.

 

Saca só o conforto: poltronas largas de couro, inclinação 160º, apoio para os pés, monitor com diversos filmes e músicas disponíveis, e até comissária de bordo pra nos servir as refeições rs.

 

21292627324_5b81fc92e1_k.jpg25_cruz_del_sur by Rodrigo Alcure, no Flickr

Só achei um absurdo não servirem champagne e profiteroles! Tsc, tsc, tsc.

 

21728490019_595ded231c_k.jpg26_cruz_del_sur by Rodrigo Alcure, no Flickr

Jantar.

 

O ônibus partiu sem atraso. A viagem para Ica levaria cerca de 10 horas. O próximo destino seria o fantástico oásis de Huacachina, que decidi incluir no meu roteiro depois que vi umas fotos pela internet.

 

Esse sim era um daqueles oásis de filme, no meio do deserto. E já posso adiantar pra vocês... valeu cada dia gasto. O lugar é S-U-R-R-E-A-L.

 

SALDO DO DIA:

s/15 banho aguas termales (não vou incluir porque foi reembolsado)

s/28 buffet almoço em Chivay

s/7 refrigerante 1L

s/3 roupas lavanderia

s/8 água, biscoito, etc (supermercado)

s/14 lanche no Burger King

s/5 táxi para o terminal de buses

TOTAL: s/65 (US$ 19)

 

Próximo capítulo: Oásis são reais! Um dia de muita diversão pelas dunas de Huacachina.

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Rodrigo, fazendo o passeio ao cañon de um dia só (porque não tenho cardio para essa trilha aí não hahahah). Tens uma idéia de que horas chega de volta a Arequipa?

 

Acredito que chegue por volta de 17h30, Frann. Tenho quase certeza. Mas seria legal se alguém que já fez o tour de 1 dia confirmasse pra gente.

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Rodrigo, lindo o cañon!!!!

 

Quase perco meu $$ rsrs O passeio de dois dias não é pra mim, vou fazer o de 1 dia!

 

Parabéns pelos relatos, sempre ótimos!

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Rodrigo vc descreveu exatamente como é de fato esse trekking. Muuuito puxado.

Nunca tinha lido nenhum relato de como é realmente. Mas pra mim foi surreal. ::dãã2::ãã2::'>

Eu estava com um bom preparo físico, mas mesmo assim não foi fácil. :( No meu grupo de maioria espanhol, todos acostumados a fazer trekking também não foi diferente. Todos sentiram a dificuldade da subida. Na noite do segundo dia já de volta a Arequipa minhas pernas estavam destroçadas.

 

Fiz Salkantay 5 dias/4 noites pra ir a Machu Picchu e foi muito mais tranquilo. Não fiquei dolorido nenhum dia. E era quase sempre o primeiro a chegar nos acampamentos, pois puxava o bonde. Mas o Canion é surreal. Aquela subida é desafiadora. Vc sobe aquilo com intenso trabalho cardiovascular e o pior, falta o ar.

 

No acampamento lá em Sangalle tinha só um escorpião em um dos quartos rsrsrs. E dos gringos que cruzei na viagem, me parece que apenas os espanhóis tem um hábito de higiene semelhante ao nosso e tomam banho. Ah e eu peguei essa neve rala no mesmo ponto da viagem. Acho que é brinde para brasileiros.

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