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Bora viajar?

Bolívia + Chile + Peru (26 dias - abril/2015) TUDO por 1.600 dólares!

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Índice do Relato:

[Pag. 1] Capítulo 1: Preparativos para a viagem

[Pag. 1] Capítulo 2: Santa Cruz de la Sierra, Sucre e... o mal da altitude.

[Pag. 4] Capítulo 3: Enfim Uyuni! Três dias inesquecíveis.

[Pag. 6] Capítulo 4: Vulcões, desertos e as Lagunas Altiplânicas.

[Pag. 8] Capítulo 5: ¡Adiós, Uyuni! A beleza dos Geisers e o sofrimento dos -10ºC.

[Pag. 10] Capítulo 6: Os encantos de San Pedro de Atacama.

[Pag. 11] Capítulo 7: As Piedras Rojas, as Lagunas Altiplanicas e o Salar de Atacama.

[Pag. 12] Capítulo 8: O Salar de Tara e o adeus a Atacama.

[Pag. 15] Capítulo 9: De Arica para Tacna: cruzando a fronteira com o Peru.

[Pag. 16] Capítulo 10: Ô Maria esta suruba me excita... Arequipa! Arequipa! Arequipa!

[Pag. 17] Capítulo 11: De um luxuoso ceviche à muvuca do Mercado San Camilo.

[Pag. 20] Capítulo 12: Dois dias de calotes, perrengues e superação pelo magnífico Cañon del Colca. [1ª Parte]

[Pag. 20] Capítulo 12: Dois dias de calotes, perrengues e superação pelo magnífico Cañon del Colca. [2ª Parte]

[Pag. 22] Capítulo 13: Oásis são reais! Um dia de muita diversão pelas dunas de Huacachina.

[Pag. 22] Capítulo 14: As Islas Ballestas e a Reserva Nacional de Paracas: um passeio pelo Oceano Pacífico.

[Pag. 24] Capítulo 15: Cusco, a cidade histórica.

[Pag. 26] Capítulo 16: O Vale Sagrado dos Incas.

[Pag. 29] Capítulo 17: O lindo – e traumatizante – caminho até Aguas Calientes.

[Pag. 34] Capítulo 18: Machu Picchu, a Cidade Perdida dos Incas... e uma noite no hospital.

[Pag. 38] Capítulo 19: Até a próxima, Machu Picchu! É hora de seguir para Puno.

[Pag. 39] Capítulo 20: Puno e o passeio pelas Islas Flotantes de Uros e Isla Taquile.

[Pag. 44]Capítulo 21: Cruzando a fronteira com a Bolívia rumo a Copacabana.

[Pag. 46] Capítulo 22: Os encantos da Isla del Sol.

[Pag. 49] Capítulo 23: O adeus à Isla del Sol. É chegada a hora de conhecer a caótica La Paz.

[Pag. 51] Capítulo 24: Chacaltaya, Valle de la Luna... e o dia em que fomos furtados.

[Pag. 57] Capítulo 25: O eletrizante downhill pela Carretera de la Muerte.

[Pag. 62] Capítulo 26: ¡Hasta la vista, baby! É hora de voltar pra casa.

[Pag. 62] Capítulo 27: Agradecimentos.

 

::hãã2:: Instagram em que costumo(ava) postar tudo quando viajo:

@queridopassaporte (não o utilizo mais, está bem desatualizado, mas tem umas publicações legais por lá)

Qualquer dúvida, estou à disposição no meu perfil pessoal: @rodrigoalcure

 

Editado:

Baixe o PDF com o relato completo:

relato_rodrigovix_mochilao_bolivia_chile_peru.pdf

Outra opção de download:

https://drive.google.com/file/d/1ttiGF8sYfNmXsc2HU72XfwKKePhJ4jiY/view

(Agradecimentos à Fernanda Arruda por ter compilado o relato em pdf pra gente - página 47)

 

 

Salve, salve, mochileiros deste Brasil varonil!

 

Cá estou eu prazerosamente cumprindo minha obrigação de compartilhar o relato da viagem que fiz em abril deste ano. Digo “obrigação” mesmo, porque me sinto moralmente obrigado a ajudar o mínimo que seja no planejamento da viagem dos próximos mochileiros, uma vez que 99%, se não 199%, se não 27.569%, se não 6,02x10²³% (aulas de química? alguém lembra? hehedeusmelivrehehe) do meu planejamento se devem aos relatos e informações presentes aqui neste fórum. Por isso, já vou logo deixando o meu MUITO OBRIGADO, CAMBADA!!!

 

Antes de mais nada, devo informar que este relato será cheio de texto, informações e fotos (muitas fotos). Portanto, praquela galera menos paciente que gosta de ir direto ao assunto, farei, ao final, uma versão resumida com as principais informações, belê?

 

O ROTEIRO:

 

O roteiro já é um clássico aqui no mochileiros. A chegada por Santa Cruz de la Sierra, seguindo pra Uyuni, depois Atacama, subindo pro Peru e fechando a volta até La Paz é um bom caminho para irmos nos aclimatando gradativamente. Muitos optam pelo caminho inverso e sofrem muito com a brusca mudança de altitude ao chegar em La Paz.

 

mapa_roteiro_bolivia_chile_peru.jpg.1842a58fc66de38e4112b07ef866ea59.jpg

 

  • 01/04 Vitória x São Paulo x Santa Cruz de la Sierra x Sucre
    02/04 Sucre x Uyuni
    03/04 Salar de Uyuni
    04/04 Salar de Uyuni
    05/04 Salar de Uyuni
    05/04 San Pedro de Atacama
    06/04 San Pedro de Atacama
    07/04 San Pedro de Atacama x Arica
    08/04 Arica x Tacna x Arequipa
    09/04 Arequipa
    10/04 Cañon del Colca
    11/04 Cañon del Colca x Arequipa x Ica
    12/04 Huacachina
    13/04 Islas Ballestas + Paracas
    13/04 Ica x Cusco
    14/04 Cusco
    15/04 Cusco (Vale Sagrado)
    16/04 Cusco x Aguas Calientes
    17/04 Machu Picchu
    18/04 Aguas Calientes x Cusco x Puno
    19/04 Puno (Uros + Taquile)
    20/04 Puno x Copacabana
    21/04 Isla del Sol
    22/04 Isla del Sol x Copacabana x La Paz
    23/04 La Paz (Chacaltaya + Valle de la Luna)
    24/04 La Paz (Downhill)
    25/04 La Paz
    26/04 Santa Cruz de la Sierra x São Paulo

 

Quanto ao valor no título (1.600 dólares), ele se refere a PASSAGENS AÉREAS + TRANSPORTE + ALIMENTAÇÃO + HOSPEDAGENS + PASSEIOS durante esses 26 dias. Só não inclui aqui os gastos prévios que tive com vestuário, bota impermeável, mochilas, câmera e equipamentos fotográficos, passaporte, etc., porque isso varia muito de pessoa pra pessoa. E como o custo em reais depende muito do preço do dólar à época, decidi manter em dólar.

 

De toda forma, a quem interessar possa, ficam aqui algumas coisas que comprei:

 

- Bota Timberland Flume Mid Waterproof

http://www.centauro.com.br/bota-timberland-masculina-flume-mid-waterproof-777831.html

 

Pra quem quer investir numa bota impermeável, é uma ótima opção, além de ser esteticamente bonita. Pisei em diversas poças d'água, peguei chuva, e os pés continuaram secos. Ela é até confortável, mas isso não costuma ser a principal característica de botas de trekking, então não espere o conforto de um tênis. Foi o único sapato que usei durante toda a viagem (além do par de chinelos, claro).

 

- Blusa e calça segunda pele (1ª camada), fleece (2ª camada) e casaco corta-vento-e-chuva (3ª camada), money belt, saco de dormir (lençol), mochila, capa para mochila, meias, toalha de secagem rápida e mais uma porrada de coisas eu comprei na Decathlon. É o lugar mais completo e barato para se comprar essas coisas. Deixei uma grana boa por lá. Dá uma olhada no site e, se tiver uma loja perto de você, melhor ainda, dê uma passada lá.

http://www.decathlon.com.br/

 

- Câmera Nikon D5300 kit de lente 18-55mm VR II

http://www.nikon.com.br/Nikon-Products/Product/dslr-cameras/1522/D5300.html

 

- Lente Wide Angle Sigma 10-20mm f4-5.6

https://www.detonashop.com.br/lente-grande-angular-sigma-10-20mm-f-4-5-6-ex-dc-hsm-para-nikon.html

 

- Tripé, filtro polarizador, disparador remoto, etc. eu comprei pelo Mercado Livre.

 

SOBRE AS MOCHILAS...

 

Usei uma Forclaz 50L Quechua...

http://www.decathlon.com.br/montanha-aventura/mochilas-38170/mochila-trecking/mochila-forclaz-50-litros-quechua_167478

 

E uma Targus Spruce EcoSmart de mochila de ataque.

http://targus.com/us/15_6-spruce-ecosmart-backpack-tbb013us

 

Essa da Targus eu já tinha há bastante tempo. É uma mochila mais voltada para notebook, mas como eu não queria gastar com uma mochila de ataque, optei por essa mesmo. Foi nela que carreguei meus equipamentos fotográficos durante todo o tempo.

 

Obs.: É MUITO importante uma mochila de ataque (mochila de menor tamanho) nesse tipo de viagem. Isso evita carregar peso desnecessário em diversos momentos. Não deixe de levar uma.

 

Quanto à mochila de 50L, muitos me questionaram se não era pequena demais pra 26 dias. Minha resposta é: depende. Se você não quiser lavar muita roupa, tem que levar uma maior. Agora, se você busca praticidade, 50L bastam. Levei roupa pra uma semana, mais ou menos, e usava o serviço das lavanderias sempre que necessário. É barato e você acha fácil em qualquer lugar por onde passa.

 

Aqui vai uma relação completa do que levei nessa viagem:

  • 7 camisetas
    1 camisa manga longa segunda pele (1ª camada)
    1 calça segunda pele (1ª camada)
    1 casaco fleece (2ª camada)
    1 casaco impermeável (3ª camada)
    1 calça-bermuda
    3 bermudas
    8 cuecas
    6 pares de meias grossas cano alto
    1 toca
    1 par de luvas
    1 toalha microfibra (secagem rápida)
    1 saco-lençol de dormir
    1 money belt (doleira)
    1 relógio
    1 sabonete
    1 shampoo médio
    1 protetor solar grande
    1 protetor labial
    1 repelente
    2 cadeados
    1 escova de dentes
    1 creme dental
    1 barbeador elétrico
    1 desodorante aerossol
    1 perfume
    1 cortador de unhas
    1 canivete suíço
    1 kit remédios (enjoo, dormir, dores e gripe)
    1 bepantol creme
    1 par de óculos de sol
    1 pacote de lenços umedecidos
    1 celular
    1 carregador
    1 par de fones de ouvido
    1 máquina fotográfica
    1 lente 18-55mm
    1 lente 10-20mm
    2 cartões de memória 32GB
    1 tripé grande
    1 mini-tripé
    1 kit limpeza para câmera
    1 caneta
    1 bloco de anotações
    1 capa de chuva para a mochila
    1 pasta plástica para documentos
    1 carteira com Identidade e Cartão de Crédito Internacional

 

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NA PASTA DE DOCUMENTOS:

  • Cartões de embarque
    Ingresso de Machu Picchu + Huaynapicchu
    Cartão internacional de vacina (ANVISA)
    Certificado do Seguro Viagem
    Nota fiscal dos equipamentos fotográficos
    Todos, eu disse TODOS os papeis que você receber durante a viagem

 

É importante levarmos uma pasta para documentos. Levei uma dessas de plástico maleável, que permite dobrar ao meio e guardar facilmente na mochila. É ali que você vai carregar muita coisa importante, como:

 

- Cartões de embarque: Guarde-os sempre, mesmo quando já tiver realizado o voo. Nunca se sabe.

 

- Ingresso para Machu Picchu: Compramos pelo site oficial, e não por agências. Tentamos com o meu cartão e não consegui, mesmo com a liberação da VISA para compras internacionais. Tentamos com o cartão da minha cunhada, e deu certo. A dúvida então seria quanto à exigência de que o titular do cartão seja um dos que ingressarão no parque. Levamos cópia do cartão e da identidade dela, com medo de sermos barrado na entrada. Quando chegamos lá, nem olharam pra nossa cara direito. Olharam o ingresso, carimbaram a entrada e pronto.

 

- Cartão Internacional de Vacina: A vacina contra febre-amarela, por lei, é obrigatória para ingressar na Bolívia. Se você já tomou essa vacina nos últimos 10 anos, basta ir direto a um posto da ANVISA retirar o seu Certificado Internacional. No meu caso, precisei tomar de novo, porque já não tinha mais a minha carteirinha. Fui a um posto de saúde e me vacinaram na hora. Verifique antes os dias e horários de vacinação do seu posto, pois eles costumam destinar um período específico da semana pra certos tipos de vacina. Depois de vacinado, fui à ANVISA (já tendo feito previamente o cadastro no site deles, que eles pedem mais pra adiantar o atendimento) e lá emitiram o Cartão Internacional de Vacina. Aí você me pergunta, em algum momento pela Bolívia as autoridades nos cobraram este Cartão? A resposta é NÃO, como você pode ler em todos os relatos aqui do fórum. Massss, lei é lei, e você não quer dar sorte ao azar numa viagem dessas, certo? Pois é.

 

- Certificado do Seguro Viagem: Faça um Seguro Viagem. Não chore miséria e nem cogite não fazer numa viagem desse tipo. Eu fiz e foi o que me salvou, pois precisei acioná-lo. É um valor relativamente pequeno (menos de R$200) perto da segurança que é contar com o amparo médico em terras estranhas. Há relatos de pessoas que gastaram fortunas com hospitais por não terem feito o Seguro, portanto não dê essa bobeira. Eu fiz pela Mondial Travel, apenas porque foi o que mais li nas indicações aqui no fórum. Faça sua pesquisa e escolha a empresa que achar melhor, mas não deixe de se assegurar.

 

- Notas fiscais de equipamentos eletrônicos: É uma forma de comprovar que você os comprou no Brasil ou em outro local cujos impostos já foram devidamente pagos. Eu não quis arriscar e levei as notas dos equipamentos fotográficos que estava carregando. Se você estiver levando notebook, máquinas de maior valor e afins, não custa nada levar as notas, caso ainda as tenha. Não ocupa espaço e te dá mais tranquilidade. Mas eu precisei usar? Não. Nem mesmo na declaração aduaneira eu precisei registrar, porque era considerado “uso turístico”. Então é quase uma questão opcional, vai de cada um.

 

- Todos os papeis que você receber: Guarde TODOS. Muitos deles você irá precisar quando estiver retornando ou saindo daquele país, e perde-los é uma dor de cabeça que você quer evitar. Nós já aproveitamos a pastinha pra ir guardando tudo, de documentos de imigração até recibo carimbado de passeio. Sem falar que é a melhor forma de você se recordar dos lugares que visitou, os nomes, a ordem das coisas que viu, etc.

 

NO MONEY BELT:

  • Dólares
    Reais
    Passaporte
    Chave reserva do cadeado

 

O uso do money belt (uma espécie de cinto onde se guarda documentos e dinheiro e que se usa por baixo da roupa) é altamente recomendável. Deixar essas coisas na mochila pode ser muito arriscado, porque o principal problema do turismo são os altos índices de furto. Mantenha seu dinheiro e o seu passaporte com você o tempo todo, e só tire para tomar banho. Durante o único e pequeno momento em que nos afastamos do nosso money belt na viagem, deu merda. Então não se arrisquem.

 

Ah, outra dica é não deixar o cartão de crédito junto com o dinheiro e o passaporte. Por segurança, é melhor que ele esteja em um local separado. Se você for furtado ou perder seu money belt, terá o cartão para emergência. No nosso caso, deixávamos o dinheiro e o passaporte no money belt e o cartão de crédito guardado na mochila. O mesmo vale para as chaves do cadeado. Mantenha a chave reserva guardada em um local separado.

 

PREPARATIVOS PARA A VIAGEM:

 

Bom, a preparação pra essa viagem começou lá em agosto de 2014, mais ou menos. Quando digo “preparação” leia-se “- Bora viajar pela América do Sul ano que vem? - Bora! - Então fechou!”. De lá pra cá, muita pesquisa, muito rabisco, muita mudança de planos e muito obstáculo. Isso é normal, não se assustem. Se querem atingir o grande objetivo de viajar pelo mundo, estejam preparados para enfrentar de tudo um pouco.

 

As únicas coisas que compramos com antecedência foram as passagens aéreas BRA x BOL, o aéreo Santa Cruz x Sucre, o Seguro Viagem e os ingressos para Machu Picchu + Huaynapicchu, pois, se você deseja subir este último, é necessário comprar com meses de antecedência (a subida ao Huaynapicchu é limitada a dois grupos de 200 turistas por dia). Pegamos uma promoção da GOL e pagamos R$ 574,77 no trecho ida e volta SP/Guarulhos (GRU) x (VVI) Santa Cruz de la Sierra/Viru-Viru (fiquem atentos aos grandes feirões de promoção que costumam acontecer a cada dois meses em média). O trecho VVI x SRE/Sucre optamos por fazer de avião, e pagamos US$ 55. Já o Seguro Viagem, pagamos R$ 140 para cobertura Mochilão / 26 dias / Bolívia, Chile e Peru.

 

Tudo ia dando certo, dinheirinho na poupança todo mês, 13º dando aquele help, planejamento seguindo nos conformes. Masssss a calmaria antecede a tempestade, meus jovens. E foi só chegar nos últimos dois meses antes da viagem que o Universo começou a dizer “Tá achando que vai ser fácil assim, cara pálida? Negativo”.

 

Pra começar, o dólar, que já não parava de subir, decidiu entrar num foguete e decolar rumo à estratosfera. E como só compraríamos os dólares na véspera da viagem... nos F*DEMOS bonito. Só em março foi um aumento de R$ 0,35 (trinta e cinco f*cking centavos). E isso só nos deixou com duas opções: injetar mais dinheiro pra compensar a subida ou economizar ainda mais pra compensar a queda. Acabamos optando por um pouco de cada.

 

Ok, alta do dólar devidamente “digerida”, seguíamos com os preparativos finais. Mas aí o Universo deu aquela risada de deboche e disse “Pensam que acabou? Então peraí...”, e resolveu mandar o que parecia ser algo bem simples tipo O FIM DO MUNDO:

 

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Vulcões em erupção no Chile. “-Beleza, acontece.”

Dilúvio no Atacama. “-Oi??? Dilúvio na p*rra do deserto mais seco do mundo?!”

Terremoto de 5,8 com alerta de tsunami. “-Véi, na boa...”

Crise política se agrava no Peru. “-MAIS GRAVE VAI FICAR QUANDO EU CHEGAR AÍ!!!1”

 

Sacomé, a gente é mochileiro, e mochileiro brasileiro não desiste nunca. Ignoramos todo o caos, a zica e as 14 velas acesas por nossas mães e partimos rumo ao Apocalipse. Afinal, se é pra curtir o fim do mundo, que pelo menos seja de mochila nas costas batendo perna por aí, né não?

 

PRÓXIMO CAPÍTULO: Partiu Mochilão!!! Santa Cruz de la Sierra, Sucre e... o mal da altitude. ::dãã2::

Editado por rodrigovix

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mayara.martines meu roteiro está muito igual ao seu. Eu vou ir ahora em Maio. Te passo algumas dicas depois. Vou postar meu relato aqui tbm

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Capítulo 25: O eletrizante downhill pela Carretera de la Muerte.

 

24/04/15

 

Depois de passarmos a noite digerindo o furto do dia anterior, acordamos mais conformados e aceitamos a realidade de que não seria simples prestar uma queixa sobre o ocorrido. Não só perderíamos o dia de um dos passeios mais aguardados do mochilão, como tínhamos quase certeza de que tudo isso não daria em NADA. Solução: engolir o choro e redobrar a atenção nessa reta final.

 

Acordamos bem cedo neste dia. Na agência em que fechamos o passeio, fomos informados de que era preciso estar às 6h45 no local marcado. E assim o fizemos. Só que, ao chegarmos lá, tivemos dificuldade para localizar o ponto marcado no mapa... porque ainda estava fechado! Batemos na porta diversas vezes, tocávamos a campainha e nada de alguém nos atender. Estávamos começando a ficar preocupados quando, depois de uns 20 minutos, ouvimos o barulho de alguém se aproximando.

 

No local funcionava também um hostel, e a agência ficava ali dentro. Só que havia acabado de abrir, literalmente. Percebemos então que tínhamos chegado cedo demais sem necessidade. Entramos, fomos atendidos, preenchemos a declaração que você basicamente assume inteira responsabilidade por qualquer_merda_que_te_acontecer.docx e testamos as roupas e os equipamentos de segurança. Nesse meio tempo, alguns gringos do nosso grupo chegaram e fizeram o mesmo procedimento.

 

Depois de tudo acertado, fomos andando até um outro local onde nos seria servido o café da manhã, incluso no passeio. Era uma cafeteria bem simpática, recheada de rabiscos com depoimentos de diversos viajantes do mundo todo. Lá, fizemos amizade com um carioca gente boa (cujo nome não me lembro agora, acho que era Thiago ou Felipe, quase todo mundo chama Thiago ou Felipe) e que estava viajando pela América do Sul por tempo indeterminado.

 

Por volta das 8h, devidamente alimentados, entramos na van e seguimos viagem. Depois de mais ou menos 2 horas de estrada, paramos na "La Cumbre", uma grande área plana de terra próxima a um lago onde receberíamos as instruções de segurança, de comunicação e testaríamos nossa bike. Ali, diversas agências e grupos se reúnem. Fizemos a primeira foto do nosso grupo e começamos a descida.

 

25911144393_194add324a_k.jpg01_dowhill_la_paz by Rodrigo Alcure, no Flickr

Grupo da nossa agência.

 

25909084244_b3a896cf4f_k.jpg02_dowhill_la_paz by Rodrigo Alcure, no Flickr

Todo animado pra descida hehe.

 

Não sei se já falei dos tipos de bike que se pode alugar, mas são basicamente 3:

- Bike nível 3: suspensão frontal + freio à disco (custo: Bs.330).

- Bike nível 2: suspensão frontal + freio hidráulico (custo: Bs.370, mas com o desconto ficou por Bs.350).

- Bike nível 1: suspensão frontal e traseira + freio hidráulico (custo: Bs.460).

 

Eu evitaria a de nível 1, principalmente se você não está muito habituado a andar de bicicleta. O freio hidráulico é mais suave e leve que o freio à disco, e, acredite em mim, freio é algo que você usará o tempo todo no downhill, então qualquer conforto nesse sentido faz muita diferença. Já a suspensão dupla, se você tiver com uma grana a mais pra isso, ótimo. Mas se não tiver, não tem problema, a opção 2 será suficiente.

 

Como adiantei no capítulo 22, a primeira parte da descida é toda feita no asfalto. Esse trecho é muito bom. Dá pra pegar velocidade e confiança. Obviamente, como estamos no início da descida, partimos de um ponto de altitude muito elevada (e paisagens lindas). Ou seja... altitude + vento + velocidade = FRIO. Preparem-se para a friaca, principalmente nas mãos. Eu, já prevendo essa Execução Aurora nos meus dedos por ter lido relatos anteriores, coloquei uma luva de lã por baixo da luva do equipamento, e MESMO ASSIM senti minha mão quase congelar.

 

Outra informação importante é que, durante o downhill, a van com as nossas bagagens segue atrás do grupo. Um instrutor vai na frente, outro no meio e mais um outro atrás. Eles se revezam entre vigiar a galera e tirar fotos com uma GoPro. Ah, e não dá pra levar máquina própria, obviamente. Ah não ser uma GoPro com equipamentos próprios para pedalada, aí pode usar sem problemas. Só não vá querer fazer feito alguns que tentam selfie e perdem o equipamento no penhasco. Use-os bem acoplados ao capacete ou ao peitoral.

 

Ao final do passeio, eles entregam um DVD com as fotos e os vídeos da descida. Para eu que estava acostumado com a qualidade da D5300 nessa viagem, não achei as fotos láááá essa coisa toda, mas dei uma editada leve pra tentar melhorar um pouco a qualidade.

 

26241155300_09086822c2_k.jpg03_dowhill_la_paz by Rodrigo Alcure, no Flickr

Lindas paisagens na primeira parte da descida.

 

26421657322_7b1e8528ec_k.jpg04_dowhill_la_paz by Rodrigo Alcure, no Flickr

A primeira parte é feita no asfalto.

 

26447879791_052af9bb1f_k.jpg05_dowhill_la_paz by Rodrigo Alcure, no Flickr

Mais uma paradinha pra foto.

 

Um fato curioso é que, no meio dessa primeira parte, no asfalto, sentia que estava perdendo velocidade. Não estava conseguindo acompanhar o instrutor da frente, e comecei a perceber que o restante da galera tava se aproximando. É bom a gente tentar pedalar perto dos instrutores (mas cuidado, não vá querer pedalar feito um louco se não tiver experiência pra isso) pois eles costumam tirar umas selfies e daí se você está próximo a eles acaba tendo mais fotos no DVD (dica marota do Tio Rodrigo aqui). Só sei que eu tentava mudar marcha, tentava as posições de aceleração (inclinar o tronco pra frente pra reduzir o atrito com o vento), tentava de tudo... e nada de conseguir ganhar velocidade.

 

Até que chegamos à primeira parada. Nos reunimos todos num acostamento para dar início a uma nova etapa da descida, e foi aí que comentei da situação da minha bike com um dos instrutores. Ele mexeu nela e conseguiu consertar o problema, que era na marcha. A partir daí, ela ficou filé, e consegui seguir no ritmo que eu queria.

 

Os instrutores reuniram todos ali para explicar que, a partir daquele ponto, passaríamos por um trecho de chão de terra, pedras e cascalhos, bem similar ao que encontraríamos na Estrada da Morte propriamente dita. Serviria como um treino para a gente sentir como a bike reage àquele relevo. E vou falar uma coisa pra vocês, É SINISTRO. Ela treme toda, por vezes quase foge do nosso controle, mas isso, é claro, pra gente que tem esse espírito de competição e não aceita ficar pra trás kkkkkk a galera que vai devagar acaba tendo menos dificuldade (eu acho, não fiquei lá pra conferir rs).

 

Depois de um tempo naquela estrada, era hora de fazer uma parada para o lanche (incluso no passeio). Um sandubinha simples, uma coca-cola quente, uma banana, um chocolate e uma garrafa d'água. Tranquilasso! Nesse tempo, entregamos nossas bicicletas pro motorista, que as guardou de volta em cima da van. A partir dali, seguimos de van até o ponto de iniciar a descida pela Estrada da Morte de fato.

 

Chegamos lá já com a adrenalina tomando conta. Víamos os grupos se organizando e alguns iniciando a descida. Recebemos nossas últimas instruções e fomos informados de que "há momentos em que podemos encontrar automóveis subindo a estrada, então temos que nos manter na mão da descida, que é a via da esquerda"... ou seja, a via próxima ao penhasco ::hein: hahaha. Mas sempre que surgia um veículo subindo os instrutores faziam o sinal de parada para que todo mundo ficasse em segurança, é tranquilo.

 

COMEÇAMOS A DESCIDA!!! Olha, não tenho como relatar muita coisa aqui a não ser que foi UM DOS PASSEIOS MAIS FODAS QUE JÁ FIZ NA VIDA, e sem dúvidas o mais divertido de todos esses 26 dias de mochilão. Adrenalina pura. Aquele medo misturado com empolgação. Por umas duas vezes eu dei umas derrapadas e quicadas tão sinistras que vi a imagem da minha mãe descendo do céu e colocando um DVD com o filme da minha vida, o que quase me fez repetir o incidente da caganeira em Machu Picchu. Rapazzzzz, foi por pouco hahaha. O carioca que tava atrás de mim chegou a gargalhar de tanto medo que ele sentiu por mim naquele momento kkkkkkk. ::lol4::

 

Mas que importa é que SOBREVIVEMOS, e ainda ganhamos uma camisa no final para provar isso rs. Foram praticamente 4 horas de muita descida, entre cascalhos, pedras, mata, cachoeira e tudo mais, mas que parecem terem sido 40 minutos, de tão rápido que passou.

 

26513977915_7e16f05d16_k.jpg06_dowhill_la_paz by Rodrigo Alcure, no Flickr

Estrada da Morte super simpática nos dando boas-vindas "Venham, queridos...".

 

25911111813_4a657ad328_k.jpg07_dowhill_la_paz by Rodrigo Alcure, no Flickr

Olha aí a dita cuja. Mas é bonita, né?

 

26241126850_17b3879f93_k.jpg08_dowhill_la_paz by Rodrigo Alcure, no Flickr

Adrenalina full time.

 

Num certo ponto da descida, paramos todos para aquela foto clássica na "Curva del Diablo". É impressionante. Diz a lenda que o diabo enganava os viajantes ali criando uma ilusão de que era uma estrada reta, e eles seguiam passando direto e caindo no precipício. ::sos:: (tárepreendidocruzcredo)

 

Enfim, eu estava preocupado nessa parte porque sabia que não poderia usar minha máquina pra fazer uma foto boa, mas até que o instrutor tirou uma que prestou rs. Eu, Antenor e o carioca.

 

26447858141_9f982e27e2_k.jpg09_dowhill_la_paz by Rodrigo Alcure, no Flickr

Curva del Diablo - Carretera de la Muerte.

 

25909042204_ca90aadec3_k.jpg10_dowhill_la_paz by Rodrigo Alcure, no Flickr

Algumas cruzes pra criar um ambiente bem tranquilo durante a descida.

 

26513956095_1afab5c6b6_k.jpg11_dowhill_la_paz by Rodrigo Alcure, no Flickr

Tinha até cachoeira. Mas o que tem de perigoso, tem de lindo, né?

 

No final, a gente parou num bar, entregou as bikes para serem lavadas e compramos uma cerveja bem gelada. É aquele clima de comemoração e alívio por estar vivo e ter sobrevivido a uma das estradas mais perigosas do planeta. Ô coisa boa. A breja, claro, não estava inclusa no pacote, e nos custou 14 bolivianos.

 

25909032734_9dd0754f5b_k.jpg12_dowhill_la_paz by Rodrigo Alcure, no Flickr

Una Paceña, por favor.

 

Seguimos para o local do almoço (25 bolivianos buffet liberado, não incluso no pacote + Bs.10 num refri e Bs.8 numa água), e onde seria o tal local que poderíamos tomar um relaxante banho de piscina. Pura conversa fiada. Tinha um buraco azulejado lá com uma água fria e suja que ninguém teve coragem de entrar - mentira, eu dei um mergulho e depois saí, só mesmo pra dizer que entrei rs. Depois fomos tomar uma bela ducha quente e trocar de roupa, essa sim tava boa.

 

Por volta das 16h, retornamos pra La Paz, onde chegamos perto das 20h. Foi o tempo de jantar um franguinho frito + refri por 18 bolivianos cada (agora entendo por que parei de tomar refrigerante, nunca tomei tanto como nesse mochilão rs) e seguir pro hostel.

 

Amanhã seria nosso último dia em La Paz. Dia de embarcarmos para o nosso destino final dessa viagem, exatamente onde tudo começou.

 

E não é que este relato já está chegando ao fim? hahaha. Vou sentir saudades.

 

SALDO DO DIA:

Bs.14 cerveja

Bs.25 almoço buffet

Bs.10 refrigerante

Bs.8 água

Bs.18 franguinho + refrigerante

TOTAL: Bs.75 (US$ 11)

 

Próximo capítulo: ¡Hasta la vista, baby! É hora de voltar pra casa.

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IRADOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!! ::hahaha::

 

Mandou mto bem no relato cara!!

 

Ansioso pra kct!! Faltam duas semaninhas!!! ::toma::::quilpish::::tchann::

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"Corre cas panela minina, que o Rodrigo postou mais um pedaço do relato!!!"

::mmm:

 

Depois desse trecho, 2 conclusões:

1- que passeio do caralho!!!

2- não é pra mim! Kkkkk ::Ksimno::

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Faço minhas as palavras da quel.teixeira:

 

1- que passeio do caralho!!!

2- não é pra mim! Kkkkk ::Ksimno::

 

 

Muito massa o passeio, eu sou louquinha da silva, mas se eu fizer esse passeio não volto pra casa ::mmm:

 

No mais... Semana que vem meu mochilinha começaaaa ::ahhhh::

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Quando eu vi que tu postou sobre o downhill, confesso que já fiquei nervosa.

hahaha

Ansiedade demais!

 

Faltam menos de 15 dias! o/

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Cara, caraca, carái... que relato!!!

Confesso que li rápido algumas coisas, mas salvei para ler com calma tudo, pois em Maio de 2017, pretendo fazer esse mochilão. Com certeza plagiarei muito do seu roteiro e farei uso de muitas dicas. Mês que vem saio de férias e terei tempo de planejar a do próximo ano. O que vou incluir nele vai ser trilha para Macchu Picchu, além de Lima e Santiago para visitar uns amigos.

E inveja branca das suas fotos, preciso configurar minha camera para tirar algo parecido kkkk

 

ABçx

::otemo::

 

Hahaha isso aê, Márcio. A ideia do relato é que ele seja bem útil mesmo. Pode se jogar nessa trip porque é sucesso garantido!!! Abraço.

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Tá fogo..

Rodrigo fica só enrolando, respondendo as perguntas, mas relato que é bom...

::dãã2::ãã2::'> ::otemo::::mmm:::essa::::sos::::toma::::quilpish::::lol4::::Cold::

 

Ô crueldade com o Tio aqui... :cry::D

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