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Olá viajante!

Bora viajar?

Bolívia + Chile + Peru (26 dias - abril/2015) TUDO por 1.600 dólares!

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Índice do Relato:

[Pag. 1] Capítulo 1: Preparativos para a viagem

[Pag. 1] Capítulo 2: Santa Cruz de la Sierra, Sucre e... o mal da altitude.

[Pag. 4] Capítulo 3: Enfim Uyuni! Três dias inesquecíveis.

[Pag. 6] Capítulo 4: Vulcões, desertos e as Lagunas Altiplânicas.

[Pag. 8] Capítulo 5: ¡Adiós, Uyuni! A beleza dos Geisers e o sofrimento dos -10ºC.

[Pag. 10] Capítulo 6: Os encantos de San Pedro de Atacama.

[Pag. 11] Capítulo 7: As Piedras Rojas, as Lagunas Altiplanicas e o Salar de Atacama.

[Pag. 12] Capítulo 8: O Salar de Tara e o adeus a Atacama.

[Pag. 15] Capítulo 9: De Arica para Tacna: cruzando a fronteira com o Peru.

[Pag. 16] Capítulo 10: Ô Maria esta suruba me excita... Arequipa! Arequipa! Arequipa!

[Pag. 17] Capítulo 11: De um luxuoso ceviche à muvuca do Mercado San Camilo.

[Pag. 20] Capítulo 12: Dois dias de calotes, perrengues e superação pelo magnífico Cañon del Colca. [1ª Parte]

[Pag. 20] Capítulo 12: Dois dias de calotes, perrengues e superação pelo magnífico Cañon del Colca. [2ª Parte]

[Pag. 22] Capítulo 13: Oásis são reais! Um dia de muita diversão pelas dunas de Huacachina.

[Pag. 22] Capítulo 14: As Islas Ballestas e a Reserva Nacional de Paracas: um passeio pelo Oceano Pacífico.

[Pag. 24] Capítulo 15: Cusco, a cidade histórica.

[Pag. 26] Capítulo 16: O Vale Sagrado dos Incas.

[Pag. 29] Capítulo 17: O lindo – e traumatizante – caminho até Aguas Calientes.

[Pag. 34] Capítulo 18: Machu Picchu, a Cidade Perdida dos Incas... e uma noite no hospital.

[Pag. 38] Capítulo 19: Até a próxima, Machu Picchu! É hora de seguir para Puno.

[Pag. 39] Capítulo 20: Puno e o passeio pelas Islas Flotantes de Uros e Isla Taquile.

[Pag. 44]Capítulo 21: Cruzando a fronteira com a Bolívia rumo a Copacabana.

[Pag. 46] Capítulo 22: Os encantos da Isla del Sol.

[Pag. 49] Capítulo 23: O adeus à Isla del Sol. É chegada a hora de conhecer a caótica La Paz.

[Pag. 51] Capítulo 24: Chacaltaya, Valle de la Luna... e o dia em que fomos furtados.

[Pag. 57] Capítulo 25: O eletrizante downhill pela Carretera de la Muerte.

[Pag. 62] Capítulo 26: ¡Hasta la vista, baby! É hora de voltar pra casa.

[Pag. 62] Capítulo 27: Agradecimentos.

 

::hãã2:: Instagram em que costumo(ava) postar tudo quando viajo:

@queridopassaporte (não o utilizo mais, está bem desatualizado, mas tem umas publicações legais por lá)

Qualquer dúvida, estou à disposição no meu perfil pessoal: @rodrigoalcure

 

Editado:

Baixe o PDF com o relato completo:

relato_rodrigovix_mochilao_bolivia_chile_peru.pdf

Outra opção de download:

https://drive.google.com/file/d/1ttiGF8sYfNmXsc2HU72XfwKKePhJ4jiY/view

(Agradecimentos à Fernanda Arruda por ter compilado o relato em pdf pra gente - página 47)

 

 

Salve, salve, mochileiros deste Brasil varonil!

 

Cá estou eu prazerosamente cumprindo minha obrigação de compartilhar o relato da viagem que fiz em abril deste ano. Digo “obrigação” mesmo, porque me sinto moralmente obrigado a ajudar o mínimo que seja no planejamento da viagem dos próximos mochileiros, uma vez que 99%, se não 199%, se não 27.569%, se não 6,02x10²³% (aulas de química? alguém lembra? hehedeusmelivrehehe) do meu planejamento se devem aos relatos e informações presentes aqui neste fórum. Por isso, já vou logo deixando o meu MUITO OBRIGADO, CAMBADA!!!

 

Antes de mais nada, devo informar que este relato será cheio de texto, informações e fotos (muitas fotos). Portanto, praquela galera menos paciente que gosta de ir direto ao assunto, farei, ao final, uma versão resumida com as principais informações, belê?

 

O ROTEIRO:

 

O roteiro já é um clássico aqui no mochileiros. A chegada por Santa Cruz de la Sierra, seguindo pra Uyuni, depois Atacama, subindo pro Peru e fechando a volta até La Paz é um bom caminho para irmos nos aclimatando gradativamente. Muitos optam pelo caminho inverso e sofrem muito com a brusca mudança de altitude ao chegar em La Paz.

 

mapa_roteiro_bolivia_chile_peru.jpg.1842a58fc66de38e4112b07ef866ea59.jpg

 

  • 01/04 Vitória x São Paulo x Santa Cruz de la Sierra x Sucre
    02/04 Sucre x Uyuni
    03/04 Salar de Uyuni
    04/04 Salar de Uyuni
    05/04 Salar de Uyuni
    05/04 San Pedro de Atacama
    06/04 San Pedro de Atacama
    07/04 San Pedro de Atacama x Arica
    08/04 Arica x Tacna x Arequipa
    09/04 Arequipa
    10/04 Cañon del Colca
    11/04 Cañon del Colca x Arequipa x Ica
    12/04 Huacachina
    13/04 Islas Ballestas + Paracas
    13/04 Ica x Cusco
    14/04 Cusco
    15/04 Cusco (Vale Sagrado)
    16/04 Cusco x Aguas Calientes
    17/04 Machu Picchu
    18/04 Aguas Calientes x Cusco x Puno
    19/04 Puno (Uros + Taquile)
    20/04 Puno x Copacabana
    21/04 Isla del Sol
    22/04 Isla del Sol x Copacabana x La Paz
    23/04 La Paz (Chacaltaya + Valle de la Luna)
    24/04 La Paz (Downhill)
    25/04 La Paz
    26/04 Santa Cruz de la Sierra x São Paulo

 

Quanto ao valor no título (1.600 dólares), ele se refere a PASSAGENS AÉREAS + TRANSPORTE + ALIMENTAÇÃO + HOSPEDAGENS + PASSEIOS durante esses 26 dias. Só não inclui aqui os gastos prévios que tive com vestuário, bota impermeável, mochilas, câmera e equipamentos fotográficos, passaporte, etc., porque isso varia muito de pessoa pra pessoa. E como o custo em reais depende muito do preço do dólar à época, decidi manter em dólar.

 

De toda forma, a quem interessar possa, ficam aqui algumas coisas que comprei:

 

- Bota Timberland Flume Mid Waterproof

http://www.centauro.com.br/bota-timberland-masculina-flume-mid-waterproof-777831.html

 

Pra quem quer investir numa bota impermeável, é uma ótima opção, além de ser esteticamente bonita. Pisei em diversas poças d'água, peguei chuva, e os pés continuaram secos. Ela é até confortável, mas isso não costuma ser a principal característica de botas de trekking, então não espere o conforto de um tênis. Foi o único sapato que usei durante toda a viagem (além do par de chinelos, claro).

 

- Blusa e calça segunda pele (1ª camada), fleece (2ª camada) e casaco corta-vento-e-chuva (3ª camada), money belt, saco de dormir (lençol), mochila, capa para mochila, meias, toalha de secagem rápida e mais uma porrada de coisas eu comprei na Decathlon. É o lugar mais completo e barato para se comprar essas coisas. Deixei uma grana boa por lá. Dá uma olhada no site e, se tiver uma loja perto de você, melhor ainda, dê uma passada lá.

http://www.decathlon.com.br/

 

- Câmera Nikon D5300 kit de lente 18-55mm VR II

http://www.nikon.com.br/Nikon-Products/Product/dslr-cameras/1522/D5300.html

 

- Lente Wide Angle Sigma 10-20mm f4-5.6

https://www.detonashop.com.br/lente-grande-angular-sigma-10-20mm-f-4-5-6-ex-dc-hsm-para-nikon.html

 

- Tripé, filtro polarizador, disparador remoto, etc. eu comprei pelo Mercado Livre.

 

SOBRE AS MOCHILAS...

 

Usei uma Forclaz 50L Quechua...

http://www.decathlon.com.br/montanha-aventura/mochilas-38170/mochila-trecking/mochila-forclaz-50-litros-quechua_167478

 

E uma Targus Spruce EcoSmart de mochila de ataque.

http://targus.com/us/15_6-spruce-ecosmart-backpack-tbb013us

 

Essa da Targus eu já tinha há bastante tempo. É uma mochila mais voltada para notebook, mas como eu não queria gastar com uma mochila de ataque, optei por essa mesmo. Foi nela que carreguei meus equipamentos fotográficos durante todo o tempo.

 

Obs.: É MUITO importante uma mochila de ataque (mochila de menor tamanho) nesse tipo de viagem. Isso evita carregar peso desnecessário em diversos momentos. Não deixe de levar uma.

 

Quanto à mochila de 50L, muitos me questionaram se não era pequena demais pra 26 dias. Minha resposta é: depende. Se você não quiser lavar muita roupa, tem que levar uma maior. Agora, se você busca praticidade, 50L bastam. Levei roupa pra uma semana, mais ou menos, e usava o serviço das lavanderias sempre que necessário. É barato e você acha fácil em qualquer lugar por onde passa.

 

Aqui vai uma relação completa do que levei nessa viagem:

  • 7 camisetas
    1 camisa manga longa segunda pele (1ª camada)
    1 calça segunda pele (1ª camada)
    1 casaco fleece (2ª camada)
    1 casaco impermeável (3ª camada)
    1 calça-bermuda
    3 bermudas
    8 cuecas
    6 pares de meias grossas cano alto
    1 toca
    1 par de luvas
    1 toalha microfibra (secagem rápida)
    1 saco-lençol de dormir
    1 money belt (doleira)
    1 relógio
    1 sabonete
    1 shampoo médio
    1 protetor solar grande
    1 protetor labial
    1 repelente
    2 cadeados
    1 escova de dentes
    1 creme dental
    1 barbeador elétrico
    1 desodorante aerossol
    1 perfume
    1 cortador de unhas
    1 canivete suíço
    1 kit remédios (enjoo, dormir, dores e gripe)
    1 bepantol creme
    1 par de óculos de sol
    1 pacote de lenços umedecidos
    1 celular
    1 carregador
    1 par de fones de ouvido
    1 máquina fotográfica
    1 lente 18-55mm
    1 lente 10-20mm
    2 cartões de memória 32GB
    1 tripé grande
    1 mini-tripé
    1 kit limpeza para câmera
    1 caneta
    1 bloco de anotações
    1 capa de chuva para a mochila
    1 pasta plástica para documentos
    1 carteira com Identidade e Cartão de Crédito Internacional

 

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NA PASTA DE DOCUMENTOS:

  • Cartões de embarque
    Ingresso de Machu Picchu + Huaynapicchu
    Cartão internacional de vacina (ANVISA)
    Certificado do Seguro Viagem
    Nota fiscal dos equipamentos fotográficos
    Todos, eu disse TODOS os papeis que você receber durante a viagem

 

É importante levarmos uma pasta para documentos. Levei uma dessas de plástico maleável, que permite dobrar ao meio e guardar facilmente na mochila. É ali que você vai carregar muita coisa importante, como:

 

- Cartões de embarque: Guarde-os sempre, mesmo quando já tiver realizado o voo. Nunca se sabe.

 

- Ingresso para Machu Picchu: Compramos pelo site oficial, e não por agências. Tentamos com o meu cartão e não consegui, mesmo com a liberação da VISA para compras internacionais. Tentamos com o cartão da minha cunhada, e deu certo. A dúvida então seria quanto à exigência de que o titular do cartão seja um dos que ingressarão no parque. Levamos cópia do cartão e da identidade dela, com medo de sermos barrado na entrada. Quando chegamos lá, nem olharam pra nossa cara direito. Olharam o ingresso, carimbaram a entrada e pronto.

 

- Cartão Internacional de Vacina: A vacina contra febre-amarela, por lei, é obrigatória para ingressar na Bolívia. Se você já tomou essa vacina nos últimos 10 anos, basta ir direto a um posto da ANVISA retirar o seu Certificado Internacional. No meu caso, precisei tomar de novo, porque já não tinha mais a minha carteirinha. Fui a um posto de saúde e me vacinaram na hora. Verifique antes os dias e horários de vacinação do seu posto, pois eles costumam destinar um período específico da semana pra certos tipos de vacina. Depois de vacinado, fui à ANVISA (já tendo feito previamente o cadastro no site deles, que eles pedem mais pra adiantar o atendimento) e lá emitiram o Cartão Internacional de Vacina. Aí você me pergunta, em algum momento pela Bolívia as autoridades nos cobraram este Cartão? A resposta é NÃO, como você pode ler em todos os relatos aqui do fórum. Massss, lei é lei, e você não quer dar sorte ao azar numa viagem dessas, certo? Pois é.

 

- Certificado do Seguro Viagem: Faça um Seguro Viagem. Não chore miséria e nem cogite não fazer numa viagem desse tipo. Eu fiz e foi o que me salvou, pois precisei acioná-lo. É um valor relativamente pequeno (menos de R$200) perto da segurança que é contar com o amparo médico em terras estranhas. Há relatos de pessoas que gastaram fortunas com hospitais por não terem feito o Seguro, portanto não dê essa bobeira. Eu fiz pela Mondial Travel, apenas porque foi o que mais li nas indicações aqui no fórum. Faça sua pesquisa e escolha a empresa que achar melhor, mas não deixe de se assegurar.

 

- Notas fiscais de equipamentos eletrônicos: É uma forma de comprovar que você os comprou no Brasil ou em outro local cujos impostos já foram devidamente pagos. Eu não quis arriscar e levei as notas dos equipamentos fotográficos que estava carregando. Se você estiver levando notebook, máquinas de maior valor e afins, não custa nada levar as notas, caso ainda as tenha. Não ocupa espaço e te dá mais tranquilidade. Mas eu precisei usar? Não. Nem mesmo na declaração aduaneira eu precisei registrar, porque era considerado “uso turístico”. Então é quase uma questão opcional, vai de cada um.

 

- Todos os papeis que você receber: Guarde TODOS. Muitos deles você irá precisar quando estiver retornando ou saindo daquele país, e perde-los é uma dor de cabeça que você quer evitar. Nós já aproveitamos a pastinha pra ir guardando tudo, de documentos de imigração até recibo carimbado de passeio. Sem falar que é a melhor forma de você se recordar dos lugares que visitou, os nomes, a ordem das coisas que viu, etc.

 

NO MONEY BELT:

  • Dólares
    Reais
    Passaporte
    Chave reserva do cadeado

 

O uso do money belt (uma espécie de cinto onde se guarda documentos e dinheiro e que se usa por baixo da roupa) é altamente recomendável. Deixar essas coisas na mochila pode ser muito arriscado, porque o principal problema do turismo são os altos índices de furto. Mantenha seu dinheiro e o seu passaporte com você o tempo todo, e só tire para tomar banho. Durante o único e pequeno momento em que nos afastamos do nosso money belt na viagem, deu merda. Então não se arrisquem.

 

Ah, outra dica é não deixar o cartão de crédito junto com o dinheiro e o passaporte. Por segurança, é melhor que ele esteja em um local separado. Se você for furtado ou perder seu money belt, terá o cartão para emergência. No nosso caso, deixávamos o dinheiro e o passaporte no money belt e o cartão de crédito guardado na mochila. O mesmo vale para as chaves do cadeado. Mantenha a chave reserva guardada em um local separado.

 

PREPARATIVOS PARA A VIAGEM:

 

Bom, a preparação pra essa viagem começou lá em agosto de 2014, mais ou menos. Quando digo “preparação” leia-se “- Bora viajar pela América do Sul ano que vem? - Bora! - Então fechou!”. De lá pra cá, muita pesquisa, muito rabisco, muita mudança de planos e muito obstáculo. Isso é normal, não se assustem. Se querem atingir o grande objetivo de viajar pelo mundo, estejam preparados para enfrentar de tudo um pouco.

 

As únicas coisas que compramos com antecedência foram as passagens aéreas BRA x BOL, o aéreo Santa Cruz x Sucre, o Seguro Viagem e os ingressos para Machu Picchu + Huaynapicchu, pois, se você deseja subir este último, é necessário comprar com meses de antecedência (a subida ao Huaynapicchu é limitada a dois grupos de 200 turistas por dia). Pegamos uma promoção da GOL e pagamos R$ 574,77 no trecho ida e volta SP/Guarulhos (GRU) x (VVI) Santa Cruz de la Sierra/Viru-Viru (fiquem atentos aos grandes feirões de promoção que costumam acontecer a cada dois meses em média). O trecho VVI x SRE/Sucre optamos por fazer de avião, e pagamos US$ 55. Já o Seguro Viagem, pagamos R$ 140 para cobertura Mochilão / 26 dias / Bolívia, Chile e Peru.

 

Tudo ia dando certo, dinheirinho na poupança todo mês, 13º dando aquele help, planejamento seguindo nos conformes. Masssss a calmaria antecede a tempestade, meus jovens. E foi só chegar nos últimos dois meses antes da viagem que o Universo começou a dizer “Tá achando que vai ser fácil assim, cara pálida? Negativo”.

 

Pra começar, o dólar, que já não parava de subir, decidiu entrar num foguete e decolar rumo à estratosfera. E como só compraríamos os dólares na véspera da viagem... nos F*DEMOS bonito. Só em março foi um aumento de R$ 0,35 (trinta e cinco f*cking centavos). E isso só nos deixou com duas opções: injetar mais dinheiro pra compensar a subida ou economizar ainda mais pra compensar a queda. Acabamos optando por um pouco de cada.

 

Ok, alta do dólar devidamente “digerida”, seguíamos com os preparativos finais. Mas aí o Universo deu aquela risada de deboche e disse “Pensam que acabou? Então peraí...”, e resolveu mandar o que parecia ser algo bem simples tipo O FIM DO MUNDO:

 

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Vulcões em erupção no Chile. “-Beleza, acontece.”

Dilúvio no Atacama. “-Oi??? Dilúvio na p*rra do deserto mais seco do mundo?!”

Terremoto de 5,8 com alerta de tsunami. “-Véi, na boa...”

Crise política se agrava no Peru. “-MAIS GRAVE VAI FICAR QUANDO EU CHEGAR AÍ!!!1”

 

Sacomé, a gente é mochileiro, e mochileiro brasileiro não desiste nunca. Ignoramos todo o caos, a zica e as 14 velas acesas por nossas mães e partimos rumo ao Apocalipse. Afinal, se é pra curtir o fim do mundo, que pelo menos seja de mochila nas costas batendo perna por aí, né não?

 

PRÓXIMO CAPÍTULO: Partiu Mochilão!!! Santa Cruz de la Sierra, Sucre e... o mal da altitude. ::dãã2::

Editado por rodrigovix

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Oi, Rodrigo! =)

 

Ansiosa aqui para ler os próximos capítulos.

Vou fazer o mesmo roteiro agora dia 17/12 até 12/01 (27 dias) e seu relato está me ajudando muuuuito!

 

Vi que tais na correria e é provável que eu não consiga acompanhar por aqui, falta só um mês pra minha viagem e falta fechar muita coisa ainda.

Achas que rola me mandar o teu pré-roteiro? (sem todos os detalhes emocionantes)

Eu agradeceria bastante. Segue meu e-mail: dianicaroline@gmail.com

 

Valeu!

Diani

 

Diani !pretende gastar quanto nessa trip? (Sem passagens até Santa Cruz)

Vou em abril, 26 dias!

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Oi, Rodrigo! =)

 

Ansiosa aqui para ler os próximos capítulos.

Vou fazer o mesmo roteiro agora dia 17/12 até 12/01 (27 dias) e seu relato está me ajudando muuuuito!

 

Vi que tais na correria e é provável que eu não consiga acompanhar por aqui, falta só um mês pra minha viagem e falta fechar muita coisa ainda.

Achas que rola me mandar o teu pré-roteiro? (sem todos os detalhes emocionantes)

Eu agradeceria bastante. Segue meu epó-mail: dianicaroline@gmail.com

 

Valeu!

Diani

 

Diani !pretende gastar quanto nessa trip? (Sem passagens até Santa Cruz)

Vou em abril, 26 dias!

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Estou adorando seu relato... continue assim, está ótimo! Vou fazer essa trip em julho do ano q vem, esperando ansiosa pelos próximos capítulos!

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Capítulo novo deve sair em breve, pessoal. Até o fds eu posto. ::tchann::

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Capítulo novo deve sair em breve, pessoal. Até o fds eu posto. ::tchann::

 

 

to esperando ! ::hãã2::

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Capítulo 17: O lindo – e traumatizante – caminho até Aguas Calientes.

 

16/04/15

 

Eu já havia lido bastante sobre o caminho que levava à hidrelétrica de Santa Teresa. Estradas sem asfalto, beirada por barrancos e penhascos, muitas pedras e cascalhos. Mas não estava muito apreensivo por conta disso. Além de gostar da adrenalina, costumo me apegar ao lado racional da probabilidade nessas horas. Igual viajar de avião. Mas o que eu não poderia prever era que aquela viagem me traumatizaria de uma outra forma rs.

 

Acordamos bem cedo nesse dia. A van passou para nos pegar às 6h. Demos uma volta pela cidade buscando o restante do grupo e, então, seguimos viagem. Uma parada para o café da manhã estava prevista para as 8h, numa lanchonete de beira de estrada.

 

Chegando lá, uma chuvinha agradável já dava as caras. Eu não estava com tanta vontade de comer, me sentia um pouco enjoado. “Náusea matinal”, pensei. Pagamos 6 soles cada na opção mais barata disponível: um pão com queijo e um café simples. E até que estava gostosinho.

 

Voltamos pra van e seguimos nosso rumo. O motorista havia nos avisado que, a partir dali, só voltaríamos a parar para o almoço, meia hora antes do nosso destino final. Ou seja, as próximas quase 5 horas seriam dentro da van, sem parada.

 

Uns 20 minutos depois de partirmos, aquela náusea já se fazia mais presente. Eu, que não sou de enjoar em viagem, comecei a ficar preocupado. Meia hora depois disso, senti a primeira pontada na barriga. Aí sim eu fiquei preocupado de vez.

 

As próximas duas horas que se seguiram foram de um mau humor tremendo da minha parte. Eu lutava contra um enjoo e uma dor de barriga. Até aquele momento, ambos estavam sob um pseudo-controle. Num primeiro momento, pensei no pão do café da manhã. Mas logo descartei a hipótese, porque vários comeram dele, e todos estavam bem. Sem falar que eu já estava me sentindo estranho antes mesmo do café da manhã. A única coisa então era... o molho em Cusco na noite anterior.

 

Eu já estava suando frio. Seguíamos por aquelas estradas horríveis, chacoalhando sem parar. No começo, não senti necessidade de pedir ninguém pra parar em nenhum lugar, isso por diversos motivos: 1) eu achava que aguentaria até a próxima parada, 2) o motorista disse que não iria parar e que deveríamos usar o banheiro antes, 3) eu iria chamar a atenção de todos por conta disso e 4) não havia nenhum lugar além de barranco seco e penhasco, então não adiantaria muito.

 

Antenor fez esse vídeo de um pedacinho da estrada. Vejam vocês mesmos.

 

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[/media]

 

Num certo ponto da viagem, eu comecei a ter tanta cólica, suava tão frio, que todos os meus músculos se contraíam. Até os dedos dos pés sentiam dor. Antenor tentava conversar comigo, me chamando a atenção para as coisas que ele via na paisagem, e tudo o que eu sentia vontade era dar uma cotovelada na boca dele de tão mau humorado e que eu não estava afim de ver P****RA de paisagem NENHUMA ::grr:: kkkkkk. Coitado, mal sabia. Eu estava ali, olhando pra frente, quieto, concentrado na única coisa que importava na minha vida naquele momento: não-cagar-nas-calças.

 

Uma hora... duas horas... e nada de chegar. “Mais meia hora”, ele falava, e, depois de meia hora, “mais 20 minutos”, e, depois de 20 minutos, “mais uns 15 minutinhos”. Naquele momento eu estava tendo cólica de 20 em 20 segundos, tipo mulher em trabalho de parto, só que o neném seria outro KKKKK. Eu já não tinha controle nenhum a não ser a fé e a oração em todas as santidades existentes. Fiz 14 promessas, 40 pai-nossos, pedi perdão por todos os meus pecados. Tudo o que eu queria era aguentar até a nossa parada pro almoço.

 

Engraçado que muitas pessoas depois, quando contei essa história, falavam comigo “Mas por que você não pediu pra parar a van? Por que não saiu dali? Nem que fosse em qualquer lugar...” MEUS AMIGOS, eu simplesmente não tinha força sequer para FALAR. Se eu pronunciasse um “A” pro motorista, a barragem da Samarco iria estourar ali naquela van e eu viraria piada internacional nas manchetes “El Mochilero Cagon de Machupicchu”.

 

Quando o motorista falou “depois daquela curva chegaremos” eu tive uma carga de ânimo pra aguentar mais um pouco. Aí quando ele vira a curva eu vejo mais trezentas e sessenta e sete curvas pela frente, chacoalhando e pulando o tempo todo. O duelo interno continuava, a pior batalha da minha vida.

 

Nesse momento, eu já estava me conformando com a desgraça e pensando em possíveis estratégias. Fugir para o himalaia, mudar de nome, até mesmo assassinar todas as testemunhas (brincadeira, vai que a PF tá lendo isso). O pessoal na van tava com medo de cair nos penhascos, e eu mais preocupado com o fato de cair no penhasco e morrer cagado lá em baixo, e o povo pensar que eu morri me borrando de medo.

 

Por uns 3 ou 4 instantes, eu jurava que tinha perdido a guerra, jurava que a coisa ia ceder, literalmente. Mas conseguia controlar. Sentia dor até na orelha a cada contração, cada cólica contida. Foi a viagem inteira imóvel, calado, olhando apenas pra frente, respirando fundo e concentrado em manter minha dignidade hahaha. Sério, foi, de longe, a pior viagem da minha vida. Hoje eu dou risada, mas foi muito triste lá na hora.

 

Quando eu já havia desistido, surge o primeiro sinal de civilização. Quase caiu uma lágrima. Só não caiu porque até meu canal lacrimal devia ter sido convocado pra guerra interna contra a caganeira que tava rolando lá no meu intestino. Uns 10 minutos depois, ele parou em frente a um restaurante, e eu nem sei se tinha alguém na minha frente, só sei que sai empurrando todo mundo e fui correndo pro banheiro de um bar que tinha ao lado. “Baño 1 sole” estava escrito. Pois eu pagaria até a minha mãe naquela hora. Entrei direto e fechei a porta.

 

Aqui vou poupar-lhes do que aconteceu lá dentro, porque esse capítulo já tá nojento demais. Mas digamos que ao sair quase deixei uns 10 soles, de tanta dó que senti da dona do bar.

 

Nessa hora, Antenor já estava me procurando, porque todo mundo tava terminando de almoçar e eu tinha sumido. Expliquei toda a situação pra ele e ele, enfim, entendeu por que eu estava estranho e calado a viagem toda. Pedimos uma refeição leve e, apesar de eu não estar com muita fome, sabia que aquilo me faria bem. O time lá dentro precisava de um reforço depois de vencer a maior batalha de nossas vidas hahaha. Pagamos 10 soles num menu que incluía uma sopinha de quinoa.

 

Esqueci de falar que ali onde paramos para o almoço é a cidade de Santa Teresa. Seguimos viagem e, meia hora depois, chegamos à hidrelétrica, o ponto mais próximo de Machu Picchu que os veículos conseguem chegar. Dali em diante, só de trem ou andando.

 

O local concentra várias vans e tem vários mochileiros iniciando a trilha, então é bem tranquilo. O motorista já deixa combinado que todos devem estar de volta àquele local até as 13h30 do dia em que está marcado o retorno a Cusco.

 

Começamos a nossa trilha logo que chegamos, por volta das 13h40. O local é todo sinalizado, então não há problema nenhum. No começo, tem umas subidinhas bobas, mas logo o caminho fica inteiramente plano, e a gente segue junto ao trilho do trem. Há um bom espaço nas laterais, e você escuta o trem bem de longe dando sinal, então é só chegar pro lado e ficar aguardando ele passar. A média de duração da trilha é de 2 horas (pessoal mais rápido) até 4 horas (pessoal que anda mais devagar). Como eu não estava nas melhores condições, acabamos fazendo em 2h40.

 

Eu nem sei se devo contar isso, porque esse capítulo já tá uma *merda* kkkk, e foi uma situação ainda mais constrangedora, mas, enfim, tô sendo sincero aqui, e é bom pra saber que pode acontecer com qualquer um. Mas logo no início da caminhada veio um contra ataque insuportável daquela cólica. Quase chorei de dor. Larguei tudo no chão, peguei o papel higiênico na mochila e corri pra uma mata fechada. Foi a primeira vez na vida que passei por uma situação dessa kkkk, mas nessas horas você perde a vergonha, perde o medo, perde tudo, só não perde a dignidade. Teeeeenso! ::tchann::

 

Juro que até hoje estou esperando chegar uma maldição Inca como punição por esse sacrilégio em solo sagrado. ::lol4:: Bom, pelo menos era adubo. kkkkk

 

Mas chega de papo nojento!!! Vamos falar de coisa agradável agora.

 

A trilha é LINDA! Se você gosta de natureza, vai adorar caminhar por aquele lugar. Mesmo passando mal, segui o caminho todo curtindo aquela vibe, tomando muita água e comendo muita fruta (granadilla, minha preferida nessa trip).

 

Vou deixar as fotos falarem por mim.

 

22595544393_32c7c3584d_k.jpg02_trilha_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Iniciando a trilha.

 

22854660499_e31313adb2_k.jpg03_trilha_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Logo no início já dá pra avistar a local de Machu Picchu.

 

22595513113_1d01eb56d7_k.jpg04_trilha_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Trilha até Aguas Calientes.

 

23222582445_079f0de5df_k.jpg05_trilha_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Trilha até Aguas Calientes. Natureza de tirar o fôlego.

 

22828405127_26afa9f4ac_k.jpg06_trilha_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Trilha até Aguas Calientes.

 

22926734240_0c65a372f6_k.jpg07_trilha_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Trilha até Aguas Calientes.

 

22926720330_6868e1c1c1_k.jpg08_trilha_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Trilha até Aguas Calientes. Que tal uma parada para se refrescar?

 

23222521435_0f3b945811_k.jpg09_trilha_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Trilha até Aguas Calientes. Aguardando o trem passar.

 

No final da trilha, é preciso muita atenção. Isso porque não devemos continuar seguindo pelo trilho do trem, e sim descer por um outro caminho. Se você seguir pelo trilho, irá passar pelo túnel, que é proibido. Se o trem passa ali na hora, não tem “acostamento” pra você se proteger, aí já era. Muito cuidado com isso. Tem um pessoal que avisa, mas nem sempre eles estão ali. Então observem bem o caminho.

 

divisao_de_caminhos.JPG.5acc69b005b00597494e8aa5408430a9.JPG

 

De longe, avistamos a cidadezinha de Machupicchu Pueblo (ou Aguas Calientes, como é mais conhecida pelos mochileiros). Eu fiquei encantado. Ela é muito charmosa. E quando cai a noite, fica mais bonita ainda.

 

22854560579_78531cfaa9_k.jpg10_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Machupicchu Pueblo (Aguas Calientes).

 

23222497265_07e67b10b3_k.jpg11_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Machupicchu Pueblo (Aguas Calientes).

 

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Machupicchu Pueblo (Aguas Calientes).

 

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Machupicchu Pueblo (Aguas Calientes).

 

22854514199_c64375de81_k.jpg14_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

 

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Machupicchu Pueblo (Aguas Calientes).

 

23222443945_5f23b0ce7a_k.jpg16_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Machupicchu Pueblo (Aguas Calientes).

 

Ficamos hospedados no hostel Supertramp. Quarto compartilhado, banheiros legais, tem até uma lanchonete/restaurante/pizzaria onde é servido o café da manhã. Achei bem legal. Pagamos 60 soles cada por 2 diárias.

 

Tomamos um banho pra tirar aquela “nhaca” da viagem e da trilha, e saímos pra jantar. Optamos por comer algo mais leve, obviamente.

 

Aguas Calientes é uma cidade totalmente turística. Vive em função de Machu Picchu. Então não espere os mesmos preços de Cusco. Entretanto, a concorrência pelo turista é alta, e pesquisando você acha coisa boa. Nós achamos um restaurante super bonitinho, não me conformo até agora de não ter anotado o nome pra passar pra vocês. Mas pagamos 13 soles num menu completo: entrada de salada (bem simples) + sopa + prato principal + sobremesa (bem simples, banana com doce de leite) + bebida. Um copo de limonada peruana. Estava muito gostoso e achei muito barato pelo que comemos, ainda mais na cidade onde estávamos. A limonada leva uma colherzinha pequena de clara de ovo na hora de batê-la. Não fique com nojo, experimente sem preconceito. Eu achei delicioso.

 

Depois de jantar, tomei uma decisão não programada. Nós originalmente subiríamos até Machu Picchu andando. Só que eu não estava nas melhores das condições, e nós já iriamos subir o Huaynapicchu também. Acabamos comprando um ticket somente de subida no ônibus que vai até lá em cima. É uma facada, 12 dólares pra meia horinha de zigue-zague. Mas não tinha outra opção.

 

tabela_de_precos.JPG.7af96f3e33ef59a9a4c1296c9a358022.JPG

 

Voltamos pro hostel e fomos dormir cedo. Eu estava meio febril, e no outro dia levantaríamos cedo pra entrar no parque logo no horário de abertura. Faltava muito pouco para, enfim, conhecer uma das grandes maravilhas do nosso mundo.

 

E QUE MARAVILHA, meus amigos!!! ::hahaha::

 

SALDO DO DIA:

s/6 desayuno

s/1 baño (banheiro)

s/10 almoço

s/60 duas diárias Supertramp

US$/14 bus ticket subida Machu Picchu

TOTAL: s/77 + US$ 12 (US$ 35)

 

Próximo capítulo: Machu Picchu, a Cidade Perdida dos Incas... e uma noite no hospital.

Editado por Visitante

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Capítulo 17: O lindo – e traumatizante – caminho até Aguas Calientes.

 

16/04/15

 

Eu já havia lido bastante sobre o caminho que levava à hidrelétrica de Santa Teresa. Estradas sem asfalto, beirada por barrancos e penhascos, muitas pedras e cascalhos. Mas não estava muito apreensivo por conta disso. Além de gostar da adrenalina, costumo me apegar ao lado racional da probabilidade nessas horas. Igual viajar de avião. Mas o que eu não poderia prever era que aquela viagem me traumatizaria de uma outra forma rs.

 

Acordamos bem cedo nesse dia. A van passou para nos pegar às 6h. Demos uma volta pela cidade buscando o restante do grupo e, então, seguimos viagem. Uma parada para o café da manhã estava prevista para as 8h, numa lanchonete de beira de estrada.

 

Chegando lá, uma chuvinha agradável já dava as caras. Eu não estava com tanta vontade de comer, me sentia um pouco enjoado. “Náusea matinal”, pensei. Pagamos 6 soles cada na opção mais barata disponível: um pão com queijo e um café simples. E até que estava gostosinho.

 

Voltamos pra van e seguimos nosso rumo. O motorista havia nos avisado que, a partir dali, só voltaríamos a parar para o almoço, meia hora antes do nosso destino final. Ou seja, as próximas quase 5 horas seriam dentro da van, sem parada.

 

Uns 20 minutos depois de partirmos, aquela náusea já se fazia mais presente. Eu, que não sou de enjoar em viagem, comecei a ficar preocupado. Meia hora depois disso, senti a primeira pontada na barriga. Aí sim eu fiquei preocupado de vez.

 

As próximas duas horas que se seguiram foram de um mau humor tremendo da minha parte. Eu lutava contra um enjoo e uma dor de barriga. Até aquele momento, ambos estavam sob um pseudo-controle. Num primeiro momento, pensei no pão do café da manhã. Mas logo descartei a hipótese, porque vários comeram dele, e todos estavam bem. Sem falar que eu já estava me sentindo estranho antes mesmo do café da manhã. A única coisa então era... o molho em Cusco na noite anterior.

 

Eu já estava suando frio. Seguíamos por aquelas estradas horríveis, chacoalhando sem parar. No começo, não senti necessidade de pedir ninguém pra parar em nenhum lugar, isso por diversos motivos: 1) eu achava que aguentaria até a próxima parada, 2) o motorista disse que não iria parar e que deveríamos usar o banheiro antes, 3) eu iria chamar a atenção de todos por conta disso e 4) não havia nenhum lugar além de barranco seco e penhasco, então não adiantaria muito.

 

Antenor fez esse vídeo de um pedacinho da estrada. Vejam vocês mesmos.

 

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Num certo ponto da viagem, eu comecei a ter tanta cólica, suava tão frio, que todos os meus músculos se contraíam. Até os dedos dos pés sentiam dor. Antenor tentava conversar comigo, me chamando a atenção para as coisas que ele via na paisagem, e tudo o que eu sentia vontade era dar uma cotovelada na boca dele de tão mau humorado e que eu não estava afim de ver P****RA de paisagem NENHUMA ::grr:: kkkkkk. Coitado, mal sabia. Eu estava ali, olhando pra frente, quieto, concentrado na única coisa que importava na minha vida naquele momento: não-cagar-nas-calças.

 

Uma hora... duas horas... e nada de chegar. “Mais meia hora”, ele falava, e, depois de meia hora, “mais 20 minutos”, e, depois de 20 minutos, “mais uns 15 minutinhos”. Naquele momento eu estava tendo cólica de 20 em 20 segundos, tipo mulher em trabalho de parto, só que o neném seria outro KKKKK. Eu já não tinha controle nenhum a não ser a fé e a oração em todas as santidades existentes. Fiz 14 promessas, 40 pai-nossos, pedi perdão por todos os meus pecados. Tudo o que eu queria era aguentar até a nossa parada pro almoço.

 

Engraçado que muitas pessoas depois, quando contei essa história, falavam comigo “Mas por que você não pediu pra parar a van? Por que não saiu dali? Nem que fosse em qualquer lugar...” MEUS AMIGOS, eu simplesmente não tinha força sequer para FALAR. Se eu pronunciasse um “A” pro motorista, a barragem da Samarco iria estourar ali naquela van e eu viraria piada internacional nas manchetes “El Mochilero Cagon de Machupicchu”.

 

Quando o motorista falou “depois daquela curva chegaremos” eu tive uma carga de ânimo pra aguentar mais um pouco. Aí quando ele vira a curva eu vejo mais trezentas e sessenta e sete curvas pela frente, chacoalhando e pulando o tempo todo. O duelo interno continuava, a pior batalha da minha vida.

 

Nesse momento, eu já estava me conformando com a desgraça e pensando em possíveis estratégias. Fugir para o himalaia, mudar de nome, até mesmo assassinar todas as testemunhas (brincadeira, vai que a PF tá lendo isso). O pessoal na van tava com medo de cair nos penhascos, e eu mais preocupado com o fato de cair no penhasco e morrer cagado lá em baixo, e o povo pensar que eu morri me borrando de medo.

 

Por uns 3 ou 4 instantes, eu jurava que tinha perdido a guerra, jurava que a coisa ia ceder, literalmente. Mas conseguia controlar. Sentia dor até na orelha a cada contração, cada cólica contida. Foi a viagem inteira imóvel, calado, olhando apenas pra frente, respirando fundo e concentrado em manter minha dignidade hahaha. Sério, foi, de longe, a pior viagem da minha vida. Hoje eu dou risada, mas foi muito triste lá na hora.

 

Quando eu já havia desistido, surge o primeiro sinal de civilização. Quase caiu uma lágrima. Só não caiu porque até meu canal lacrimal devia ter sido convocado pra guerra interna contra a caganeira que tava rolando lá no meu intestino. Uns 10 minutos depois, ele parou em frente a um restaurante, e eu nem sei se tinha alguém na minha frente, só sei que sai empurrando todo mundo e fui correndo pro banheiro de um bar que tinha ao lado. “Baño 1 sole” estava escrito. Pois eu pagaria até a minha mãe naquela hora. Entrei direto e fechei a porta.

 

Aqui vou poupar-lhes do que aconteceu lá dentro, porque esse capítulo já tá nojento demais. Mas digamos que ao sair quase deixei uns 10 soles, de tanta dó que senti da dona do bar.

 

Nessa hora, Antenor já estava me procurando, porque todo mundo tava terminando de almoçar e eu tinha sumido. Expliquei toda a situação pra ele e ele, enfim, entendeu por que eu estava estranho e calado a viagem toda. Pedimos uma refeição leve e, apesar de eu não estar com muita fome, sabia que aquilo me faria bem. O time lá dentro precisava de um reforço depois de vencer a maior batalha de nossas vidas hahaha. Pagamos 10 soles num menu que incluía uma sopinha de quinoa.

 

Esqueci de falar que ali onde paramos para o almoço é a cidade de Santa Teresa. Seguimos viagem e, meia hora depois, chegamos à hidrelétrica, o ponto mais próximo de Machu Picchu que os veículos conseguem chegar. Dali em diante, só de trem ou andando.

 

O local concentra várias vans e tem vários mochileiros iniciando a trilha, então é bem tranquilo. O motorista já deixa combinado que todos devem estar de volta àquele local até as 13h30 do dia em que está marcado o retorno a Cusco.

 

Começamos a nossa trilha logo que chegamos, por volta das 13h40. O local é todo sinalizado, então não há problema nenhum. No começo, tem umas subidinhas bobas, mas logo o caminho fica inteiramente plano, e a gente segue junto ao trilho do trem. Há um bom espaço nas laterais, e você escuta o trem bem de longe dando sinal, então é só chegar pro lado e ficar aguardando ele passar. A média de duração da trilha é de 2 horas (pessoal mais rápido) até 4 horas (pessoal que anda mais devagar). Como eu não estava nas melhores condições, acabamos fazendo em 2h40.

 

Eu nem sei se devo contar isso, porque esse capítulo já tá uma *merda* kkkk, e foi uma situação ainda mais constrangedora, mas, enfim, tô sendo sincero aqui, e é bom pra saber que pode acontecer com qualquer um. Mas logo no início da caminhada veio um contra ataque insuportável daquela cólica. Quase chorei de dor. Larguei tudo no chão, peguei o papel higiênico na mochila e corri pra uma mata fechada. Foi a primeira vez na vida que passei por uma situação dessa kkkk, mas nessas horas você perde a vergonha, perde o medo, perde tudo, só não perde a dignidade. Teeeeenso! ::tchann::

 

Juro que até hoje estou esperando chegar uma maldição Inca como punição por esse sacrilégio em solo sagrado. ::lol4:: Bom, pelo menos era adubo. kkkkk

 

Mas chega de papo nojento!!! Vamos falar de coisa agradável agora.

 

A trilha é LINDA! Se você gosta de natureza, vai adorar caminhar por aquele lugar. Mesmo passando mal, segui o caminho todo curtindo aquela vibe, tomando muita água e comendo muita fruta (granadilla, minha preferida nessa trip).

 

Vou deixar as fotos falarem por mim.

 

22595544393_32c7c3584d_k.jpg02_trilha_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Iniciando a trilha.

 

22854660499_e31313adb2_k.jpg03_trilha_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Logo no início já dá pra avistar a local de Machu Picchu.

 

22595513113_1d01eb56d7_k.jpg04_trilha_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Trilha até Aguas Calientes.

 

23222582445_079f0de5df_k.jpg05_trilha_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Trilha até Aguas Calientes. Natureza de tirar o fôlego.

 

22828405127_26afa9f4ac_k.jpg06_trilha_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Trilha até Aguas Calientes.

 

22926734240_0c65a372f6_k.jpg07_trilha_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Trilha até Aguas Calientes.

 

22926720330_6868e1c1c1_k.jpg08_trilha_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Trilha até Aguas Calientes. Que tal uma parada para se refrescar?

 

23222521435_0f3b945811_k.jpg09_trilha_aguas_calientes by Rodrigo Alcure, no Flickr

Trilha até Aguas Calientes. Aguardando o trem passar.

 

No final da trilha, é preciso muita atenção. Isso porque não devemos continuar seguindo pelo trilho do trem, e sim descer por um outro caminho. Se você seguir pelo trilho, irá passar pelo túnel, que é proibido. Se o trem passa ali na hora, não tem “acostamento” pra você se proteger, aí já era. Muito cuidado com isso. Tem um pessoal que avisa, mas nem sempre eles estão ali. Então observem bem o caminho.

 

IMG_20170806_135123126.thumb.jpg.3fd6adee03e168a086db7ea838c59550.jpgtabela_de_precos.JPG[/attachment]

 

Voltamos pro hostel e fomos dormir cedo. Eu estava meio febril, e no outro dia levantaríamos cedo pra entrar no parque logo no horário de abertura. Faltava muito pouco para, enfim, conhecer uma das grandes maravilhas do nosso mundo.

 

E QUE MARAVILHA, meus amigos!!! ::hahaha::

 

SALDO DO DIA:

s/6 desayuno

s/1 baño (banheiro)

s/10 almoço

s/60 duas diárias Supertramp

US$/14 bus ticket subida Machu Picchu

TOTAL: s/77 + US$ 12 (US$ 35)

 

Próximo capítulo: Machu Picchu, a Cidade Perdida dos Incas.

 

Rodrigo , que aperto hein mano?puuuts

Vc foi um cara forte hein conseguir esperar a próxima parada, eu já teria liberado a Samarco ::essa::

E depois pular o penhasco de tanta vergonha! ::sos::::putz::::putz::

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Oi,

 

Eu to planejando essa viagem faz tempinho, então me preparei financeiramente também.

Meu orçamento geral é de R$ 5.000, já gastei R$ 1.400 nas passagens (ida e volta até sta cruz).

 

::cool:::'>

Di

 

 

 

Oi, Rodrigo! =)

 

Ansiosa aqui para ler os próximos capítulos.

Vou fazer o mesmo roteiro agora dia 17/12 até 12/01 (27 dias) e seu relato está me ajudando muuuuito!

 

Vi que tais na correria e é provável que eu não consiga acompanhar por aqui, falta só um mês pra minha viagem e falta fechar muita coisa ainda.

Achas que rola me mandar o teu pré-roteiro? (sem todos os detalhes emocionantes)

Eu agradeceria bastante. Segue meu e-mail: dianicaroline@gmail.com

 

Valeu!

Diani

 

Diani !pretende gastar quanto nessa trip? (Sem passagens até Santa Cruz)

Vou em abril, 26 dias!

Postado
  • Membros

Valeu, Rodrigo!

Vou fechar o meu roteiro ainda essa semana e te mando sim. =)

Obrigada pela dica.

 

Di

 

 

Oi, Rodrigo! =)

 

Ansiosa aqui para ler os próximos capítulos.

Vou fazer o mesmo roteiro agora dia 17/12 até 12/01 (27 dias) e seu relato está me ajudando muuuuito!

 

Vi que tais na correria e é provável que eu não consiga acompanhar por aqui, falta só um mês pra minha viagem e falta fechar muita coisa ainda.

Achas que rola me mandar o teu pré-roteiro? (sem todos os detalhes emocionantes)

Eu agradeceria bastante. Segue meu e-mail: dianicaroline@gmail.com

 

Valeu!

Diani

 

Ei, Diani. Então, eu perdi minha planilha, então só poderei construir uma após ter passado todo o relato a limpo. Por isso não anexei nenhuma ao tópico ainda. Manda uma DM pra mim com as suas principais dúvidas que eu vou tentando esclarecê-las, pode ser? Assim dá pra te ajudar um pouco. Obs.: evite colocar seu e-mail aqui nos posts porque os "robôs" que fazem leitura na net acabam copiando pra ficar mandando SPAM e propaganda.

 

Abraço!

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