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Olá viajante!

Bora viajar?

Bolívia + Chile + Peru (26 dias - abril/2015) TUDO por 1.600 dólares!

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Mochilao_Bolivia-Chile-Peru_Rodrigo-Alcure.jpg.741e387d178ddd322198652d1343aa71.jpg

 

Índice do Relato:

[Pag. 1] Capítulo 1: Preparativos para a viagem

[Pag. 1] Capítulo 2: Santa Cruz de la Sierra, Sucre e... o mal da altitude.

[Pag. 4] Capítulo 3: Enfim Uyuni! Três dias inesquecíveis.

[Pag. 6] Capítulo 4: Vulcões, desertos e as Lagunas Altiplânicas.

[Pag. 8] Capítulo 5: ¡Adiós, Uyuni! A beleza dos Geisers e o sofrimento dos -10ºC.

[Pag. 10] Capítulo 6: Os encantos de San Pedro de Atacama.

[Pag. 11] Capítulo 7: As Piedras Rojas, as Lagunas Altiplanicas e o Salar de Atacama.

[Pag. 12] Capítulo 8: O Salar de Tara e o adeus a Atacama.

[Pag. 15] Capítulo 9: De Arica para Tacna: cruzando a fronteira com o Peru.

[Pag. 16] Capítulo 10: Ô Maria esta suruba me excita... Arequipa! Arequipa! Arequipa!

[Pag. 17] Capítulo 11: De um luxuoso ceviche à muvuca do Mercado San Camilo.

[Pag. 20] Capítulo 12: Dois dias de calotes, perrengues e superação pelo magnífico Cañon del Colca. [1ª Parte]

[Pag. 20] Capítulo 12: Dois dias de calotes, perrengues e superação pelo magnífico Cañon del Colca. [2ª Parte]

[Pag. 22] Capítulo 13: Oásis são reais! Um dia de muita diversão pelas dunas de Huacachina.

[Pag. 22] Capítulo 14: As Islas Ballestas e a Reserva Nacional de Paracas: um passeio pelo Oceano Pacífico.

[Pag. 24] Capítulo 15: Cusco, a cidade histórica.

[Pag. 26] Capítulo 16: O Vale Sagrado dos Incas.

[Pag. 29] Capítulo 17: O lindo – e traumatizante – caminho até Aguas Calientes.

[Pag. 34] Capítulo 18: Machu Picchu, a Cidade Perdida dos Incas... e uma noite no hospital.

[Pag. 38] Capítulo 19: Até a próxima, Machu Picchu! É hora de seguir para Puno.

[Pag. 39] Capítulo 20: Puno e o passeio pelas Islas Flotantes de Uros e Isla Taquile.

[Pag. 44]Capítulo 21: Cruzando a fronteira com a Bolívia rumo a Copacabana.

[Pag. 46] Capítulo 22: Os encantos da Isla del Sol.

[Pag. 49] Capítulo 23: O adeus à Isla del Sol. É chegada a hora de conhecer a caótica La Paz.

[Pag. 51] Capítulo 24: Chacaltaya, Valle de la Luna... e o dia em que fomos furtados.

[Pag. 57] Capítulo 25: O eletrizante downhill pela Carretera de la Muerte.

[Pag. 62] Capítulo 26: ¡Hasta la vista, baby! É hora de voltar pra casa.

[Pag. 62] Capítulo 27: Agradecimentos.

 

::hãã2:: Instagram em que costumo(ava) postar tudo quando viajo:

@queridopassaporte (não o utilizo mais, está bem desatualizado, mas tem umas publicações legais por lá)

Qualquer dúvida, estou à disposição no meu perfil pessoal: @rodrigoalcure

 

Editado:

Baixe o PDF com o relato completo:

relato_rodrigovix_mochilao_bolivia_chile_peru.pdf

Outra opção de download:

https://drive.google.com/file/d/1ttiGF8sYfNmXsc2HU72XfwKKePhJ4jiY/view

(Agradecimentos à Fernanda Arruda por ter compilado o relato em pdf pra gente - página 47)

 

 

Salve, salve, mochileiros deste Brasil varonil!

 

Cá estou eu prazerosamente cumprindo minha obrigação de compartilhar o relato da viagem que fiz em abril deste ano. Digo “obrigação” mesmo, porque me sinto moralmente obrigado a ajudar o mínimo que seja no planejamento da viagem dos próximos mochileiros, uma vez que 99%, se não 199%, se não 27.569%, se não 6,02x10²³% (aulas de química? alguém lembra? hehedeusmelivrehehe) do meu planejamento se devem aos relatos e informações presentes aqui neste fórum. Por isso, já vou logo deixando o meu MUITO OBRIGADO, CAMBADA!!!

 

Antes de mais nada, devo informar que este relato será cheio de texto, informações e fotos (muitas fotos). Portanto, praquela galera menos paciente que gosta de ir direto ao assunto, farei, ao final, uma versão resumida com as principais informações, belê?

 

O ROTEIRO:

 

O roteiro já é um clássico aqui no mochileiros. A chegada por Santa Cruz de la Sierra, seguindo pra Uyuni, depois Atacama, subindo pro Peru e fechando a volta até La Paz é um bom caminho para irmos nos aclimatando gradativamente. Muitos optam pelo caminho inverso e sofrem muito com a brusca mudança de altitude ao chegar em La Paz.

 

mapa_roteiro_bolivia_chile_peru.jpg.1842a58fc66de38e4112b07ef866ea59.jpg

 

  • 01/04 Vitória x São Paulo x Santa Cruz de la Sierra x Sucre
    02/04 Sucre x Uyuni
    03/04 Salar de Uyuni
    04/04 Salar de Uyuni
    05/04 Salar de Uyuni
    05/04 San Pedro de Atacama
    06/04 San Pedro de Atacama
    07/04 San Pedro de Atacama x Arica
    08/04 Arica x Tacna x Arequipa
    09/04 Arequipa
    10/04 Cañon del Colca
    11/04 Cañon del Colca x Arequipa x Ica
    12/04 Huacachina
    13/04 Islas Ballestas + Paracas
    13/04 Ica x Cusco
    14/04 Cusco
    15/04 Cusco (Vale Sagrado)
    16/04 Cusco x Aguas Calientes
    17/04 Machu Picchu
    18/04 Aguas Calientes x Cusco x Puno
    19/04 Puno (Uros + Taquile)
    20/04 Puno x Copacabana
    21/04 Isla del Sol
    22/04 Isla del Sol x Copacabana x La Paz
    23/04 La Paz (Chacaltaya + Valle de la Luna)
    24/04 La Paz (Downhill)
    25/04 La Paz
    26/04 Santa Cruz de la Sierra x São Paulo

 

Quanto ao valor no título (1.600 dólares), ele se refere a PASSAGENS AÉREAS + TRANSPORTE + ALIMENTAÇÃO + HOSPEDAGENS + PASSEIOS durante esses 26 dias. Só não inclui aqui os gastos prévios que tive com vestuário, bota impermeável, mochilas, câmera e equipamentos fotográficos, passaporte, etc., porque isso varia muito de pessoa pra pessoa. E como o custo em reais depende muito do preço do dólar à época, decidi manter em dólar.

 

De toda forma, a quem interessar possa, ficam aqui algumas coisas que comprei:

 

- Bota Timberland Flume Mid Waterproof

http://www.centauro.com.br/bota-timberland-masculina-flume-mid-waterproof-777831.html

 

Pra quem quer investir numa bota impermeável, é uma ótima opção, além de ser esteticamente bonita. Pisei em diversas poças d'água, peguei chuva, e os pés continuaram secos. Ela é até confortável, mas isso não costuma ser a principal característica de botas de trekking, então não espere o conforto de um tênis. Foi o único sapato que usei durante toda a viagem (além do par de chinelos, claro).

 

- Blusa e calça segunda pele (1ª camada), fleece (2ª camada) e casaco corta-vento-e-chuva (3ª camada), money belt, saco de dormir (lençol), mochila, capa para mochila, meias, toalha de secagem rápida e mais uma porrada de coisas eu comprei na Decathlon. É o lugar mais completo e barato para se comprar essas coisas. Deixei uma grana boa por lá. Dá uma olhada no site e, se tiver uma loja perto de você, melhor ainda, dê uma passada lá.

http://www.decathlon.com.br/

 

- Câmera Nikon D5300 kit de lente 18-55mm VR II

http://www.nikon.com.br/Nikon-Products/Product/dslr-cameras/1522/D5300.html

 

- Lente Wide Angle Sigma 10-20mm f4-5.6

https://www.detonashop.com.br/lente-grande-angular-sigma-10-20mm-f-4-5-6-ex-dc-hsm-para-nikon.html

 

- Tripé, filtro polarizador, disparador remoto, etc. eu comprei pelo Mercado Livre.

 

SOBRE AS MOCHILAS...

 

Usei uma Forclaz 50L Quechua...

http://www.decathlon.com.br/montanha-aventura/mochilas-38170/mochila-trecking/mochila-forclaz-50-litros-quechua_167478

 

E uma Targus Spruce EcoSmart de mochila de ataque.

http://targus.com/us/15_6-spruce-ecosmart-backpack-tbb013us

 

Essa da Targus eu já tinha há bastante tempo. É uma mochila mais voltada para notebook, mas como eu não queria gastar com uma mochila de ataque, optei por essa mesmo. Foi nela que carreguei meus equipamentos fotográficos durante todo o tempo.

 

Obs.: É MUITO importante uma mochila de ataque (mochila de menor tamanho) nesse tipo de viagem. Isso evita carregar peso desnecessário em diversos momentos. Não deixe de levar uma.

 

Quanto à mochila de 50L, muitos me questionaram se não era pequena demais pra 26 dias. Minha resposta é: depende. Se você não quiser lavar muita roupa, tem que levar uma maior. Agora, se você busca praticidade, 50L bastam. Levei roupa pra uma semana, mais ou menos, e usava o serviço das lavanderias sempre que necessário. É barato e você acha fácil em qualquer lugar por onde passa.

 

Aqui vai uma relação completa do que levei nessa viagem:

  • 7 camisetas
    1 camisa manga longa segunda pele (1ª camada)
    1 calça segunda pele (1ª camada)
    1 casaco fleece (2ª camada)
    1 casaco impermeável (3ª camada)
    1 calça-bermuda
    3 bermudas
    8 cuecas
    6 pares de meias grossas cano alto
    1 toca
    1 par de luvas
    1 toalha microfibra (secagem rápida)
    1 saco-lençol de dormir
    1 money belt (doleira)
    1 relógio
    1 sabonete
    1 shampoo médio
    1 protetor solar grande
    1 protetor labial
    1 repelente
    2 cadeados
    1 escova de dentes
    1 creme dental
    1 barbeador elétrico
    1 desodorante aerossol
    1 perfume
    1 cortador de unhas
    1 canivete suíço
    1 kit remédios (enjoo, dormir, dores e gripe)
    1 bepantol creme
    1 par de óculos de sol
    1 pacote de lenços umedecidos
    1 celular
    1 carregador
    1 par de fones de ouvido
    1 máquina fotográfica
    1 lente 18-55mm
    1 lente 10-20mm
    2 cartões de memória 32GB
    1 tripé grande
    1 mini-tripé
    1 kit limpeza para câmera
    1 caneta
    1 bloco de anotações
    1 capa de chuva para a mochila
    1 pasta plástica para documentos
    1 carteira com Identidade e Cartão de Crédito Internacional

 

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NA PASTA DE DOCUMENTOS:

  • Cartões de embarque
    Ingresso de Machu Picchu + Huaynapicchu
    Cartão internacional de vacina (ANVISA)
    Certificado do Seguro Viagem
    Nota fiscal dos equipamentos fotográficos
    Todos, eu disse TODOS os papeis que você receber durante a viagem

 

É importante levarmos uma pasta para documentos. Levei uma dessas de plástico maleável, que permite dobrar ao meio e guardar facilmente na mochila. É ali que você vai carregar muita coisa importante, como:

 

- Cartões de embarque: Guarde-os sempre, mesmo quando já tiver realizado o voo. Nunca se sabe.

 

- Ingresso para Machu Picchu: Compramos pelo site oficial, e não por agências. Tentamos com o meu cartão e não consegui, mesmo com a liberação da VISA para compras internacionais. Tentamos com o cartão da minha cunhada, e deu certo. A dúvida então seria quanto à exigência de que o titular do cartão seja um dos que ingressarão no parque. Levamos cópia do cartão e da identidade dela, com medo de sermos barrado na entrada. Quando chegamos lá, nem olharam pra nossa cara direito. Olharam o ingresso, carimbaram a entrada e pronto.

 

- Cartão Internacional de Vacina: A vacina contra febre-amarela, por lei, é obrigatória para ingressar na Bolívia. Se você já tomou essa vacina nos últimos 10 anos, basta ir direto a um posto da ANVISA retirar o seu Certificado Internacional. No meu caso, precisei tomar de novo, porque já não tinha mais a minha carteirinha. Fui a um posto de saúde e me vacinaram na hora. Verifique antes os dias e horários de vacinação do seu posto, pois eles costumam destinar um período específico da semana pra certos tipos de vacina. Depois de vacinado, fui à ANVISA (já tendo feito previamente o cadastro no site deles, que eles pedem mais pra adiantar o atendimento) e lá emitiram o Cartão Internacional de Vacina. Aí você me pergunta, em algum momento pela Bolívia as autoridades nos cobraram este Cartão? A resposta é NÃO, como você pode ler em todos os relatos aqui do fórum. Massss, lei é lei, e você não quer dar sorte ao azar numa viagem dessas, certo? Pois é.

 

- Certificado do Seguro Viagem: Faça um Seguro Viagem. Não chore miséria e nem cogite não fazer numa viagem desse tipo. Eu fiz e foi o que me salvou, pois precisei acioná-lo. É um valor relativamente pequeno (menos de R$200) perto da segurança que é contar com o amparo médico em terras estranhas. Há relatos de pessoas que gastaram fortunas com hospitais por não terem feito o Seguro, portanto não dê essa bobeira. Eu fiz pela Mondial Travel, apenas porque foi o que mais li nas indicações aqui no fórum. Faça sua pesquisa e escolha a empresa que achar melhor, mas não deixe de se assegurar.

 

- Notas fiscais de equipamentos eletrônicos: É uma forma de comprovar que você os comprou no Brasil ou em outro local cujos impostos já foram devidamente pagos. Eu não quis arriscar e levei as notas dos equipamentos fotográficos que estava carregando. Se você estiver levando notebook, máquinas de maior valor e afins, não custa nada levar as notas, caso ainda as tenha. Não ocupa espaço e te dá mais tranquilidade. Mas eu precisei usar? Não. Nem mesmo na declaração aduaneira eu precisei registrar, porque era considerado “uso turístico”. Então é quase uma questão opcional, vai de cada um.

 

- Todos os papeis que você receber: Guarde TODOS. Muitos deles você irá precisar quando estiver retornando ou saindo daquele país, e perde-los é uma dor de cabeça que você quer evitar. Nós já aproveitamos a pastinha pra ir guardando tudo, de documentos de imigração até recibo carimbado de passeio. Sem falar que é a melhor forma de você se recordar dos lugares que visitou, os nomes, a ordem das coisas que viu, etc.

 

NO MONEY BELT:

  • Dólares
    Reais
    Passaporte
    Chave reserva do cadeado

 

O uso do money belt (uma espécie de cinto onde se guarda documentos e dinheiro e que se usa por baixo da roupa) é altamente recomendável. Deixar essas coisas na mochila pode ser muito arriscado, porque o principal problema do turismo são os altos índices de furto. Mantenha seu dinheiro e o seu passaporte com você o tempo todo, e só tire para tomar banho. Durante o único e pequeno momento em que nos afastamos do nosso money belt na viagem, deu merda. Então não se arrisquem.

 

Ah, outra dica é não deixar o cartão de crédito junto com o dinheiro e o passaporte. Por segurança, é melhor que ele esteja em um local separado. Se você for furtado ou perder seu money belt, terá o cartão para emergência. No nosso caso, deixávamos o dinheiro e o passaporte no money belt e o cartão de crédito guardado na mochila. O mesmo vale para as chaves do cadeado. Mantenha a chave reserva guardada em um local separado.

 

PREPARATIVOS PARA A VIAGEM:

 

Bom, a preparação pra essa viagem começou lá em agosto de 2014, mais ou menos. Quando digo “preparação” leia-se “- Bora viajar pela América do Sul ano que vem? - Bora! - Então fechou!”. De lá pra cá, muita pesquisa, muito rabisco, muita mudança de planos e muito obstáculo. Isso é normal, não se assustem. Se querem atingir o grande objetivo de viajar pelo mundo, estejam preparados para enfrentar de tudo um pouco.

 

As únicas coisas que compramos com antecedência foram as passagens aéreas BRA x BOL, o aéreo Santa Cruz x Sucre, o Seguro Viagem e os ingressos para Machu Picchu + Huaynapicchu, pois, se você deseja subir este último, é necessário comprar com meses de antecedência (a subida ao Huaynapicchu é limitada a dois grupos de 200 turistas por dia). Pegamos uma promoção da GOL e pagamos R$ 574,77 no trecho ida e volta SP/Guarulhos (GRU) x (VVI) Santa Cruz de la Sierra/Viru-Viru (fiquem atentos aos grandes feirões de promoção que costumam acontecer a cada dois meses em média). O trecho VVI x SRE/Sucre optamos por fazer de avião, e pagamos US$ 55. Já o Seguro Viagem, pagamos R$ 140 para cobertura Mochilão / 26 dias / Bolívia, Chile e Peru.

 

Tudo ia dando certo, dinheirinho na poupança todo mês, 13º dando aquele help, planejamento seguindo nos conformes. Masssss a calmaria antecede a tempestade, meus jovens. E foi só chegar nos últimos dois meses antes da viagem que o Universo começou a dizer “Tá achando que vai ser fácil assim, cara pálida? Negativo”.

 

Pra começar, o dólar, que já não parava de subir, decidiu entrar num foguete e decolar rumo à estratosfera. E como só compraríamos os dólares na véspera da viagem... nos F*DEMOS bonito. Só em março foi um aumento de R$ 0,35 (trinta e cinco f*cking centavos). E isso só nos deixou com duas opções: injetar mais dinheiro pra compensar a subida ou economizar ainda mais pra compensar a queda. Acabamos optando por um pouco de cada.

 

Ok, alta do dólar devidamente “digerida”, seguíamos com os preparativos finais. Mas aí o Universo deu aquela risada de deboche e disse “Pensam que acabou? Então peraí...”, e resolveu mandar o que parecia ser algo bem simples tipo O FIM DO MUNDO:

 

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Vulcões em erupção no Chile. “-Beleza, acontece.”

Dilúvio no Atacama. “-Oi??? Dilúvio na p*rra do deserto mais seco do mundo?!”

Terremoto de 5,8 com alerta de tsunami. “-Véi, na boa...”

Crise política se agrava no Peru. “-MAIS GRAVE VAI FICAR QUANDO EU CHEGAR AÍ!!!1”

 

Sacomé, a gente é mochileiro, e mochileiro brasileiro não desiste nunca. Ignoramos todo o caos, a zica e as 14 velas acesas por nossas mães e partimos rumo ao Apocalipse. Afinal, se é pra curtir o fim do mundo, que pelo menos seja de mochila nas costas batendo perna por aí, né não?

 

PRÓXIMO CAPÍTULO: Partiu Mochilão!!! Santa Cruz de la Sierra, Sucre e... o mal da altitude. ::dãã2::

Editado por rodrigovix

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Na verdade eu perdi a planilha, tenho apenas as anotações bagunçadas num bloco de papel. Acredito que após o fim do relato seja possível consolidar tudo em word, mas acho um trabalho não tão necessário, porque é questão de copiar e colar mesmo. Talvez o resumão que pretendo fazer ao final vá ajudar mais. ::hãã2::

 

Rapaz, achei meio caro. Mas não sei se esse é o preço atual com o dólar no valor que tá agora, e como na época comprei com milhas, também fica difícil ter noção. A galera que foi mais recentemente aqui pode ajudar melhor nisso. Sei que na época os preços promocionais ficavam nessa faixa de 700-800 mesmo.

 

Abraço!

 

Pois é, é bem capaz que consolide todos seus posts num arquivo só pra ir lembrando quais Tours vc fez e as dicas de cada local. ::otemo::

 

Se até abril não baixar essas passagens pra Santa Cruz, vou bookar assim mesmo kkk... sem pensar o dolar que deve estar batendo os 4.50 nas casas de cambio. (Já começo a me questionar se não vale a pena levar real kkkk, fuuuuu....). ::hahaha::

 

Abs!

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Na verdade eu perdi a planilha, tenho apenas as anotações bagunçadas num bloco de papel. Acredito que após o fim do relato seja possível consolidar tudo em word, mas acho um trabalho não tão necessário, porque é questão de copiar e colar mesmo. Talvez o resumão que pretendo fazer ao final vá ajudar mais. ::hãã2::

 

Rapaz, achei meio caro. Mas não sei se esse é o preço atual com o dólar no valor que tá agora, e como na época comprei com milhas, também fica difícil ter noção. A galera que foi mais recentemente aqui pode ajudar melhor nisso. Sei que na época os preços promocionais ficavam nessa faixa de 700-800 mesmo.

 

Abraço!

 

Pois é, é bem capaz que consolide todos seus posts num arquivo só pra ir lembrando quais Tours vc fez e as dicas de cada local. ::otemo::

 

Se até abril não baixar essas passagens pra Santa Cruz, vou bookar assim mesmo kkk... sem pensar o dolar que deve estar batendo os 4.50 nas casas de cambio. (Já começo a me questionar se não vale a pena levar real kkkk, fuuuuu....). ::hahaha::

 

Abs!

 

Nem me fala, Fabão! Nesse dólar, meus planos de sudeste asiático esse ano tão indo pro ralo. :(:(:(

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Com essa alta do dolar, meu roteiro vai ter q ficar mais curto, tive q excluir alguns locais e passeios, infelizmente...

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Olá Rodrigo, adorei seus relatos, maravilhosas dicas, as fotos então nem se fala... sensacional!!!! Queria te perguntar qual a melhor época de pegar o Salar de Uyuni alagado, meados de janeiro? fevereiro? Estou querendo ver ele alagado, e só posso na época de férias aqui... julho ou dez/jan se puder me ajudar, obrigada pelas dicas ::otemo::

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Rodrigo muito obrigado pelos detalhes, consegui ler até seu perengue "cagao" em Santa Teteza, peguei detalhes valiosos...viajo hoje 25/12.

Tentarei continuar lendo no caminho.

Obrigado.

 

Hauhuahuaahua valeu, cara. Esse "cagaço" tá dando o que falar. Vou correr com o relato logo pra passar essa parte rs. Aproveite muito sua trip!!! Abraço!

 

Fala Rodrigo blz!! Fui dia 25/12 voltei dia 22/01 seu relato ajudou bastante, obrigado.

Tive varias cenas de "merda acontece" entre ICA/CUZCO foi fodaaaaa viajei no banheiro kkk, É a porra do ceviche de Paracas que fode tudo kkkkk certeza....

Eu e minha namorada adoramos os lugares que fomos, vou atualizar minha planilha de custos e adiciono o link aqui para colaborar [THUMBS UP SIGN]

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Capítulo 20: Puno e o passeio pelas Islas Flotantes de Uros e Isla Taquile.

 

19/04/15

 

Não sei se a viagem de Cusco até Puno foi muito tranquila ou eu que dormi o trajeto todo e não me dei conta de nada. Só sei que eram 5 da matina quando chegamos numa cidade um tanto quanto feia, e um tanto muito fria. Todos aqueles relatos de que Puno não era lá um exemplo de cartão postal se confirmaram aos primeiros passos fora do ônibus.

 

A rodoviária ainda estava semi-deserta, com alguns poucos estabelecimentos abertos. Se "Deus ajuda quem cedo madruga", uns e outros de espírito mais empreendedor já estavam prontos para abordar os turistas que ali chegavam, assim não dariam chance pra concorrência. Numa dessas abordagens, um senhor nos ofereceu os passeios que procurávamos. "Uros? Uros? Partida daqui a pouco."

 

Começamos a conversar com ele e a entender melhor a logística do que buscávamos. Viemos a Puno com o intuito de conhecer as famosas Islas Flotantes de Uros (típicas estrelas de programas ao estilo Globo Repórter), e a Isla Taquile, não tão famosa quanto, mas que despertou nosso interesse pela possibilidade de passar uma noite lá com os moradores locais, na casa deles.

 

Logo descobrimos que não seria possível dormir em Taquile. Isso porque, segundo aquele senhor, o horário que chegaríamos em Puno voltando de Taquile no dia seguinte seria mais tarde que o horário necessário para pegar um ônibus para Copacabana a tempo de cruzar a fronteira. Sim, a fronteira Peru-Bolívia fecha cedo, por volta das 17h (favor confirmarem esta informação).

 

Ou seja, ali descobrimos que, se você quer visitar a Isla Taquile, independente se com intenção de dormir lá ou não, você tem que obrigatoriamente passar uma noite em Puno, uma vez que o horário de retorno de Taquile é mais tarde que os horários de saída dos últimos ônibus pra Copacabana. No nosso planejamento, não dormiríamos uma noite sequer em Puno, e sim uma noite em Taquile, e no outro dia partiríamos direto pra Copa. Não tínhamos mais dias sobrando no roteiro para duas noites ali. Então tínhamos duas opções: ou fazer apenas o passeio de Uros e voltar a tempo de pegar o ônibus pra Copacabana no mesmo dia (isso sim daria tempo), ou fazer Uros + Taquile, voltar no mesmo dia e dormir uma noite em Puno. Ficamos com a segunda opção.

 

Como o senhor que nos abordou foi muito esclarecedor nas informações, e como os valores por ele negociados estavam bem similares aos valores para os quais nós já estávamos preparados, decidimos fechar com ele. Uros + Taquile por 50 soles cada. Incluso transporte e guia. O almoço seria na Isla Taquile e nos custaria mais 20 soles. A saída seria às 7h da manhã - ou seja, dali a mais ou menos 1 hora.

 

Também negociamos com ele um hotel para ficarmos (afinal, teríamos que passar uma noite não planejada em Puno). Ele nos indicou um hotel que nos custou 25 soles cada a diária num quarto privado para dois com banheiro e água quente (muito importante), sem café da manhã. O táxi até lá nos custou 4 soles no total.

 

Chegamos, guardamos nossas coisas e a van já apareceu para nos pegar. Nos unimos aos outros viajantes e fomos para o aquaviário. Ali começaria nosso passeio.

 

24629838666_b334593ae3_k.jpg01_puno_aquaviario by Rodrigo Alcure, no Flickr

Aquaviário em Puno.

 

A primeira parada seria nas Islas Flotantes de Uros. Segundo o wikipedia, são "ilhas artificiais de origem pré-colombiana construídas pelos nativos à base da Totora, uma planta típica do lago Titicaca". Hoje em dia, muito se diz que o que restou ali é uma encenação com objetivos turísticos. E, com toda a sinceridade do mundo, é exatamente o que senti.

 

Cerca de meia hora depois, paramos em uma das ilhas. São várias, cada barco para em uma, distribuindo assim os turistas. A nossa foi a "Isla Purimita". O teatro já estava armado: as moças, vestidas em trajes típicos, acenavam à distância e nos cumprimentavam em coreografia. O guia havia nos ensinado a forma correta de pronunciar Titicaca (mais como "Ti-ti-rra-rra", com o "r" bem catarrento), e um cumprimento que já me esqueci. Repetimos conforme o combinado, e assim fomos conduzidos ao centro da pequena ilha, onde nossos assentos já estavam montados.

 

O guia apresentou o "presidente" da ilha (sim, cada uma tem um presidente), e ele nos apresentou os demais moradores, todos da família dele. Disse que vivia ali da pesca e do turismo, e que as crianças iam para a escola localizada numa outra ilha flutuante perto dali. Nos ensinou como a Totora é costurada e a ilha é construída, e que requer manutenção constante para não afundar. As mulheres nos mostraram o artesanato que produziam e, depois das apresentações, cada um deles nos levou a um "cômodo" da ilha. Entramos na barraca de uma das filhas. Não sou fresco para essas coisas, mas, se o cheiro na ilha já estava ruim, dentro da cabana da menina estava insuportável, cheio de moscas. Ela nos forçava a fazer perguntas para ela, e alguns turistas mais empolgados assim o faziam. Quando perguntaram da caça, ela disse que às vezes eles também caçavam algumas aves, "como essa aqui" e balançou uma ave dissecada e pendurada no teto que até então estava despercebida pra maioria. Antenor quase caiu pra trás na hora, de tão branco. O pato tava na cara dele o tempo todo kkkkkkk.

 

Em seguida, nos deram a "opção" de dar uma volta na embarcação deles, "sem qualquer cobrança". Todos foram. Não tínhamos outra opção senão ir também. Uma criança foi junto e cantava músicas diversas, incluindo "Ai Se Eu Te Pego", nome dado a um vírus mortal brasileiro que se alastrou pelo mundo. Terminou as músicas e passou o chapéu recolhendo as gorjetas. Lá se foram 10 soles. Ao final do passeio, o barqueiro fez um discurso dizendo da importância do turismo para eles e pediu contribuição de quem pudesse ajudar. Todos ajudaram. Lá se foram mais 20 soles. De volta à ilha, as mulheres começaram um trabalho insistente de venda do artesanato. Essa conseguimos resistir, mas a maioria não.

 

É uma crítica à prática deles? Não. Eles estão fazendo o trabalho deles, trabalho honesto, do qual eles sobrevivem. Mas a sensação, para mim, mochileiro, que estava atrás de experiências de vida, não foi nada boa. Eu me senti num daqueles momentos turista-bobão andando em bando e sendo extorquido o tempo todo. Perdeu toda a magia. Esteticamente, as ilhas são lindas. Mas a sensação que tive das Islas Flotantes de Uros é de um grande teatro que, sobre uma história tão bonita, hoje agoniza na exploração de um turismo horroroso.

 

24656054565_e81fa11095_k.jpg02_isla_flotante_de_uros by Rodrigo Alcure, no Flickr

Barqueiro em Uros.

 

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Barco em Uros.

 

24029234273_565633792d_k.jpg04_isla_flotante_de_uros by Rodrigo Alcure, no Flickr

Islas Flotantes de Uros.

 

24548016992_5ea8813527_k.jpg05_isla_flotante_de_uros by Rodrigo Alcure, no Flickr

Após "trabalhar" cantando em um dos barcos, de volta à sua real diversão: brincar de boneca sozinha.

 

24360485070_e1c63abe39_k.jpg06_isla_flotante_de_uros by Rodrigo Alcure, no Flickr

Artesanato, Islas Flotantes de Uros.

 

24029212583_ef7d9cb687_k.jpg07_isla_flotante_de_uros by Rodrigo Alcure, no Flickr

Islas Flotantes de Uros.

 

24548001422_9e953e63fe_k.jpg08_isla_flotante_de_uros by Rodrigo Alcure, no Flickr

Isla Purimita, las Islas Flotantes de Uros.

 

Voltamos para o barco e seguimos para Taquile. Dessa vez era mais longe, e levamos algumas-meias-horas-mais. A Isla Taquile é mais isolada, mais nativa, mais real e mais próxima do que seria a Isla del Sol, em Copacabana. Nosso guia nos explicou como seria o passeio por lá. Ao chegar, teríamos uma caminhada de uns 50 minutos subindo para a parte central da ilha, onde nos reuniríamos para o almoço. Após o almoço (20 soles), continuaríamos andando pelos entornos até descer uma grande escadaria para o cais onde nosso barco nos aguardava. No total, acredito que passamos umas 2 ou 3 horas por lá.

 

A ilha é bonita, agradável, o almoço foi gostoso, masssss... Foi só isso. Talvez eu estivesse com muita expectativa por imaginar que dormiria aqui, na casa de um dos moradores locais, e aí sim sentiria a cultura desse povo. Mas não foi possível.

 

24360474080_9175edbf11_k.jpg09_isla_taquile by Rodrigo Alcure, no Flickr

Isla Taquile.

 

24027865444_d74750c1ad_k.jpg10_isla_taquile by Rodrigo Alcure, no Flickr

Isla Taquile ("Rio Janeiro" a 2.897km).

 

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Isla Taquile.

 

24360471260_097d5dec7a_k.jpg12_isla_taquile by Rodrigo Alcure, no Flickr

Isla Taquile, subidinha de uns 40-50 minutos.

 

24027841064_0bae23eab9_k.jpg13_almoco_isla_taquile by Rodrigo Alcure, no Flickr

Truta no almoço (há outras opções, inclusive pratos vegetarianos).

 

24629752036_a00a4d85ba_k.jpg14_isla_taquile by Rodrigo Alcure, no Flickr

Linda garotinha vendendo seu artesanato. Compramos duas pulseirinhas com ela.

 

24288241279_75211c2c78_k.jpg15_isla_taquile by Rodrigo Alcure, no Flickr

Portal - Isla Taquile.

 

24288246899_1c5447821c_k.jpg16_isla_taquile by Rodrigo Alcure, no Flickr

Isla Taquile.

 

Disso tudo, pela minha experiência, o que posso dizer é que, de todo o mochilão, a primeira parada que eu descartaria, se necessário, seria Puno, sem pensar duas vezes. Foi legal? Foi, claro, tudo foi uma experiência nova. Mas longe do que eu imaginava. Além do mais, se você também irá conhecer Copacabana e a Isla del Sol, em nada sentirá falta de Puno. Muitos aqui podem discordar, é tudo uma questão de experiências pessoais, mas essa é a opinião que eu preciso ser honesto em compartilhar.

 

Voltamos para casa apreciando toda a beleza e imensidão do Titicaca. Fomos agraciados com sol, tempestades ao fundo, arco-íris, tudo misturado, num belíssimo espetáculo de Pachamama, a Mãe Terra.

 

24548040342_082c1a0e58_k.jpg18_puno_titicaca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Ensaiando um por do sol, lago Titicaca.

 

24629727866_a7948d9e0b_k.jpg17_puno_titicaca by Rodrigo Alcure, no Flickr

Lago Titicaca.

 

Chegamos a Puno por volta das 16h30. A van nos deixou no hotel. Aproveitamos para comprar bucha de banho e sabonetes (11 soles), pois precisávamos DAQUELE banhão caprichado. Não havia lavanderia aberta (era um domingo), então teríamos que dar um jeito de lavar as roupas no outro dia bem cedo. Saímos pra jantar e comemos uma pizza para dois por 25 soles (bebidas inclusas). Voltamos para o hotel e fomos dormir.

 

Termino este capítulo dizendo o seguinte: não sei como é nas demais épocas, mas prepare-se para passar MUITO FRIO em Puno. Foi, até aquele momento, a noite mais fria que passamos na viagem. Foi difícil pegar no sono, de tão tenso que tava. Ô lugazinho gelado.

 

SALDO DO DIA:

s/50 passeio Uros + Taquile

s/2 táxi rodoviária x hotel

s/25 diária hotel

s/5 gorjeta criança Uros

s/10 gorjeta barqueiro Uros

s/20 almoço Taquile

s/2 pulseirinhas com a garotinha da foto

s/6 compras sabonete e bucha

s/13 jantar pizza

TOTAL: s/133 (US$ 40)

 

Próximo capítulo: Cruzando a fronteira com a Bolívia rumo a Copacabana.

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