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    • Por lucband
      Eu, Lúcio, e minha esposa Marlene, 61 e 55 anos respectivamente, havíamos feito muuuuitos acampamentos (faço camping selvagem desde a década de setenta) e algumas trilhas, mas a mais exigente até então havia sido a Ferrovia do Trigo, de nível fácil a moderado, além de pequenos trechos de montanha. Tínhamos o sonho de chegar ao topo do Pico Paraná (PP), mas sabíamos que seria muito difícil, então nem nos preocupamos em fazer preparação física especial, somente o que fazemos normalmente: eu jogo Tênis competitivo, minha esposa caminha e corre na esteira, caminhamos seis a oito quilômetros, andamos de bicicleta. Quase todo dia fazemos uma dessas atividades. Meu planejamento inicial seria chegar com as cargueiras até o Caratuva, acampar e seguir no dia seguinte para o Pico Paraná, percorrendo a Trilha da Conquista até o acampamento 1 (A1). Escolhi pernoitar no Caratuva porque pensei que, se não conseguisse chegar ao Pico Paraná, pelo menos teria o prazer de ver o nascer e o pôr do sol no segundo mais alto pico da região Sul. Fiz um planejamento minucioso, para evitar aperto, e ficamos esperando um final de semana com tempo bom, até que finalmente chegou o grande dia, o feriado de Tiradentes, com uma previsão de tempo perfeito.
      Nos acompanharam na aventura Tânia, uma amiga nossa com a nossa faixa etária, seus dois filhos Guilherme e Riana, e um casal de jovens amigos, Diego e Marina. Saímos de Chapecó na quinta, dia 19/04/18, à tardinha e pernoitamos em uma Pousada em Quatro Barras, a 30 quilômetros do PP. Na sexta cedinho rumamos para a Fazenda Pico Paraná, onde conversamos com o Dilson e comentamos sobre nosso planejamento. Ele nos recomendou não acampar no Caratuva, porque a trilha da Conquista não era muito usada e era muito fácil de se perder, e falou que era melhor acamparmos no Itapiroca, fazendo a trilha normal para chegar ao PP. Aceitamos a sugestão, afinal o bom planejamento é aquele que prevê alternativas, colocamos as cargueiras, tiramos uma foto e partimos.

      A tradicional foto da partida: Riana, Marina, Diego, Marlene, Lúcio, Guilherme e Tânia.
       
      Com o corpo ainda frio, quase morremos ao subir o íngreme gramado inicial na fazenda kkk (lembrei do filme Por Aqui e Por Ali - A Walk in the Woods, imperdível). Tocamos em frente, sem pressa, parando para apreciar a paisagem e tirar muitas fotos. Perto de uma da tarde chegamos na bica, depois da bifurcação do Caratuva, onde paramos para almoçar um delicioso Cup Nodles turbinado com sopa Vono e meio pacote de queijo ralado para cada um.

      Riana almoçando na bica.
       
      Depois de quase uma hora de descanso, abastecemos de água para o acampamento e tocamos em frente. Com dois quilos a mais em cada mochila o cansaço logo aumentou, e chegamos estropiados ao Itapiroca em torno de quinze e trinta, a tempo de montar acampamento, subir o pequeno trecho até o cume, deixar uma mensagem no livro e apreciar um belo pôr do sol.

      Deitado na barraca, namorando o Pico Paraná e imaginando como era longe...
       

      Nossas barracas com o PP ao fundo. Em primeiro plano o saco para lixo (traga de volta todo seu lixo e mais um pouco como colaboração).
       
      À noite deve ter feito menos de zero grau, porque estava ventando muito e mesmo assim formou gelo nas barracas. Estávamos bem agasalhados e com bons sacos de dormir, mas mesmo assim passamos frio...

      Na primeira noite formou gelo nas botas, isso que estavam no avanço da barraca...
       
      No dia seguinte bem cedo acordamos para ver o nascer do sol, e as oito horas estávamos prontos para partir para o PP.

      Nascer do sol com o Pico Paraná ao fundo. Parece uma pessoa deitada, onde o PP é o nariz...
       
      Escondi nossa comida no mato (porque na trilha do Pontal de Tapes nos roubaram algumas coisas a noite, inclusive toda nossa comida, nos deixando em situação de risco, fiz um relato aqui no Mochileiros.com), deixamos nas barracas somente os isolantes, os sacos de dormir e alguns itens menos valiosos e saímos com três a quatro quilos em cada cargueira. Tudo na expectativa de não passar muito aperto caso furtassem nossas barracas enquanto estivéssemos na trilha... E fomos subindo, descendo, pulando, escalando, curtindo a paisagem, tirando fotos, bebendo água geladinha de cada fonte que tinha no caminho, até chegar no Acampamento 2 (A2), em torno de onze e meia, onde Tânia e Marina disseram que ficariam ali nos esperando, porque estavam cansadas.

      Marle, Marina e Diego escalando o paredão.
       
      Fomos atrás da bica de água para reabastecer, pegamos somente uma mochila, com água, kit remédios e kit de emergência, e partimos os cinco restantes para o ataque ao PP. Depois de pouco mais de meia hora, parecia que estávamos chegando ao cume, ficamos felizes, mas... não era o cume, avistamos mais um caminho por dentro da mata, e um paredão ameaçador no final, e o cume nos chamando lá em cima. Diego, Riana e Guilherme desanimaram e disseram que não iriam continuar... olhei para a Marle, para ver se ela estava bem, ela me olhou firme e disse: vamos! Não pensei duas vezes, peguei duas garrafas de água, coloquei uma em cada bolso da calça e saímos quase correndo em direção ao pico, com a adrenalina a mil. Chegamos lá em menos de quinze minutos, ainda gritamos para nossos amigos, dizendo que o último trecho era fácil, que era para eles tentarem subir, mas eles não entenderam, acharam que estávamos acenando para eles e voltaram para o A2.

      Eu e a Marle na pedra, ao lado do livro do cume do Pico Paraná.
      Nos abraçamos, rimos que nem crianças, sem acreditar que conseguimos chegar lá, tiramos muitas fotos, curtimos a paisagem, deixamos uma mensagem no livro do cume, sentamos um pouco e iniciamos a caminhada de volta, porque não tínhamos muito tempo, eram mais cinco horas até o acampamento base no Itapiroca, já era mais de duas da tarde e não queríamos pegar noite na trilha. Ao chegar no A2, onde o resto da galera nos esperava, um susto: o filho da minha amiga estava com câimbras, eu fiquei com medo de que ele não conseguisse retornar e tivesse que ficar no A2, sem abrigo. Demos para ele um coquetel energético (Capuchino com leite em pó adicional, Carb up, mandolate e Snickers, que mistura!), o que fez com que ele melhorasse (pelo menos das câimbras, o estomago foi detonado kkkk) e ficasse em condições de iniciar a jornada de volta. No caminho abastecemos de água novamente, no último filete que tinha na trilha, ficamos com as mochilas mais pesadas, o que aumentou o cansaço, e acabamos chegando no Itapiroca já quase de noite, as dezoito horas, exaustos. Uma janta quente e uma cumbuca de sopa passada de mão em mão, como em um ritual indígena, nos reanimou, o frio estava menor (ou o cansaço maior?) daí pudemos dormir melhor.
      No dia seguinte, acordamos cedo, a tempo de ver mais uma vez o belo nascer do sol, arrumamos as cargueiras e iniciamos a descida em um bom ritmo, às oito horas. Fazendo as tradicionais paradas para descansar, tirar fotos e apreciar a paisagem, às onze e meia chegamos na Fazenda Pico Paraná e fomos correndo encontrar uma churrascaria para tirar o atraso de comida e bebida. Que ótimo sabor tem a comida e bebida depois da trilha!

      A chegada na fazenda Pico Paraná
       
      Acho que alguns montanhistas contumazes vão rir da nossa história, achando muito fácil chegar ao cume do PP, mas na nossa idade acredito que poucas pessoas teriam a preparação física e principalmente mental para conseguir sequer chegar com as cargueiras até o Itapiroca, ficamos muito felizes em poder provar que a velhice está na cabeça das pessoas, e que nunca é tarde para realizar seus sonhos, por mais malucos que possam parecer. O pior é que descobri o que muitos falavam e eu não imaginava o estrago que fazia: o bicho da montanha nos picou e contaminou, ficamos viciados e já estamos preparando nova jornada, agora para conhecer o Pico Caratuva... A montanha é o paraíso na Terra!
       

      No mirante próximo ao A2... nossa sinergia nos faz mais fortes!
    • Por Patricia Senatore Grillo
      Olá mochileiros e mochileiras!  
      Voltamos e dessa vez com uma viagem bem caprichada! Se você têm acompanhado nossos relatos por aqui, sabe que já tivemos alguns finais de semana e alguns bate-e-volta a partir de Invercargill (Catlins e Peninsula Otago; Te Anau e Milford Sound; Queenstown). Pois bem… dessa vez partimos para uma semana inteira de descobertas em terras maoris.
      O fato é que Diego soube que teria duas semanas de férias da pós (break de meio de semestre) e decidimos antecipar alguns de nossos planos para o último mês de Nova Zelândia. Como voltaremos para o Brasil em agosto, a idéia inicial era aproveitar julho – após as aulas – para conhecer os lugares mais distantes de IVC. Porém, julho significa inverno que por sua vez significa restrição em alguns dos nossos pontos de interesse devido neve, condições climáticas e riscos de avalanche. Assim sendo, lá fomos nós planejar uma semana viajando pela Ilha Sul. O roteiro original tinha 8 dias/7 noites, mas em nome da economia consegui apertar e fazer nosso roteiro caber em 7 dias/6 noites. Partimos para a viagem com o seguinte cronograma:
      1º dia: Twizel e Pukaki (noite em Twizel) 2º dia: Mount Cook: Hooker Valley e Kea Point Track (noite em Mount Cook Village) 3º dia: Mount Cook: Blue Lakes; Tasman Glacier e Red Tarns Track (noite em Twizel) 4º dia: Tekapo (noite em Twizel) 5º dia: Mount Aspiring National Park: Rob Roy Track (noite em Wanaka) 6º dia: Roys Peak Track (noite em Wanaka) 7º dia: Blue Pools; Arrowtown e volta para casa. No meio da viagem mudamos os planos (conto por quê ao longo do relato!) e o roteiro feito foi:
      1º dia: Twizel, Pukaki e Tekapo (noite em Twizel) 2º dia: Mount Cook: Hooker Valley; Kea Point e Red Tarns Track (noite em Mount Cook Village) 3º dia: Mount Cook: Blue Lakes; Tasman Glacier View e Twizel: Twizel Walkway (noite em Twizel) 4º dia: Mount Aspiring National Park: Matukituki Valley; Diamond Lake e Lake Wanaka (noite em Wanaka) 5º dia: Roys Peak Track (noite em Wanaka) 6º dia: Blue Pools; Arrowtown e Lake Hayes (noite em Shotover River) 7º dia: Glenorchy e volta para casa.  
      1º dia: TWIZEL, PUKAKI e TEKAPO
      Saímos pouco depois das 7h embaixo de uma friaca e tendo que tirar o gelo do parabrisa do carro.  O fato é que nos dias que antecederam a viagem tivemos uma frente fria que derrubou a temperatura em diversos pontos do país e, inclusive, causou estragos com os temporais em Auckland. Mas como não tem tempo ruim que tire a vontade de viajar, lá fomos nós! 
      O destino era Twizel e isso nos daria cerca de 4 horas e meia de estrada pela frente. O frio havia coberto de gelo os gramados e pastos pelos caminho, mas a estrada felizmente estava de boa. Bem, já devo ter falado isso nos outros relatos: se tem uma verdade sobre viajar na Nova Zelândia é que as estradas são lindas – sempre.  Por esse motivo acredito que a melhor opção de transporte seja alugar um carro para poder parar em todos os lookouts pelo caminho e que as viagens devam ser feitas sempre durante o dia (além de ser uma precaução para evitar possível gelo no asfalto e de ser mais seguro, visto que todas as estradas que pegamos até agora são mão dupla e com alguns pontos mais estreitos).
      No caminho, destaque para o Lake Dustan, The Bruce Jackson Lookout (em Cromwell) e Lindis Pass Viewpoint (o lookout mais anunciado de todos: 15km de distância já tinha placa! Mas o lookout em si não é tããão lookout assim... ). Lindis Pass liga as regiões de Mackenzie Basin com Central Otago, em uma altitude de 971m acima do nível do mar.


      Chegando em Twizel fomos recepcionados pelo Lake Ruataniwha e provalvemente não encontrarei palavras para descrever o quão azul é esse lago. Eu havia visto algumas fotos na internet, mas tinha certeza que o Photoshop rolava solto… até vê-lo pessoalmente. 

      Algumas fotos depois seguimos viagem em direção à Pukaki. Havia lido sobre uma trilhazinha de 10 minutos chamada Pukaki Boulders e fomos direto para lá. Essa trilha começa na estrada que vai para o Mount Cook e achá-la não foi tãããão simples: o Google Maps não a localiza e a placa não está na beira da rodovia, portanto passa facilmente despercebida. Pukaki Boulders foi o primeiro “ponto de interesse” da NZ que não tinha estacionamento – e como as estradas daqui não têm acostamento, precisamos parar o carro meio de banda no gramado. 5 minutinhos de caminhada e chegamos em umas pedras – fim de linha. As pedras eram as “boulders”, que foram parar ali na era glacial. Nada de mais. Nadica mesmo. Economizem esses 10 minutos e façam qualquer outra coisa mais legal! 

      De lá voltamos para a SH8 (a rodovia de Twizel) e seguimos em frente rumo ao Lake Pukaki, também de um incrível azul. O I-Site (centro de informações ao turista) fica na beira do lago e obviamente estava cheeeeeio de turistas. Uma dica é seguir para qualquer outro estacionamento (existem vários ao longo do lago!) e fugir da galera.

      Ainda eram umas 14h e como o dia estava ensolarado (contrariando as previsões), decidimos esticar até Tekapo, 30 minutos de distância. Bem no começo da cidade você já encontra o lugar mais famoso por ali, a Church of the Good Shepherd. A igrejinha de pedra fica na beira do lago, com as montanhas nevadas ao fundo e é a coisa mais linda e pitoresca  – e cheia de turista. Muuuuuitos. Saímos para desbravar a orla do lago e na volta consegui uns 5 segundos sem ninguém na frente da igreja. Hahahaha! 


      Seguindo com o carro, contornando o lago, paramos na Old Homestead Picnic Area e o lugar era tão gostoso (e ver o lago era tão lindo) que ficamos algum tempo por ali. Estávamos esperando o sol baixar um pouco para seguir para o topo do Mt. John Observatory. Wanaka faz parte da Aoraki Mackenzie International Dark Sky Reserve e seu céu é considerado um dos melhores do mundo para ver as estrelas. O observatório oferece tours (o mais barato sai $140), mas nossa viagem era low budget e o tour não cabia no nosso bolso, hehehe.  A idéia era apenas subir até o observatório para ver Tekapo lá de cima, mas chegando lá a estrada estava fechada (tem uma cancela no início da subida) e não entendemos se isso é recorrente ou se demos azar. Enfim, não subimos.
      Voltamos para Pukaki e paramos novamente no lago para ver o pôr-do-sol. As nuvens que estavam no topo das montanhas durante à tarde haviam diminuído e conseguíamos ver o Mount Cook. O sol foi embora, o frio tomou conta e fomos pro hostel.


      O High Country Lodge, em Twizel, é um hostel bem simples e o maior ponto a seu favor é a localização (tudo bem que Twizel deva ter umas 6 ruas… ). Ao lado dele tem uma Liquor Store (loja que vende bebidas – aqui na NZ não são todos os mercados que podem vender bebida alcoólica), um mercado e um mall que na verdade é todo o centrinho da cidade. Tem uns barzinhos boitinhos também, mas como nossa viagem foi na base do economizar o que for possível, comemos no hostel mesmo! A cozinha do hostel tinha tudo que precisávamos, mas dava uma deslizada na limpeza (aliás, esse é um ponto interessante: grande parte das pessoas por aqui não têm toda aquela dedicação para lavar louça e muitas vezes nem bucha você encontra – saudades, detergente Ypê e Scotch-Brite! ). Ficamos em um quarto compartilhado com 2 beliches bem barulhentas, mas na primeira noite não tinha mais ninguém no quarto conosco. $35/noite por cabeça.
       
      2º dia: MOUNT COOK NATIONAL PARK
      Partimos cedo sentido Mount Cook National Park, cerca de 40min de distância – e sim, a estrada mais uma vez é linda e sim, você consegue ver o Mount Cook lindão à sua frente. Contrariando a previsão do tempo, não choveu o dia toooooodo e conseguimos fazer a primeira trilha no seco. A primeira escolha foi a mais famosa por ali, a Hooker Valley Track. É uma trilha de 10km bastante tranquila, com 3 pontes suspensas pelo caminho. Você começa apreciando o Mueller Lake e termina com a visão incrível do Hooker Lake/Glacier e Mount Cook – que nesse momento estava praticamente todo descoberto . As placas sinalizam 3h return para essa trilha, mas levamos 1h10 cada trecho, apenas. O caminho todo é bem bonito e com certeza é um must-do. No início do caminho você encontra uma indicação para a Freda’s Rock: Freda du Faur, australiana, foi a primeira mulher a escalar o Mount Cook/Aoraki e essa pedra é onde ela tirou a foto para registrar o feito – isso foi em 1910 e a foto está reproduzida no local. Palmas para Freda!  Também tem um memorial construído em 1922 em homenagem a alpinistas que foram atingidos por uma avalanche em 1914 e somadas à homenagem inicial você encontra diversas outras plaquinhas de outros montanhistas vítimas de quedas ou avalanches por ali .



      Ao voltarmos para o estacionamento o tempo já estava nublado e havia começado uma chuva fina (se você está na NZ, principalmente em áreas montanhosas – ou em Invercargill, hahaha  – nuuuuunca esqueça sua jaqueta e calça impermeáveis). Seguimos para Kea Point Track, apenas 2.8 km. Essa trilha, também tranquila, termina em um mirante para o Mueller Lake e, se o tempo colaborar, parece que você vê o Mt. Cook dali também – não sabemos.

      A chuva apertou e fomos para o hostel fazer o check-in. Como ainda eram umas 15h30, decidimos encarar o clima inóspito e fazer a Red Tarns Track, uma trilha que começa no meio da vilazinha, com previsão de 2h return. Prestem atenção na descrição: você caminha uns 100m, atravessa uma pontezinha e encontra uma escada – e a escada nunca mais vai acabar.  É 1h subindo degrau, 300m de ganho de altitude. Lembra que tava chovendo? Pois é. No meio do caminho era só neblina e não vimos nadica de nada ao redor. No final da trilha tem um laguinho com umas plantinhas que deixam ele meio avermelhado e, por conta do tempo, tinha um pouco de neve também. Voltamos encharcados e sem joelhos.  Talvez em climas mais amigáveis a vista lá de cima impressione!

      O hostel em Mount Cook Village foi o primeiro a ser reservado da viagem. A vila é minúscula e só encontrei 2 opções de hostel fora as opções de chalés e hotéis mais caros, o que faz a disponibilidade ficar bastante restrita. Ficamos no YHA, uma rede presente em toda a NZ e filiada ao Hostelling International. Nosso dormitório tinha 4 beliches, mas era todo bem estruturadinho e bastante confortável e o hostel tinha diversas facilidades e uma cozinha bem bacana. $39/noite por cabeça. Ah, importante: não tem mercado por lá, organize-se!
      Foi à noite, olhando o mapa na parede do hostel, que veio a idéia de mudar os planos da viagem. Como já havíamos antecipado à ida a Tekapo (que no roteiro original seria no 4º dia, mas que fizemos no 1º), por quê não tentar antecipar nossas diárias em Wanaka e seguir para Glenorchy no último dia? A idéia original foi do Diego e eu achei uma boa. Perderíamos umas das diárias de Twizel, mas por outro lado conheceríamos um lugar a mais, já que não sabemos quando teremos oportunidade de alugar o carro de novo. Fizemos contato com nossos anfitriões do AirBnb em Wanaka, que foram super disponíveis e disseram que não haveria problema algum e procuramos um lugar para passar a última noite perto de Queenstown. Como já falei no outro relato, Queenstown é extremamente turística e as coisas por lá podem ter um preço maior do que em outras cidades da NZ. A melhor opção custo-benefício que encontramos foi um quarto, também pelo AirBnb, em Shotover River – 10 minutinhos de Queenstown.
      (P.S.: fui descobrir só depois que o Diego trapaceou e olhou a previsão do tempo em Wanaka e por isso veio com a idéia de adaptar o roteiro! Que espertinho!!! ).
       
      3º dia: MOUNT COOK NATIONAL PARK e TWIZEL
      O terceiro dia amanheceu chovendo e enevoado. Mesmo assim saímos em direção a Blue Lakes e Tasman Glacier, ainda em Mount Cook National Park. Fizemos uma horinha dentro do carro esperando a chuva dar uma maneirada e lá fomos nós.
      Do estacionamento e ponto de início das trilhas você encontra duas opções: uma das trilhas leva ao Blue Lakes e Tasman Glacier View e a outra ao Tasman Lake, beirando as Blue Lakes (spoiler: na verdade elas são verdes ). Como a chuva parou por uns instantes, fizemos o viewpoint primeiro. É uma trilha curta (de uns 15-20 minutos), mas com uma subidinha.
      O Tasman Glacier é o maior da NZ, com 27km de extensão. Nossa visão não foi a melhor possível devido ao tempo, mas algo que percebi é que ele é coberto por uma espécie de resíduo, que não vou saber dizer o que é (rocha?). Ou seja, não espere aquele glaciar branquinho, por vezes até azulado, como é o Perito Moreno na Patagônia argentina, por exemplo. É diferente – e ainda assim bonito. Enquanto estávamos lá um arco-íris bonitão estava dando o toque especial no vale (outra característica da NZ: devido às mudanças rotineiras no clima, os arco-íris são bem normais por aqui… Em 3 meses de NZ com certeza vi mais deles do que havia visto nos meus 31 anos de Brasil!).

      Do viewpoint partimos para a outra trilha, que chegaria pertinho do Tasman Lake. Chegaria – o tempo verbal é esse mesmo . Essa trilha é estimada em 1h e o terreno é mais acidentado e com mais pedras. Neste ponto a chuva já havia recomeçado. Demos a volta nos Blue (”Green”) Lakes (bonitões, mesmo com o céu cinza!) até chegar em um ponto onde a trilha “acabava”: na realidade, a trilha neste pedaço era bem estreita e pedregosa entre a vegetação e estava completamente alagada. É bastante comum nas regiões montanhosas da NZ uma planta espinhuda e tentar abrir um caminho alternativo, além de não ser ambientalmente correto, ainda nos deixaria algumas marquinhas pelo corpo. A única opção seria tirar a bota e meter o pézão ali, com a água entre canela e joelho. Não estávamos nesse pique todo e o frio também não estava convidativo para isso – demos meia volta e paciência . Ainda deu tempo da chuva apertar mais no caminho de volta pro carro!


      Tínhamos cogitado fazer a Sealy Tarns antes de sair de Mount Cook, uma trilha de aproximadamente 4h return e, dizem, um pouco mais íngreme. Com o andar da carruagem e o tanto de chuva na cabeça desde o final da tarde do dia anterior, abortamos a missão e pegamos estrada sentido Twizel.
      Se nas montanhas o tempo estava horrível, na planície do lago estava a coisa mais linda! Tínhamos o resto do dia tranquilo, pois seguiríamos para Wanaka somente na manhã seguinte. Tocamos direto para o Lake Ohau, um lago distante uns 20 minutos de Twizel. De lá, voltamos para o Lake Ruataniwha (aquele primeiro, da chegada!) e fizemos parte da Twizel Walkway ao redor do lago. Ficamos por ali o resto do dia, bem delicinha.


      A noite foi no High Country Lodge outra vez.
       
      4º dia: MOUNT ASPIRING NATIONAL PARK e WANAKA
      Logo cedo deixamos Twizel e no caminho fizemos um desvio de 30 minutos para ver as Clay Cliffs, uma formação rochosa na região de Omarama. Seguimos então sentido Wanaka, mais precisamente sentido Rob Roy Glacier, a quase 3h de distância.

      Basicamente, as informações que eu tinha sobre o Rob Roy Track é que era uma trilha de 10km no Mount Aspiring National Park, estimada em 4h return, com acesso restrito de Maio a Novembro devido risco de avalanche e que era uma trilha fácil, inclusive possível para crianças um pouco mais velhas. Ok. 
      Cruzamos a cidade de Wanaka e seguimos na estrada em direção ao parque. O dia estava ensolarado desde nossa partida de Twizel, mas claro que quanto mais perto das montanhas do Mt. Aspiring National Park maiores eram as nuvens e a chuvinha começava. Bem, a primeira descoberta foi que para chegar até o estacionamento e ponto de partida da trilha seriam 30km de estrada de terra – beleza, a gente encara. A segunda descoberta foi um pouco mais, digamos, desafiadora: chega um momento em que a estrada começa a ser cortada por “fords”: riachos.  Ficamos receosos com o primeiro, mas cruzamos e a partir dali a estrada tinha uns trechos bem estreitos. O grande problema é que eles eram muitos e, além de serem muitos, a profundidade aumentava: chegamos em um bem grandinho e ficamos com cagaço de continuar – além do nosso carro ser alugado, ele era um modelo de Hyundai bem pequenininho e baixinho e a chance de “dar ruim” era alta. O da foto foi um dos primeiros, quando ainda eram rasinhos.  

      Decidimos voltar um pedaço e parar em uma outra trilha que vimos pelo caminho, a East Matukituki Valley. O problema era que ela é apenas um trecho de uma travessia maior e demoraria cerca de 3h para te levar para um abrigo, mas ainda assim decidimos fazer parte dela só para não perder o dia e o investimento psíquico de chegar até ali, hahaha.  Andamos por cerca de 2h no vale e embora o lugar fosse bonito também, a verdade é que estávamos bem frustrados.

      Voltamos pro carro e Diego decidiu que iria tentar continuar para Rob Roy mais uma vez. Cruzamos mais uma vez alguns fords até chegar no mesmo lugar que havíamos retornado. Desci para tentar analisar o melhor caminho, mas não dava pra ter idéia de quão profundo era. Alguns minutos de análise e indecisão e Diego mais uma vez chegou à conclusão de que seria muito arriscado. Enquanto manobrávamos para retornar, chegaram outros dois carros e os motoristas também desceram para avaliar. Decidimos esperar e ver como eles fariam – depois de um tempo de indecisão eles cruzaram, mas de fato era bem fundo e a água atingia a parte de cima do parachoque. Em menos de 50 metros eles pararam e desceram novamente, provalvemente porque deveria ter outro ford maior. Realmente arregamos e lamentamos não ter um Jeep. Foi o fim da linha. 
      No caminho de volta para Wanaka, sem nada planejado, paramos no Diamond Lake Conservation Area. Dali você pode seguir 10 minutinhos até o lago, 40 minutos até o Lake Wanaka viewpoint ou 1h30 até o topo da Rocky Mountain. Fomos até o viewpoint.

      A parada seguinte foi em Glendhu Bay Lookout, de onde teoricamente você enxerga o Mt. Aspiring e de lá, fomos para o centro de Wanaka ver a famosa Wanaka Tree, a árvore que nasceu no meio do lago. A paisagem é curiosa e bonita, mas o mais bizarro é quando você chega: você dá de cara com um amontoado de pessoas, eu diria que 99% asiáticos, com tripés e câmeras fotográficas gigantes pra fotografar a árvore.  Engraçado e estranho.


      A cidade de Wanaka é bem gostosa e para nós lembrou muuuuito Queenstown. Tem uns bares e restaurantes que parecem ser legais e todo um movimento turístico.

      Ficamos em um AirBnb, hospedados pela Erica e pelo Pete. A casa deles fica a 20 minutos de Wanaka, no caminho para o Lake Hawea. O preço era similar aos quartos compartilhados de hostel na cidade, mas como não tínhamos planos de gastar com restaurante ou bares à noite, optamos pelo conforto de um quarto e banheiro só pra gente. A casa é linda, espaçosa e aconchegante!
       
      5º dia: WANAKA: O ROYS PEAK
      Esse foi um dos dias mais esperados da viagem e, sem dúvidas, um dos meus favoritos! O projeto era ousado: fazer o Roys Peak Track. O tempo estava lindo (ou seja, foi ótimo mudarmos os dias da viagem!) e antes de seguir para a trilha, ainda aproveitamos o céu azul para passar rapidamente (de novo) na Wanaka Tree.

      Sobre o Roys Peak: a trilha de 16km de extensão te leva primeiro até o viewpoint (a foto que provavelmente vai aparecer se você fizer uma busca por Roys Peak) e de lá até o topo, a 1578m de altura. A previsão é de 6h return e para o nosso ritmo deu exatamente isso. A trilha é inteeeeeira de subida, na qual você ganha uma elevação de 1.228m e, embora não exija nenhuma habilidade técnica, exige muito pulmão. 
      Quando começar a trilha procure por uma antena beeeeeem no alto: é lá que você vai chegar.  Levamos 2h20 até o viewpoint e até chegar nesse ponto você não vê grandes mudanças de paisagem, exceto que as ovelhas e os arbustos ficam pelo caminho conforme você sobe – é apenas um grande zigue-zague montanha acima. A característica do Roys Peak viewpoint é que você está na crista da montanha e tem uma visão incrível da crista das montanhas menores, à frente. São montanhas nevadas, lagos menores e o grande Lake Wanaka, lindão. Mesmo com céu aberto, como toda montanha, o vento é congelante. Do viewpoint até o topo foi umas das coisas mais incríveis que já vi na vida e, para aumentar a beleza, próximo do topo a trilha estava com neve.  Claro que isso aumentava a beleza, mas aumentava o desafio também, hahaha.  A neve deixava o caminho extremamente escorregadio e principalmente no finalzinho, o negócio ficava tenso. Para subir, ok. Para descer, era uma pista de patinação! Vimos um capote e vários escorregões e boa parte descia meio que sentado, hehehehehe. 
      A trilha pro Roys Peak fecha somente de outubro a novembro por conta da época de reprodução das ovelhas (lambing season), mas no inverno você precisa portar (e estar hábil a usar) equipamento de gelo (crampons e aqueles machadinhos de gelo), além de atentar para o risco de avalanche. Ah, nós levamos nossos bastões de trekking e, embora eles não sejam indispensáveis, acho que eles foram bastante úteis (principalmente na parte final).
      Se na subida você precisa de fôlego, na descida você precisa de joelho. Parece que quanto mais você desce, mais longe está o estacionamento. O que eu gosto de descidas é que geralmente é o momento que você mais se dá conta do quanto subiu.





      Terminamos a trilha destruídos e fomos recuperar a vida fazendo hora embaixo de uma árvore no Lake Wanaka e depois fomos para Bremner Bay ver o sol se por atrás das montanhas.
      (Ah, lembra dos fords do dia anterior? Conversando com a Erica, nossa anfitriã, ela contou que eles estão lá independente da época do ano e que é muito comum os carros de passeio terem problemas ao atravessá-los. Inclusive, disse que não é raro que os fords carreguem troncos pelo caminho e, por não vê-los, os carros se arrebentarem.  Isso diminuiu um pouco a nossa frustração do Rob Roy!)
       
      6º dia: LAKE HAWEA; BLUE POOLS; ARROWTOWN e LAKE HAYES
      Ainda sob o efeito do Roys Peak e relembrando cada músculo que existe em nossas pernas , deixamos Wanaka sentido Makarora com destino definido: as Blue Pools. Pelo caminho, destaque para o Lake Hawea lookout.

      As Blue Pools fazem parte do Mount Aspiring National Park, mas o acesso (dessa vez asfaltado!) é de um lado diferente do Rob Roy, fica mais ao leste, mais ou menos 1 hora de distância de Wanaka. Do estacionamento até as pontes suspensas são 10-15 minutos. Como o dia estava nublado, estavámos na expectativa se elas seriam tão azuis assim. Bem, vejam vocês mesmos na foto. 

      De lá pegamos estrada sentido Arrowtown, mais quase 2h de viagem. A estrada de Wanaka para Arrowtown passa por Cardrona, uma cidade que foi fundada na época da corrida ao ouro, e pouco depois atinge o Crown Range Summit, no topo da serra – com um visual beeeeeeem bonito. Outro destaque no caminho, mas aí já descendo, é o Arrow Junction Lookout Point. Dependendo do clima redobre o cuidado nessas estradas: a serra tem umas curvas bem caprichadas e, na época do inverno, pode ser necessário botar corrente no pneu.


      Deste último lookout até Arrowtown é um pulinho. A cidade é bem pequenininha, mas a fama de seu outono é grande e chegando lá não foi difícil saber o porquê. Acho que o melhor jeito de descrever Arrowtown é dizer que ela é uma cidade dourada, do tanto que o amarelo das árvores prevalescem na paisagem. A colina na entrada cidade é uma escala de cores entre amarelo e vermelho e a cidade tem um quê altamente aconchegante.  Fora os restaurantes e as lojas que vendem jóias feitas de jade, não tem tanta coisa assim pra se fazer por lá, mas vale a pena a visita. Fizemos duas trilhas de 1h cada, mais ou menos, a Arrow River Trail e a Arrowtown Millennium Walk. A primeira é mais legal porque você vê a paisagem mais aberta, mas o que eu não gostei foi o fato de que ela acompanha um grande cano de água da cidade. Desnecessário.


      Saindo de Arrowtown fizemos uma parada rápida no Lake Hayes e demos uma esticada até a Old Lower Shotover River. Uma curiosidade é que o Shotover River foi um dos rios mais ricos em ouro do mundo.


      A nossa hospedagem foi na casa da AJ. Dependendo do que você procura, a localização pode não ser tão boa por ser um bairro que não tem nenhum comércio perto, mas a casa era confortável e para nós foi uma ótima opção.
       
      7º dia: GLENORCHY
      Saímos de Shotover River direto para Glenorchy e decidimos que faríamos as paradas na estrada durante a volta. Glenorchy fica no final do Lake Wakatipu e a estrada de Queenstown até lá margeia o lago o tempo todo e é considerada também uma das estradas mais bonitas da NZ.
      Glenorchy é um pequeno vilarejo próximo a dois grandes parques, o Mt. Aspiring National Park (que se estende de Wanaka até lá) e o Fiordland National Park (o de Milford Sound) e é ponto de partida de uma das grande travessias da NZ, a Routeburn Track – chegamos a cogitar fazer o bate e volta da primeira perninha da Routeburn, mas seria uma caminhada longa para quem iria precisar pegar a estrada de volta para Invercargill.  Glenorchy também é conhecida por ter sido cenário de filmes como Senhor dos Anéis, Nárnia e X-Men e várias empresas vendem passeios guiados para esses lugares, além da famosa estrada para Paradise. Na realidade nossa ida para lá foi mais despretensiosa e demos uma circulada pelo píer, vimos as famosas Willow Trees e seguimos somente até o Isengard Lookout. O tempo não estava lá aquela coisa e logo pegamos o caminho de casa.



      Nossa primeira parada na volta para Queenstown foi em Bennetts Bluff Lookout, um mirante na parte alta da estrada. Não tem placa indicando o local, embora tenha um painel informativo depois que você desce do carro – você pode achar a localização certinha no Google Maps. Paramos ali e ao descer quase perdemos a porta do carro, literalmente. O vento estava muito muito muito muito forte e segurar a porta, na hora de entrar de volta no carro, foi uma missão e tanto. 

      Seguimos mais uns 5 minutos de estrada até Bob’s Cove Track, uma trilhazinha de meia hora que passa por um píer e sobe para o um lookout do Wakatipu. De lá você também tem a opção de seguir para a Twelve Mile Delta ou para a Bridle Track, ambas com estimativa de 2h. A última parada foi em Wilson Bay, já bem perto de Queenstown. Depois, 2h30 de estrada até chegar em casa.


      A viagem foi linda e mesmo com o tempo oscilando, tivemos dias muito bem aproveitados! Não consigo escolher uma parte favorita, mas os lagos todos (Pukaki, Tekapo e Ruataniwha), Mt. Cook, Roys Peak e Blue Pools são imperdíveis, em minha opinião. 
      Para esse trajeto todo gastamos cerca de $275 de gasolina, mas rodamos mais de 1500km.
      Ah, e pra quem queira acompanhar as fotos no Instagram: @paty.grillo 
       
       
       
       
       
    • Por julio.cesar00
      Olá mochileiros!
      Meu nome é Júlio César, tenho 23 anos e sou deficiente visual.
      Sempre gostei muito de viajar, mas isto era meio limitado, pois dependia de familiares ou amigos que iam me ajudando nas mais diversas situações durante a viagem, sendo que eram raras as oportunidades em que nossas férias coincidiam, além de gostos bem diferentes no tocante a passeios.
      Depois de ler muitos relatos na internet de pessoas que viajaram sozinhas, resolvi tomar coragem e fazer um “mochilão adaptado” em que eu faria tudo sem a ajuda de conhecidos, tendo enfim aquela sensação indescritível de liberdade.
      O destino escolhido foi o estado do Maranhão, mais precisamente as cidades de São Luiz e Barreirinhas, que é a porta de entrada do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.
      Foram sete dias absolutamente incríveis, conforme relatarei para vocês. A história certamente será um pouco maior do que as demais contidas no fórum, tendo em vista que quero colocar com alguns detalhes para que outros deficientes visuais tomem coragem de viajar sozinhos também e descobrir o mundo de uma forma diferente.
      Se você conhece alguma pessoa com deficiência visual, compartilhe com ela este relato!
      Vamos lá!
       
      Dos gastos
      Passagem aérea: R$ 60,00 (custo apenas das taxas de embarque, vez que emiti as passagens com pontos)
      Hospedagem: quatro diárias em São Luiz (R$ 40 cada) e três diárias em Barreirinhas (R$ 60 cada) = R$ 320,00no total
      Transfer entre São Luiz e Barreirinhas (ida e volta): R$ 120,00
      Uber / táxi: R$ 120,00
      Passeios: R$ 550,00
      Alimentação: R$ 250,00
      Total: R$ 1.420,00
       
      Como já mencionado, esta foi uma viagem cheia de adaptações por conta de minha deficiência visual. Passei os três primeiros dias de minha viagem em São Luiz, no Hostel Solar das Pedras. É um lugar bem simples, porém muito bem localizado no centro histórico de SLZ. Fiz amizade com todo mundo que ia passando pelo hostel e que também estavam viajando sozinhos. Fizemos um tour no centro histórico da cidade, visitamos Alcântara (passeio de dia inteiro), fiz aula de kitesurf na praia do Olho D’água e dei uma relaxada na praia do Calhau, que é uma das mais famosas da cidade.
      Destes três dias iniciais em São Luiz, destaco a receptividade do pessoal do hostel, a galera que conheci durante os passeios e que iam me ajudando com o deslocamento e principalmente me descrevendo tudo o que viam.
      No quarto dia pela manhã, peguei uma van até Barreirinhas, que fica a aproximadamente quatro horas de distância. Fiquei hospedado no Cama, Café & Aventura. Este hostel na verdade é a casa de uma família, que por sinal gostei bastante.
      Na parte da tarde, fiz o circuito da Lagoa Azul no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, que exige menos esforço na caminhada, pois as dunas são um pouco menores. Na volta, o veículo 4 x 4 que nos trazia atolou e ficamos esperando quase duas horas para sair do atoleiro! Resultado: fiz amizade com um grupo de amigos de Brasília e com dois sul coreanos muito espirituosos!
      No quinto dia fiz o passeio de lancha no rio Preguiças. Destaque para o guia, que me descreveu desde a vegetação ciliar, passando pelos Pequenos Lençóis Maranhenses, até as vilas de Vassouras, Caburé e Mandacarú. Depois de tirar várias fotos no topo do Farol do rio Preguiças, nosso grupo foi assistir ao pôr do sol dentro da lancha, bem no meio do encontro do rio com o mar. Este momento foi muito emocionante e quase todo mundo do barco chorou enquanto eu contava um pouco de minha história.
      No sexto dia, fui até Cardosa, fazer flutuação no rio Formiga e de tarde tive uma aula de aquaplane no rio Preguiças. Infelizmente não consegui me equilibrar em pé na prancha que estava sendo puxada pela lancha, mas consegui ficar sentado e de joelhos! Na próxima vez eu acho que consigo ficar de pé e fazer bonito! Ah, também fiz bastante stand up no rio, que é bem mais tranquilo do que no mar, já que não existem ondas. Aliás, só quando passa uma embarcação do seu lado.
      A noite em Barreirinhas é bem animada, pelo menos neste período de julho, que é alta temporada. Jantei em pizzarias com preço razoável e tomei o famoso Guaraná Jesus.
      No sétimo dia, voltei para São Luiz morto de cansado, mas bem feliz com tudo que vivenciei. Voltei para o hostel em que tinha me hospedado no início, dormi bastante e viajei no dia seguinte de volta para Recife.
      Por onde eu passava com meus óculos escuros e minha bengala, as pessoas já se colocavam prontamente a minha disposição, perguntando se eu estava precisando de ajuda, as vezes eu aceitava e em outras fazia tudo sozinho, afinal ter independência é algo muito importante na vida de qualquer pessoa com deficiência.
      Se você é ou não deficiente visual, gostou de minha história e quer saber detalhadamente como fiz para montar esta viagem e como me virei nos diversos momentos dela, pode me mandar uma mensagem pelo Facebook ou Instagran, lá tem algumas fotos dos passeios e o vídeo em que estou fazendo aquaplane.
       
      Meu Facebook: https://www.facebook.com/julio.aguiarbarreto
      Meu Instagran: Julio.cesar00
    • Por rena_info
      Olá pessoal, meu nome é Renato!
       
      Gostaria de iniciar dizendo que sim, sou meio retardado. Na ansiedade de conhecer o Brasil afora - sendo desta vez os lençois maranhenses - fiz uma viagem corrida, mas no final, extremamente satisfatória.
       
      Este relato será dividido por locais visitados. A primeira das partes será sobre a viagem em si e os meios de transportes utilizados, bem como suas tarifas:
       
      1 - Viagem de ida - saí do Rio de Janeiro na quarta-feira, dia 17/10 às 20:33 num vôo da Gol (boeing 737-800, sim, aquele maior com os winglets) com escala em Brasília às 22:00h. Às 23:36h decolei de novo em direção à São Luiz, colocando os pezinhos no aeroporto (minúsculo e desprovido) de São Luiz. O total deste vôo, com taxas, foi de R$302,00.
       
      Única coisa legal no aeroporto de São Luiz:
       

       
      Ao pedir um taxi (R$20,00, sem taxímetro - imoral este preço dada a distância) em direção à rodoviária de São Luiz (distante do aeroporto uns 2,5km, ou 6 minutos de carro) fui informado, quase chegando na rodoviária que a mesma estaria deserta neste horário e que só haveria movimento à partir dás 4h (obs: a rodoviária fica de frente a uma favelinha). Após devido esporro (ou melhor, idéia no taxista - já que o aviso poderia ter sido antes), peguei meus paninhos de b..nda e procurei um lugar pra ficar de "atividade na laje", já que carioca bom, não sai do Rio pra dar mole em outra "boca". Assim, fiquei em estado vegetativo de aproximadamente 2:40h até 6h, aguardando o ônibus da Cisne Branco Turismo ( http://www.cisnebrancoturismo.com.br/ - R$28,00 na ida + R$22,00 na volta) para Barreirinhas. Uma observação sobre a passagem do ônibus: mesmo que compre pela internet (só aceitam visa), você terá de ir no guichê da empresa na rodoviária pra pegar o "cartão" de embarque.
       
      Começou então uma nova viagem que duraria 4:48h, pois o motorista parava mais que coletivo na Presidente Vargas. Dormi, acordei, dormi, acordei, vi gente feia, gente bonita, gente normal e gente esquisita. Só pude esticar as pernas em Rosário, onde fica uma modesta parada, com uma lanchonete/restaurante, que vende: café c/ leite (R$2,00), salgados (coxinha e similares), bolo de macaxera (acho que se escreve assim), bolo de chocolate (R$2,00), bolo de abacaxi( a averiguar), tapioca, salgadinhos tipo fandangos e etc.... E claro, Jesus, o refrigerante que parece pirulito derretido com gás e gelado (se for lá, você vai entender).
       
      2 - Hospedagem e primeira alimentação de verdade - finalmente cheguei à Barreirinhas, às 10:48h, exatamente em frente à pousada que iria ficar (Pousada da Areia - http://www.pousadadareia.vfx.net.br/ - R$60,00 a diária no quarto single). Foi só atravessar a rua e fazer o checkin (antes do horário, que deveria ser às 12:30h, mas dei uma idéia no recepcionista, que com muita cortezia me indicou o quarto). Tomei um banho e caí matando pra rua pra encontrar comida de verdade, pois vivi de "porcarias" desde o dia anterior. Fui parar no restaurante Marina Tropical, que fica no píer da avenida Beira Rio. A comida é meia bomba (pouca variedade nas saladas e carnes) , no esquema self-service, no valor de R$34,50, o kg. O que o restaurante tem de ótimo é sua parte dos fundos, onde um deck de cara pro Rio Preguiças te dá o descanso necessário, pro corpo pra mente. E principalmente por estar sozinho, deu quase pra atingir o estado zen.
       
      Parte da frente da Pousada da Areia:

       
      Parte dos fundos do Restaurante Marina Tropical:

       
      3 - Primeiro passeio (pela São Paulo Turismo) - às 14:00h precisamente, o pessoal da São Paulo Ecoturismo ( http://saopauloecoturismo.com.br/ ) bateu nas portas da minha pousada pra me chamar para passeio (previamente agendado via Skype) no circuito Lagoa Azul – Lagoa do Peixe (neste mês de Outubro, principalmente por causa da pouquíssima chuva que caiu na região este ano a 99,9% das lagoas deste circuito estão secas – sendo a do Peixe, única com água no nível acima dos joelhos).
       
      Este passeio segue as seguintes etapas:
       
      • Após pegar todos os passageiros em suas pousadas e lotar a Toyota, somos levados até um mercadinho para a compra (R$2,00) de água (alguns compram biscoitos também. Outros, como eu, que estavam sem chapéu, são orientados a comprá-lo). Isso é obrigatório, a meu ver, já que você está se dirigindo a um deserto. Faça um favor a você mesmo e compre mais de uma garrafa por pessoa, pois após uma caminhada sob sol vento e areia, ela será sua fiel companheira. Ah, e não esqueça: coloque as garrafas no cooler que fica na parte de trás da Toyota para mantê-las geladinhas.
       
      • Feito isso, agora a Toyota dirige-se para a travessia de balsa de uma margem até a outra no Rio Preguiças. Neste ponto, a galera desce da Toyota e o motorista coloca a mesma na balsa. Depois todos sobem na balsa e de pé realizam a travessia.
       
      • Agora sim começa a aventura pra valer. Já no trecho inicial em meio a uma comunidade ribeirinha você já é jogado de lá para cá dentro da Toyota, pois a mesma tem de seguir a trilha na areia deixada pela última que passou, senão torna-se impossível trafegar à uma velocidade aceitável na areia fofa e seca. Por isso, em diversos momentos você entrega pra Deus e f.da-se. Literalmente você vai pensar: se essa p.rra não virar olê olê olá, eu chego lá.
       
      • Depois de muito balançar-se e quase virar, chega-se finalmente na “primeira” das dunas, onde com 5 minutinhos de caminhada você aporta na Lagoa Azul (lembre-se estava seca). O que senti foi um deslumbramento total, pois olhando dali ao horizonte, você vê “nada”; mas um “nada” maravilhoso! Aquelas dunas com areia alva. Aquele vento constante fazendo com que a areia flutue como se fosse fumaça de gelo seco ao chão. É um momento sublime , quase espiritual, principalmente pra quem sai de uma cidade completamente caótica e barulhenta como o Rio.
       
      Primeira duna, onde abaixo (onde estou) deveria ficar a Lagoa Azul:

       
      • Segue-se o caminho e o guia mostra que aquele leito seco é a lagoa tal, aquele outro é a lagoa tal e assim vamos caminhando, até que uns 5kms depois, avistamos ela, a Lagoa dos Peixes. Tendo em vista o tempo de caminhada, o sol e o sobe e desce nas dunas (é bom seu coração, pulmão e pernas estarem em dia, pois em alguns momentos você se deparará com seu limite físico) ver uma lagoa no meio do “nada” é de fazer lembrar filmes em desertos e suas miragens. Neste momento corra, tire a roupa e mergulhe, pois será a melhor recompensa pela caminhada até ali. Ah, sim, esta parada é de 30 minutos. Aproveite-a ao máximo, pois, você chegou, mas tem que voltar né?
       
      Lagoa dos Peixes, vista do alto de uma das dunas:

       
      Mais próxima (observe o nível baixo das águas):

       
      • Depois que a “sacanagem” está ficando boa e você já está num relax total dentro d’água, ouve-se o apito do guia chamando a “manada” de volta. Mas a esta altura, com o sol baixando, o ventinho ficando frio, a volta é muito gostosa, principalmente porque você terá a visão mais encantadora daquele dia: O PÔR-DO-SOL. Ahhhh, só de lembrar! Neste momento, quem está acompanhado se beija, quem está sozinho (como eu estava) pensa em quem poderia estar beijando e quem está brigado se reconcilia. É literalmente a hora mágica!
       
      O maravilhoso pôr-do-sol e suas várias fases:

       

       

       

       

       

       
       
      • Bom, após esse beija, beija, seguimos todos até o monte de Toyotas perfiladas para a viagem de volta. Não preciso dizer que o balanço volta com tudo, mas como “virgens defloradas” ainda sentimos a “dor”, só que agora, com um pouco de prazer.
      Valor deste Passeio pela São Paulo Ecoturismo: R$50,00 (baixa temorada)
       

       
      4 – Janta em Barreirinhas – como a minha experiência no Marina Tropical não foi boa, troquei de restaurante e resolvi parar no Bar Lavento, que também fica no píer da Av. Beira Rio. Ali, pedi uma Pescada Amarela ao leite de côco, acompanhada de arroz branco com um feijão mulatinho bem temperado. Como é praticamente impossível achar outras coisas light e diet para beber, pedi uma Coca Zero. Desceu tudo muito bem e constatei que desta vez acertei na escolha. Apenas observando que, apesar de tanto côco na localidade, o peixe é preparado com leite de côco de garrafinha, o que perde de longe para o método mais tradicional. Mas valeu e muito pelo ambiente, atendimento e preço, já que a conta foi de R$30,00 (R$26,50 da refeição e mais R$3,50 da coca).
       
      Depois da janta, fiquei escutando “dor de cotovelo” do cantor e seu violão, que entre outras coisas, cantava Fagner e Cia. Cansei daquilo e fui na sorveteria tomar um sorvete de tapioca. Sugestão: quando for lá, peça outro sabor, pois do jeito que eles fazem, os caroços da tapioca têm como missão quebrar os seus dentes. Portanto, cuidado!
       
      5 – Segundo passeio, na manhã do dia seguinte (sexta, 19/10) para o Canto do Atins – após o café da manhã da pousada, bem agradável por sinal (compõe-se de mamão, melão, suco de goiaba, suco de caju,ovo mexido, pão doce, pão de sal, bolo de fubá, bolo de macaxera, presunto, queijo mussarela). Sugestão: coma bem, pois, você só irá ver uma refeição de novo somente às 14h, no famoso Restaurante da Luzia.
       
      Neste passeio para o Canto do Atins você sacode ainda mais. Mas só que você passará por lugares muito mais interessantes. Vê-se ao longo da estrada muitos pés de buriti (árvore que praticamente domina as produções na economia local. Dela, fazem-se doces e afins. Inclusive sua madeira é aproveitada para fazer até mesmo persianas, como as vistas mais tarde no Restaurante da Luzia dada a sua leveza. Da sua palha se fazem os telhados de várias casas e restaurantes da região). Além disso, é interessante a paisagem de savana, parecendo em muito com as savanas africanas, dando a impressão de que em algum momento você verá um leão, ou elefante. Nas primeiras dunas visitadas (parada de 10 minutos), você verá quão impressionante é ficar no meio delas com o vento forte. É areia pra tudo quanto pé lado!
      Passando pelas comunidades do Atins, o guia Didi informa que devido à invasão da areia trazida pelo vento, muitas casas e cabanas estão sendo abandonadas ou vendidas a estrangeiros (otários de outra língua, pois, vê-se que mesmo nos cantos mais remotos do nosso país, vagabundo passa a perna sem dó). Por isso, ao chegar na Praia do Canto, não se vê ninguém, além do grupo. É um misto de beleza e desolação ao ver um povoado sumindo literalmente no vento e na areia. Pra se ter idéia há casas quase que totalmente cobertas pela areia.
       
      Vento nas dunas no caminho para o Canto do Atins:

       
      Praia do Canto:

       
      Depois de mais uma sacudida na Toyota, paramos finalmente no Restaurante da Luzia para fazer o pedido das refeições. O forte da Luzia é o seu camarão, nacional e talvez “mundialmente” famoso. Dali fomos para um banho gostoso nos pequenos lagos formados pela maré cheia do dia anterior. Isso só aumentou a fome e quando retornamos para a Luzia a comida já estava no esquema. Observação: pra quem quiser tirar o sal tem um chuveiro na entrada para um banho moderado, visto a escassez de água. E foi de dar dó ver a Luzia toda feliz porque depois de 17 anos os órgãos de proteção a liberaram pra fazer um banheiro no restaurante, pois não havia. Incrível! Bye bye Luzia e agora na viagem de retorno com a b.nda cheia de seus quitutes (a minha refeição custou R$26,00 com o Guaraná Antártica Zero – A Luzia foi humilde até na hora de meter a mão). Aliás, o grupo que foi comigo neste passeio era 10! Voltamos contando piadas, histórias de outras aventuras, causos e mais causos. O grupo era formado por um brasilliense, seis cariocas e quatro paulistas. Como diria Capitão Nascimento: "só podia dar merda".
       
      Toyota na frente do Restaurante da Luzia:

       
      Área no entorno do Restaurante da Luzia. Parece um cenário de marte:

       

       

       
      Olha nosso grupo de Toyota com a famosa Luzia (toda tímida rs)

       
      Um pouco da fauna, também no entorno do restaurante:

       
       
      À noite, fui com parte deste grupo a um restaurante fantástico que fica exatamente sobre as águas do Rio Preguiças, bem na Rua Joaquim Diniz, 10 em frente à duna. O nome do restaurante é (não estranhem) Teatro Maré Mansa (sim, no restaurante também funciona um teatro). Devo dizer que ninguém que se considera normal pode ficar em barreirinhas sem ir neste restaurante à noite. Todo o clima lounge, toda brisa vinda do rio, todo o ambiente aconchegante, enfim, todo o clima espetacular que envolve o restaurante, o faz merecer ser visitado e especialmente com boa companhia Além disso, boa comida e bons vinhos (para os apreciadores) o aguardam. Lá, as refeições em média (sem contar os vinhos) R$36,00. Estou levando em conta os pratos com peixes que são os mais caros. Eu por exemplo comi uma Pescada Negra (pescada ao molho de soja com gergelim torrado e temperos frescos) que estava perfeita.
       
      Sequência de imagens noturnas do restaurante (detalhe: o ambiente tem duas camas para apreciação do rio após a barriga cheinha):

       

       

       

       

       
      Imagem diurna do restaurante:

       
      6 – Manhã seguinte (sábado 20/10), terceiro e último passeio – quando achei que já tinha experimentado tudo o que há de melhor na região dos Lençois, eis que o dia de sábado veio me reservar mais um agradável dia com os amigos recém adquiridos à bordo das chamadas Avoadeiras (lanchas com em média 12 lugares). Nestas, pude fazer um lindo passeio pelo Rio preguiças, que me deu a sensação de estar à caminho do paraíso. Principalmente no momento em que o guia nos leva até uma parte estreita do rio e desacelera a lancha para nos mostrar a plantação de buriti e açaí. É um espetáculo de visão! Novamente, você se encontra num momento quase espiritual, já que está coberto pelo azul e branco (flocos de nuvens) do céu, pelas paisagens verdejantes à sua esquerda e à sua direta e pelo reflexo da luz do sol ao longo das águas. Por favor e amor a si mesmos, façam este passeio!
       
      Sequência de imagens com as lanchas atracadas e do início do passeio:

       

       

       

       

       

       

       
      Só que não ficamos somente na água. E logo ali mais adiante fazemos nossa primeira parada. O local se chama Vassouras e é ali que você recebe de brinde um momento lúdico e de total encontro com a natureza, pois os macaquinhos estão à espera de bananas jogadas pelos visitantes. Não preciso dizer que a diversão é total. E se usar um pouco de macete, conseguirá fazê-los subir em seus ombros, o que rende excelentes fotos. Uma observação: aproveite para beber água de côco, água e o que mais puder, pois, principalmente os ocupantes da parte descoberta da lancha, a esta altura estarão torrados.
       
      Visita aos amiguinhos macacos:

       

       

       

       

       

       

       
      Depois de meia hora de diversão com os “coleguinhas”, é hora de continuar viagem pelo rio e ver as paisagens ornamentadas pelas dunas que curiosamente possuem tons mais escuros do que as do Parque dos Lençois. É comum ver pequenas cabanas com telhados feitos da palha do buriti. E é na companhia deste visual que parece extraído de um filme é que chegamos à segunda parada: Mandacaru. Nesta cidade, temos mais uma linda e emocionante surpresa, pois quando a lancha encosta na margem vem até um grupo de crianças querendo nos falar poesias e cantar músicas da região. Ali, conhecemos Raíssa, uma menina encantadora, de 9 anos que nos brindou com trechos de uma poesia/música de Gonsalves Dias e depois uma música chamada Xote das Meninas, de Luiz Gonzaga. E após esta companhia graciosa, fomos ao Farol de Mandacaru, com sua subida de 160 degraus. É bom que você esteja em forma, pois, com a galera que vem atrás de você, o ideal é subir sem parar, senão todo mundo empaca. Mas todo os esforço vale pela vista maravilhosa que se tem de toda a região ao redor, inclusive a praia ao longe.
       
      Nossa amiguinha Raíssa e o Farol de Mandacaru:

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       
       
      Ao sair de Mandacaru, “voamos” por mais um trecho do rio e fizemos a última das paradas. Embora esta não possua o encanto que envolve as duas primeiras, traz como bonificação o aguardado local para almoçar e depois do descanso (num redário, diga-se de passagem), um gostoso banho de rio. Neste momento, o guia sugere que o almoço seja no Restaurante do Paulo. Ali pedi Robalo à milanesa com salada, arroz, feijão mulatinho e farofa. Mas novamente uma observação: embora a maioria dos pratos no cardápio sejam R$60,00 e R$70,00, são para duas pessoas, portanto, não vacile! Além disso, leve seu cartão de crédito ou débito, mas leve uma grana que dê pra pagar o almoço em dinheiro, pois, por causa do péssimo sinal na região, nos deparamos com um momento cômico, no qual o atendente do restaurante ficou vinte minutos sob forte sol em cima uma pedra com o braço pra cima com a maquininha e ainda assim, não funcionou.
       
      Depois do gostoso almoço, vêm aquele soninho no redário. Ahhh que coisa boa! Debaixo de uma cobertura de palha, com vento vindo do mar e do rio, é inevitável que os olhos se fechem brevemente e você tenha lindos “sonhos”. Ao acordar, sugiro um banho no rio, mas tenha o cuidado de ficar sempre antes de onde ficam as lanchas (olhando da esquerda para direita), pois o óleo que sai das mesmas formam pequenas manchas na água e ninguém tá afim de misturar com isso né? O rio é largo e grande o suficiente, você pode ficar longe delas. Além disso, a água é gostosa em sua temperatura.
       
      Vai um soninho aí?

       

       
       
       
      Quando dá umas 15:45h, o guia recolhe a “manada” e volta-se a Barreirinhas para que os viajantes que irão embora na mesma noite no (últimoônibus de 18:30h ) em direção à São Luiz (o que foi o caso deste que voz fala). Sendo assim, cheguei de volta à pousada com aquele coração apertadinho de quem se apaixonou pelos lugares, vai embora e não sabe quando vai voltar (muito embora eu esteja com uma vontade enorme de voltar no ano que vem, sei lá, com as lagoas cheias, deve ser um espetáculo a mais! Até porque, finalizando este relado me vem uma emoção forte, uma saudade, uma lágrima, um até breve, um volto já, pode esperar).
       
       
      Um abraço a todos e ó: levantem a b.nda poltrona e vai lá gente!!!!!!!

    • Por sergiogil
      Estive lá neste feriado de 07 de setembro e gostaria de compartilhar algumas coisas com os mochileiros pois usei algumas dicas e agora gostaria de" pagar"
      Hospedagem: fiquei no centro de Barreirinhas ,fiquei na Pousada Iguarapé (R$125,00)o casal a pousada é simpres mas o tratamento dos funcionários é VIP,o café da manhã muito bom ,bastante variedades.Os passeios que fizemos foram agendados por eles.A pousada fica a 150 metros do Beira Mar,onde há os melhores restaurantes.
       
      Alimentação: o almoço geralmente durante os passeios ,mas se o passeio for só a tarde ou só pela manhã almoço em média R$12,00 pertinho do hotel Central Lanches (rua Inácio Lins 214 há 130 metros do hotel as meninas de lá são muito agradáveis .
      Em Caburé fomos muito mal atendidos na Cabana do Peixe ,que fica próximo ao terminal do Rio Preguiças,eramos umas 10 pessoas ,a minha comida demorou muito a chegar mesmo os pedidos terem sido feito ao mesmo tempo ,mesmo reclamando não nos deram nenhuma atenção ,quando resolvemos ir embora o o meu pedido foi entregue(como estava com muita fome tive que aceitar) ,porem um casal que chegou muito depois de nós foi servido primeiro, uma mesa que estava com o nosso grupo fez 2 pedidos e só foi feito um ,o pior de tudo foi o descaso que fomos tratados ,mas bem feito para mim pois não segui o conselho da Patricia (no tópico )escrito por ela para ir a ao Bar do Celso ele fica na praia do lado direito vindo do Rio preguiças para a praia .veja o relato da Patrícia .
      Há o Teatro Mare Mansa ,que fica próximo as dunas o lugar é muito legal mas o cardápio horrivel ,(que tal comer filé de azeitona ,filé de camarão ,ou um combo de amendoim ,castanha e pistache e por aí vai,assim não dá.
       
      Passeios.
      Infelizmente este ano não choveu o suficiente para encher as lagoas por este motivo o circuito das lagoas (R$50.00)p/p ficou prejudicado,só há 2 lagoas com agua mas mesmo assim pouca,mas vale o passeio para quem nunca foi,o passeio de quadriciclo é maravilhoso o preço é caro ,mas na volta vc tem a sensação que valeu cada centavo .vai de Barreirinhas até Caburè pelas dunas mesmo sem agua nas lagoas vale á pena (R$300,00)podem ir 2 pessoas no quadriciclo.O Boia cross é um passeio relaxante (R$40,00)p/p mas o pessoal lá da próximo ao Rio Formigas são muito maneiras ,as crianças estão sempre vendendo alguma coisa de artesanato,sacolé de Bacuri é muito gostosa sem contar o de cajú,lá vc pode adquirir Tiquiri a cachaça da região.
      Na voadeira não consegui ir te conto abaixo.
       
      Transporte
      De São luis até Barreirinhas mas barato é de ônibus por volta de R$30,00 a van é um pouquinho mas caro ,ou um carro exclusivo preço a combinar o sr Juscelino da pousada faz .DEixei para comprar minha passagem de volta no domingo e já não havia mas passagem para a tarde só pela manhã ,por este motivo perdi um passeio ,por isto compre logo sua passagem de volta principalmente se for em algum feriado.
       
      Comprar
      Não deixe de comprar o artesanato de Buriti,na travessia que vai para os Lençois há um biscoito feito da agua de coco gostoso,o doce de Buriti .
       
      Espero ajudar alguém com minhas informações ,como tambem fui.
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